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Asenjo volta ao Valladolid depois de 13 anos para virar o ídolo que prometia no início da carreira

Asenjo surgiu como um futuro goleiro de seleção no Valladolid, mas as lesões atrapalharam demais a sua progressão

Sergio Asenjo surgiu para o futebol como um futuro goleiro da seleção espanhola. O garoto apresentava qualidade na meta do Valladolid, enquanto frequentava as seleções de base. Em 2009, o arqueiro de 20 anos seria levado pelo Atlético de Madrid, mas sua carreira nunca atingiu as expectativas. Teve bons momentos principalmente no Villarreal e atuou pela seleção principal uma vez, o que ainda parece pouco ao que prometia e ao que foi atrapalhado por quatro rupturas de ligamentos ao longo de sua trajetória profissional. Aos 33 anos, porém, o veterano terá a chance de escrever uma história bonita. Retorna ao Valladolid sem custos, para liderar a nova etapa dos violetas na primeira divisão do Campeonato Espanhol.

Asenjo é uma das maiores revelações da base do Valladolid. O goleiro sempre foi levado em alta conta pelos violetas e começou a ganhar destaque no time B, antes de receber suas primeiras chances na equipe principal. Os pucelanos atuavam na primeira divisão e lutavam pela sobrevivência, quando o garoto de 18 anos assumiu a titularidade em 2007/08. Auxiliou a permanência na elite e manteve a posição na temporada seguinte, apesar de se ausentar por três meses ao lesionar o menisco. Paralelamente, conquistou o Campeonato Europeu Sub-19 em 2007 e era o titular da seleção espanhola em diferentes categorias.

O Atlético de Madrid contratou Asenjo em 2009, por €5,5 milhões, e entregou a titularidade ao novato de 20 anos. Contudo, o arqueiro não se saiu tão bem na primeira temporada e perdeu a posição depois de um semestre para outra promessa das seleções menores – ninguém menos que David de Gea. Já no fim da temporada de 2009/10, quando teve a chance de retornar ao time, Asenjo rompeu os ligamentos do joelho a primeira vez. Iniciaria um longo calvário.

Ao completar sua recuperação, Asenjo acabou emprestado ao Málaga em janeiro de 2011. Também ganhou a posição no time de Manuel Pellegrini e atuou por cinco partidas. De novo rompeu os ligamentos. Os problemas físicos custaram muito à sua progressão e, nas duas temporadas seguintes, ele seria reserva de Thibaut Courtois quando voltou à ação no Atleti. O melhor caminho era procurar um novo destino e o Villarreal concedia essa chance. Assinou com Submarino Amarelo para 2014/15, num acerto de €5 milhões. Foi quando realmente viveu o melhor momento de sua carreira.

As duas primeiras temporadas de Asenjo pelo Villarreal foram ótimas. Titular absoluto, ganhou sua primeira convocação para a seleção principal da Espanha. Uma alegria que não duraria tanto, com a terceira ruptura de ligamentos de sua vida em abril de 2015. Seria quase um ano parado, perdendo a chance de disputar a Euro 2016. E quando parecia saudável em 2016/17, outro tombo, com mais uma ruptura ligamentar. Seriam novos meses árduos, até que retornasse em dezembro de 2017. Finalmente passaria o período mais longo de sua carreira sem contusões tão graves.

Asenjo conseguiu emendar três temporadas como titular do Villarreal entre 2018/19 e 2020/21. Não era mais cotado à seleção espanhola, mas dava segurança ao clube e atravessou bons períodos no Campeonato Espanhol. Todavia, o arqueiro dava lugar nas copas ao seu reserva. Foi assim que Gerónimo Rulli ganhou sequência na Liga Europa de 2020/21 e virou herói do título. Acabou alçado à posição de titular em 2021/22. Mesmo com as falhas do argentino, Asenjo teve raras aparições pelo Submarino Amarelo nos últimos meses. Havia chegado a hora de buscar novos rumos à sua carreira, com o fim de seu contrato.

O acesso do Valladolid concedeu uma ótima oportunidade a Asenjo. O veterano poderia retornar ao clube onde deu os primeiros passos e virar uma referência nesta nova etapa dos violetas. Não se nega que o camisa 1 está um nível acima do que os pucelanos representam na tabela e tem totais condições de ser titular. Jordi Masip foi o capitão na promoção, mas não possui a qualidade e nem a bagagem de Asenjo. Depois de uma carreira tão conturbada, o novo reforço poderá experimentar também uma continuidade. Se não virou goleiro de seleção, pelo menos tem tempo para se gravar como ídolo do Valladolid, não somente uma eterna promessa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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