Espanha

Insípido

O Panathinaikos não é o melhor time do mundo, mas até que merece algum respeito. Na Liga dos Campeões da temporada passada, ficou em primeiro lugar em um grupo que tinha Internazionale e Werder Bremen. Eliminar o alviverde grego com duas vitórias é um resultado que não pode ser desprezado. E, até por isso, a torcida do Atlético de Madrid já achou que sua equipe poderia fazer uma grande temporada. Dificilmente acompanhando dos estrelados Barcelona e Real Madrid, mas servindo de uma digna escolta.

Passaram-se três semanas e tudo mudou. O Atleti já está em crise, com torcida pedindo a cabeça de dirigentes e o time ocupando a zona de rebaixamento do Campeonato Espanhol (o que, em duas rodadas, não significa nada além de “o time começou perdendo”). O grave mesmo é o futebol apresentado, quase nenhum.

Depois de perderem por 3 a 0 para o Málaga (que até foi o time-revelação da temporada passada, mas não deixa de ser um time pequeno) na estreia, os Colchoneros não passaram do 1 a 1 contra o Racing de Santander no Vicente Calderón. Pior, o time cântabro teve um jogador expulso no início do segundo tempo e, mesmo assim, os atléticos pouco fizeram para merecer melhor sorte.

A melhor definição do que foi visto nas margens do Manzanares foi do Marca: “O Atlético faz um manifesto contra o futebol”. Ao final da partida, torcedores se dirigiram às tribunas do estádio, certamente não para cumprimentar a diretoria do clube pelos bons serviços prestados ao “atletiquismo”.

É bem verdade que o time de Abel Resino pode justificar o mau desempenho com o fato de ter usado muitos jogadores reservas. Forlán começou no banco e, quando entrou, foi no lugar de Agüero. A dupla de volantes foi Cléber Santana e Paulo Assunção e a armação ficou a cargo de Jurado, Sinama-Pongolle e Simão (apenas esse último é titular).

De qualquer modo, fica evidente como o elenco colchonero é raso. A dependência em Agüero, Forlán e Maxi Rodríguez é grande. Até porque o Atlético foi montada de forma que o ataque carrega a equipe, pois a defesa continua insegura.

Com essa configuração, o clube da margem do Manzanares continuará oscilando. Se souber concentrar suas forças para os jogos importantes, é capaz de dar trabalho a Real Madrid, Barcelona e a seus adversários na Liga dos Campeões (Chelsea e Porto, principalmente). No entanto, patinará diante de oponentes frágeis como Málaga, Racing, Osasuna e tantos outros no Campeonato Espanhol.

Concurso de vaidades

Kaká deu um passe de peito, participou de uma tabela e fez uma jogada individual. Três assistências (apenas as duas últimas foram convertidas) que resolveram a partida do Real Madrid contra o Espanyol. Enquanto isso, Cristiano Ronaldo, que entrou no segundo tempo, esteve apagado. Fez um gol nos minutos finais, mas quando os catalães já haviam se entregado. Óbvio ululante: compararam o desempenho de ambos e já se fala em quem é melhor.

Muito se acusa o Real Madrid de priorizar o marketing ao futebol. Mas, nesse caso, o acusador é quem tem culpa. Torcedores e imprensa, ao fazerem isso, tiram do foco o que é realmente mais importante. Ao invés de verem em como o brasileiro logo se encaixou no time e pensar em que posicionamento Cristiano Ronaldo pode desenvolver melhor seu talento, trata-se como se fosse um concurso entre ambos.

Por enquanto, Kaká e Cristiano Ronaldo parecem saber separar as coisas. Manuel Pellegrini é um técnico inteligente e procurará fazer isso. Mas, se o vestiário madridista se transformar, aos poucos, em uma fogueira de vaidades, não dá para culpar apenas os jogadores e a diretoria. A mídia e a torcida também têm um envolvimento nesse universo galático do clube de Chamartín.

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Equipe Trivela

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