Espanha

Granadinese

Quase todo time de La Liga tem sua equipe filial. Basta olhas as tabelas das segunda, terceira e quarta divisões para achar Barcelona B, Real Madrid B e C, Atlético de Madrid B, Villarreal B, Valencia B, Athletic… bem, deu para entender. Até houve um estranho caso de Real Madrid e Real Madrid B se enfrentarem na final da Copa do Rei, mas um time filial não pode chegar à primeira divisão. A não ser que faça como o Granada, que volta à elite como uma equipe B… da Udinese.

As conexões são complicadas. O presidente do clube é um personagem já conhecido de outras situações confusas. Enrique “Quique” Pina foi um jogador de futebol medíocre nos anos 80 e 90. Em 1999, ele decidiu atuar como empresário. Para isso, fundou o Ciudad de Murcia (não confundir com o tradicional Murcia). Com bons contatos, conseguia jogadores de nível razoável e em 2003 a equipe murciana alcançou à segunda divisão, onde chegou a brigar por promoção à elite.

Em 2007, Pina vendeu o Ciudad de Murcia ao empresário Carlos Marsá, que mudou o clube para Granada e o renomeou como Club Polideportivo Granada 74 (não confundir com o tradicional Granada). Dois anos depois, Quique voltou a atuar. Como o time de Marsá não conquistara a simpatia da torcida granadina e rapidamente despencara de divisão, o Granada Club de Fútbol (o tradicional, fundado em 1931) parecia uma aposta interessante para quem quisesse investir na ascensão de um clube na Espanha.

Gino Pozzo, empresário italiano radicado em Barcelona, decidiu comprar o Granada e chamar Pina para dirigir o clube andaluz. Eles se conheciam bem, pois Quique era agente exclusivo de jogadores da Udinese no mercado espanhol. Udinese que pertence a Giampaolo Pozzo, pai de Gino. Além de ajudar nas operações futebolísticas do filho na Espanha, Papai-Pozzo estava interessado em alguma equipe que desse espaço para algumas das promessas contratadas pelo clube. Assim, o Granada virou praticamente uma filial do time friulano.

Veja a lista de jogadores que fizeram a ponte Údine-Granada nas duas primeiras temporadas da parceria:

2009 (11 jogadores)
Párraga, Mensah, Maínz e Nyom (defensores); Kitoko, Benítez e Tetteh (meio-campistas); Casares, Tariq, Sanchón e Ighalo (atacantes).

2010 (6 jogadores)
Guilherme (defensor); Calvo e Rico (meio-campistas); Geijo, Muriel e Orellana (atacantes). Além disso, Ighalo teve empréstimo renovado.

Com esses nomes, o Granada ascendeu rapidamente. Saiu da Segunda División B para a Segunda em 2009/10 e ficou entre os primeiros colocados na estreia na Liga Adelante. Conquistou uma vaga nos playoffs. Primeiro, superou o favorito Celta. Depois, passou pelo Elche para conquistar um lugar na elite espanhola após 35 anos. Nos jogos decisivos, chegou a ter seis titulares emprestados pela Udinese.

Mas os negócios de Quique Pina não pararão com a promoção do Granada. Na última semana, ele ficou alguns milhões de euros mais rico por intermediar a venda de Alexis Sánchez para o Barcelona. Além disso, ele assumiu o Cádiz (colocou seu pai Juan José como presidente) e logo transformou o clube em uma filial do Granada (ou seja, filial da filial da Udinese). Apenas neste verão, três jogadores já foram para um time andaluz pelo outro.

Para a Udinese, a história toda é interessante, pois consegue expor suas promessas em uma liga mais forte. O difícil é saber até onde o Granada consegue ir com negócios tão enrolados, e ainda tendo de dividir a atenção de seu presidente com uma equipe da terceira divisão.

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Equipe Trivela

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