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Hazard rescinde com o Real Madrid e coloca ponto final em uma história de imensa decepção

Em quatro anos, o belga nunca conseguiu entrar em forma para justificar a badalação (e o preço) da sua contratação

Foi um sábado de despedidas no Real Madrid. Após Marco Asensio, Mariano Díaz também foi dispensado e, enfim, talvez o mais esperado. Eden Hazard, reforço de € 100 milhões que se tornou um dos maiores desastres do mercado de transferências moderno do futebol europeu, acertou a rescisão mútua do seu contrato, a um ano do fim, e está finalmente livre do pesadelo que foram seus últimos quatro anos. Nunca conseguiu entrar em forma, nunca teve confiança do clube e os problemas afetaram até a sua contribuição à seleção belga, da qual se aposentou após a Copa do Mundo.

A decisão é boa para todo mundo porque Hazard ganhava o maior salário do elenco praticamente apenas para comparecer aos estádios. Ele fez 10 jogos nesta temporada, quatro como titular, e ficou em campo um total de 392 minutos. Em julho, Carlo Ancelotti disse que tentaria utilizá-lo como falso 9, reserva de Karim Benzema, mas a última cartada não deu certo, e foi Rodrygo quem abraçou essa função com excelência. O The Athletic chegou a publicar em março que o belga tinha a intenção de cumprir o contrato até o fim, mas parece que o bom senso prevaleceu.

Dinheiro é legal, mas Hazard tem bastante e mais um ano sendo preterido quase duas vezes por semana não faz bem para auto-estima de ninguém. Foram poucos os momentos em que pareceu um jogador de futebol funcional desde que deixou o Chelsea em 2019 – quando era um dos melhores do mundo. A queda abrupta de rendimento e a incapacidade de entrar em forma ao longo de quatro anos, durante os quais fez apenas 76 partidas, com média de 49 minutos em campo, foram uma das histórias mais estranhas do futebol europeu.

Hazard foi uma obsessão do presidente Florentino Pérez, que queria contratá-lo ainda em 2018, após a saída de Cristiano Ronaldo, para ocupar o cargo de grande estrela do Real Madrid. O Chelsea fez jogo duro. Cedeu apenas um ano depois, quando o belga tinha apenas 12 meses em seu contrato, e mesmo assim os merengues concordaram em pagar € 100 milhões à vista, além de bônus por desempenho, que, se não foram todos cumpridos porque o desempenho de Hazard foi bem chinfrim, ainda levaram a contratação a superar a de Gareth Bale e se tornar a mais cara da história do clube espanhol.

O meia-atacante chegou fora de forma ao Real Madrid e demorou para recuperá-la. Quando começava a fazê-lo, levou uma entrada dura do compatriota Thomas Meunier, em confronto contra o PSG em novembro de 2019, e lesionou o tornozelo direito. Nunca mais foi o mesmo. Os problemas musculares foram constantes e se juntaram a uma lesão antiga que tinha naquela mesma perna e que o levou a fazer uma cirurgia em março de 2022 para retirar uma placa. Ele marcou sete gols.

“O Real Madrid e Eden Hazard chegaram a um acordo para que o jogador fique desvinculado do nosso clube a partir de 30 de junho de 2023. Eden Hazard fez parte do nosso clube durante quatro temporadas, nas quais conquistou oito títulos: uma Champions League, um Mundial de Clubes, uma Supercopa da Europa, duas La Ligas, uma Copa do Rei e duas Supercopas da Espanha. O Real Madrid quer expressar seu carinho a Eden Hazard e deseja-lhe boa sorte e a toda sua família nesta nova etapa”, disse o clube merengue.

Em março, Hazard deu entrevista a uma emissora belga, dias depois da reportagem do The Athletic, na qual disse que gostaria de ficar no Real Madrid para a próxima temporada e que, embora tivesse uma relação de respeito com Carlo Ancelotti, não era comum que conversassem. Acrescentou que sentia falta de jogar, de estar em campo e de se sentir importante. Agora, está livre para buscar um clube em que possa recuperar esse sentimento, se ainda for possível.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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