La Liga

Aos 16 anos, Ansu Fati faz torcedores do Barcelona sonharem em goleada sobre o Valencia

Se há um rei simbólico em Barcelona, ele atende por Lionel Andrés Messi. Craque, capitão, símbolo do barcelonismo, das badaladas canteras de La Masía, de um estilo de jogo do Barça – mesmo que tudo isso sejam ideias que nem sempre encontram correspondências com a realidade. Só que o futebol é feito, antes de tudo, de fantasia. E o que os torcedores viveram neste sábado no Camp Nou tem muito disso. E a fantasia vivida pelos blaugranas atendeu por outro nome: Ansu Fati, 16 anos, atacante, nascido em Guiné-Bissau, vindo da base do Barcelona. Foi ele o grande nome de uma goleada por 5 a 2 sobre o Valencia, por La Liga.

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O Barcelona não tinha seus dois principais jogadores, um parcial e outro totalmente. Messi segue machucado e assistiu ao jogo das tribunas. Luis Suárez ainda se recupera e, por isso, começou a partida do banco de reservas. Por isso, o ataque do Barcelona teve um nome estelar, Antoine Griezmann, e outros dois garotos: Carles Pérez, 21 anos, e Ansu Fati, 16 anos.

Foi justamente Ansu Fati, um garoto de Guiné-Bissau, que brilhou. E rapidamente. Logo a dois minutos, em uma jogada que o Barcelona trabalhou nos primeiros dois minutos, bola para Frankie De Jong e o meia holandês cruzou rasteiro para a área, onde Ansu Fati chegou rasgando para chutar e estufar a rede, bonito: 1 a 0. O garoto marca o seu primeiro gol no Camp Nou e comemorou muito, sorrindo, abraçado por diversos companheiros.

Só que ele não estava satisfeito. Aos sete minutos, veio outro lance, desta vez pela ponta. Ele recebeu nas costas do lateral e partiu para cima do zagueiro Ezequiel Garay, passou por ele e cruzou rasteiro, rápido, para a área. Desta vez os papéis se inverteram: foi De Jong que chegou como uma flecha para completar e marcar 2 a 0. Em menos de sete minutos, Ansu Fati já tinha um gol e uma assistência na partida. O Valencia diminuiria aos 28 minutos. Um passe de Rodrigo Moreno para Kevin Gameiro, que diminuiu para 2 a 1. Foi o placar do intervalo.

O início do segundo tempo teve um gol curioso. Carles Pérez chutou forte da entrada da área, o goleiro Jasper Cillenssen (sim, aquele, ex-Barcelona) tocou, a bola bateu na trave e voltou nos pés de Gerard Piqué, que estava ali tal qual um centroavante para aproveitar a sobra.

O jogo, então, ganhou novos contornos aos 15 minutos do segundo tempo, quando Ansu Fati deixou o gramado. O jovem deu lugar a Luis Suárez, enfim, voltando de lesão e ganhando minutos para o jogo de meio de semana, contra o Borussia Dortmund, pela Champions League. E o uruguaio entrou inspirado. Foi com ele que o Barcelona transformou uma vitória que era tranquila em uma goleada.

Com um minuto em campo, o camisa 9 recebeu, na entrada da área, e ajeitou o corpo para chutar. O chute pareceu fraco, mas foi muito no canto, tocou a trave e entrou. Um gol de muita precisão de Suárez. Já aos 37 minutos, depois de um bate e rebate dentro da área, Griezmann ajeitou para Suárez bater de primeira, ampliando e fechando o placar: 5 a 1.

No final do jogo, já com o ritmo mais lento, o Valencia ainda conseguiu diminuir. Depois de cruzamento, Denis Cheryschev recebeu pela esquerda e cruzou rasteiro para Maximiliano Gómez, que completou de primeira. O placar, então, ficou em 5 a 2, mas era tarde para qualquer reação, já que eram 47 minutos do segundo tempo.

O Barcelona ainda não sabe se poderá contar com Messi para o jogo de meio de semana. Mas já sabe que tem no elenco jogadores que podem ser úteis, como Carles Pérez e, principalmente, Ansu Fati. O garoto irá completar 17 anos em outubro, ainda muito jovem, mas mostrou qualidades que chamam muito a atenção. Velocidade, precisão e força na finalização, drible, tomada de decisão inteligente. Ainda é cedo para saber qual é de fato a sua capacidade, mas os sinais para a torcida são ótimos. Ansu Fati faz os torcedores sonharem. E o que é o futebol se não é uma fábrica deliciosa de emoções?

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Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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