La Liga

Aconteceu de tudo no épico Athletic Bilbao 4×3 Celta, decidido no último instante

Athletic e Celta fizeram um dos melhores jogos da temporada em La Liga, com atuações fabulosas de Nico Williams e Iago Aspas

San Mamés recebeu, nesta sexta-feira, um dos melhores jogos da temporada de La Liga. Só assim para descrever a partidaça oferecida por Athletic Bilbao e Celta de Vigo, com cardápio completo. Aconteceu de tudo um pouco no País Basco: sete gols, virada no placar, tento anulado, pênalti perdido, muitas chances de gol. Mesmo numa temporada difícil, o Celta demonstrou sua valentia e poderia ter saído com a vitória. Iago Aspas parou em Unai Simón num penal, mas ainda assim levou o prêmio de melhor em campo. O Athletic, de qualquer maneira, é um time superior. Não sucumbiu aos baques e insistiu até o fim. Literalmente até o último minuto: o gol da vitória por 4 a 3 saiu aos 53 do segundo tempo, num pênalti convertido por Alex Berenguer. Ao apito final, o canto forte da torcida dos Leones valorizava a noite inesquecível compartilhada com os jogadores.

Ernesto Valverde escalou o Athletic Bilbao com seus principais nomes. Unai Simón protegia o gol, enquanto a maior dose de talento ficava para a trinca de meias formada por Iñaki Williams, Oihan Sancet e Nico Williams. Já o Celta de Rafa Benítez, embora mal na tabela, possui suas doses de talento. Vicente Guaita e Jonathan Bamba são figuras com rodagem internacional, enquanto o ataque reunia Jorgen Strand Larsen e Iago Aspas. O capitão seria um personagem primordial.

Quatro gols só no primeiro tempo

Dava para esperar um grande jogo logo pelos primeiros minutos em San Mamés. O Athletic Bilbao ia para cima, mas o Celta respondia na mesma moeda a partir de seus contragolpes. Tanto é que Unai Simón foi mais exigido de início. Iago Aspas tentou surpreender o goleiro numa batida do meio do campo e, depois, deu um tiro rasteiro que Simon salvou com o pé. Aos 16, Aspas também teve um gol anulado por impedimento de Larsen. O veterano estava inspiradíssimo e ainda tentou fazer de cavadinha, sem direção. Do outro lado, o Athletic chegava, mas com bem menos contundência.

A insistência de Iago Aspas deu resultado aos 25 minutos. Foi um golaço do artilheiro, prêmio à sua qualidade. Numa batida de fora da área, o veterano botou veneno na bola e o arremate com curva saiu do alcance de Unai Simón. Morreu no cantinho, ainda beijando o pé da trave antes de entrar. Do outro lado, o Athletic buscou uma resposta. Primeiro, Vicente Guaita salvou a cabeçada de Oihan Sancet. Já o gol de empate teve a marca de Nico Williams, aos 37. O ponta fez ótima jogada pela esquerda e a bola pipocou na área, até Sancet mandar para dentro. Neste momento, o jogo pegava fogo de vez.

O Celta não deixou barato e retomou a vantagem logo na sequência, aos 42. Numa bola solta na entrada da área, Jonathan Bamba aproveitou o espaço para mandar uma chicotada de primeira, sem chances a Unai Simón. A qualidade individual do Athletic Bilbao, entretanto, também incomodava os galegos. Guaita tentava evitar o novo gol e reapareceu num chute rasteiro de Iñaki Williams. Quem estava inspirado mesmo era Nico, de novo num grande lance pela esquerda. Fez miséria na linha de fundo e passou para a definição de Gorka Guruzeta. Nem pegou em cheio na bola, mas conseguiu tirar de Guaita.

De pênalti perdido a gol no último instante

Quem esperava um segundo tempo tão bom quanto o primeiro foi contemplado. A partida voltou em intensidade máxima, e o Athletic não demorou a conseguir sua virada. Nico Williams dava seus avisos. Primeiro desperdiçou uma ótima chance, antes de participar também do terceiro tento, aos sete minutos. Na sequência de um escanteio, Sancet acionou Nico, que parou na ótima defesa de Guaita. Guruzeta estava atento dentro da área e fez mais um no rebote. Nico ainda quase serviu o quarto, em lance que Sancet mandou por cima.

O Celta não voltou tão bem para o segundo tempo, mas se recusava a se entregar. Larsen balançou as redes aos 19, mas sequer comemorou, reconhecendo que estava impedido – algo confirmado pelo VAR. De qualquer maneira, o gol do atacante não demorou e ele decretou novo empate a partir de um contra-ataque, aos 21. Num excepcional lançamento de Óscar Mingueza, Iago Aspas escapou em velocidade com a defesa basca aberta. O veterano esperou o momento certo para entregar o passe com a parte externa do pé, encontrando Larsen livre para só completar. Os galegos estavam vivíssimos.

Uma nova virada poderia ter acontecido aos 28. O Celta ganhou um pênalti, por um toque de mão de Unai Núñez. Iago Aspas assumiu a cobrança, no que era uma atuação perfeita até então. No entanto, Unai Simón foi mais que perfeito e provou por que é o titular da seleção espanhola. Foi uma excelente batida do atacante, rasante e no canto. Pois o goleiro saltou do lado certo e conseguiu operar o milagre. Os celestes desperdiçaram uma grande chance e passariam a sentir mais o desgaste na reta final.

Até pela intensidade da partida, os últimos minutos se concentraram mais no meio-campo. Porém, o Athletic se mostrava um pouco mais inteiro para buscar a vitória. Nico Williams seguia incendiando seu time, enquanto Guaita fez uma defesa essencial nos acréscimos, diante de Dani García. Os seis minutos extras pareciam pouco, diante das paralisações da etapa final, e novas aconteceram no tempo adicional. Assim, no estouro do relógio, os Leones ganharam um pênalti por toque de mão de Mingueza. Álex Berenguer assumiu a cobrança e teve frieza suficiente para vencer Guaita. Determinou o triunfo agonizante dos bascos. San Mamés vinha abaixo.

A situação na tabela

O Athletic Bilbao abre a rodada na quinta colocação de La Liga, com 24 pontos. Não corre o risco de ser ultrapassado e seca os times do G-4, só um ponto atrás do Atlético de Madrid – mas este com dois jogos a menos. Já o Celta aparece na zona de rebaixamento, com sete pontos, no 18° lugar. A equipe de Rafa Benítez demonstra caráter em partidas de peso, como foi também contra Real Madrid e Barcelona. Todavia, o elenco tem limitações e não se impõe contra oponentes mais frágeis. O temor da queda é real, justo na temporada que marca o centenário dos celestes.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
Botão Voltar ao topo