Espanha

Hazard: ‘Eu não queria a camisa 7 do Real Madrid, queria a 10, mas ele não me deu’

Belga acabou ficando com o número de Cristiano Ronaldo, mas rejeita a ideia de ter chegado para substituir o português

Eden Hazard guardava uma curiosidade inédita sobre sua chegada ao Real Madrid. Em entrevista à emissora francesa “Canal+”, o belga revelou que o número de camisa que realmente queria no clube não era o icônico 7, legado de Cristiano Ronaldo, mas sim o 10, que pertencia a Luka Modric.

O então astro do Chelsea teria uma passagem frustrada pelo Santiago Bernabéu, que já começou com a escolha do seu número. Ele era o camisa 10 dos Blues e admitiu que chegou a contar com a generosidade do croata para conseguir usá-la no Real Madrid, mas não aconteceu.

Hazard sem camisa 10 não queria substituir Cristiano Ronaldo no Real Madrid

“Eu não queria a camisa 7. Queria a camisa 10 de Luka Modric. Pensei que ele ia me dizer ‘Está bem, fica com ela’, mas não me deu”, contou Hazard, com o bom humor de quem já faz as pazes com o passado.

A camisa 7 acabou chegando por outro caminho: o número havia sido atribuído a Mariano Díaz na saída do ídolo português, que o cedeu ao belga logo na chegada. Cristiano Ronaldo havia saído dois anos antes, e a camisa carregava um peso simbólico que Hazard sempre rejeitou ter sentido.

Hazard pelo Real Madrid
Hazard pelo Real Madrid (Foto: IMAGO / Pressinphoto)

Contratado por mais de 100 milhões de euros por indicação expressa de Zinedine Zidane, Hazard chegou ao Bernabéu em 2019 com expectativas enormes e a comparação com Cristiano Ronaldo era inevitável para boa parte da imprensa. O belga, no entanto, nunca aceitou o enquadramento.

“Não foi um fardo suceder ao Cristiano no Madrid porque, na minha opinião, não estava lá para substituí-lo. É a mídia que diz ‘ele vai substituir o Ronaldo’. Creio que tenho um estilo de jogo completamente diferente do dele.”

A diferença que ele aponta é direta: Cristiano foi durante anos o maior goleador do planeta. Hazard nunca foi um artilheiro por natureza. Por isso seria impossível fazer o mesmo que o português:

“Não conseguia marcar 60 ou 70 gols por ano. Na verdade, em toda a minha carreira, mal marquei tudo isso. Por isso, meu estilo de jogo era completamente diferente.”

Os números no Madrid confirmam e, ao mesmo tempo, ilustram a tragédia da passagem. Em quatro temporadas no clube, Hazard marcou apenas sete gols. Uma microfratura no tornozelo logo na primeira temporada definiu o tom de tudo que viria depois: sem sequência, sem ritmo, sem conseguir mostrar ao Bernabéu o que havia encantado o mundo no Chelsea.

“Eu fui para lá para jogar como o Eden, não para substituir o Ronaldo. Mas, como costuma acontecer, as coisas não correram bem”, concluiu o belga.

Uma frase curta que resume quatro anos de promessa não cumprida. E que, dita com leveza, reforça como Hazard, um dos grandes jogadores da história do Chelsea e da Bélgica, admite o “fracasso” em Madri e passou por cima de um momento conturbado que o levou a encerrar a carreira com apenas 32 anos.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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