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Gavi e Pino tiveram um batismo de fogo pela Espanha – e se saíram muito bem

Os garotos de 17 e 18 anos estrearam pela seleção espanhola em San Siro e conseguiram contribuir à enorme vitória sobre a Itália

A primeira surpresa foi a convocação. Com desfalques, Luis Enrique chamou dois garotos muito jovens para a fase final da Liga das Nações. A segunda surpresa foi escalar um deles como titular na semifinal diante da Itália, em um San Siro ainda empolgado com o título da Eurocopa. A terceira é que Gavi, 17 anos, lidou muito bem com seu batismo de fogo, assim como Yéremi Pino que entrou em campo no começo do segundo tempo.

Não foram atuações estelares, mas, dentro dos parâmetros possíveis, acabaram contribuindo à vitória da Espanha por 2 a 1 que encerrou a longa invencibilidade da Itália e garantiu vaga na decisão da Liga das Nações, no próximo domingo, contra França ou Bélgica, que se enfrentam nesta quinta-feira. Único vacilo de verdade foi de Pino, no meio do segundo tempo, com um recuo de cabeça que acabou permitindo o gol italiano.

Desfalcado de nomes como Thiago, Fabián Ruiz e Carlos Soler, Luis Enrique escalou Gavi como titular. Foi apenas o quarto jogo do garoto desde o começo em um time adulto. Acabou de ser promovido no Barcelona. Ele ficou em campo até os 38 minutos do segundo tempo no jogo mais longo da sua curta carreira no futebol profissional.

Escalado pelo lado direito do meio-campo, lidou bem com suas missões. Em comparação com Sergio Busquets e Koke, seus parceiros de setor, foi quem menos tocou na bola e quem menos tentou passes, mas teve um bom aproveitamento. Errou apenas seis de 53. Deu dois dribles e se destacou na quantidade de desarmes, com quatro, líder da Espanha no quesito. Usou a vitalidade de um adolescente para dar mais segurança ao meio-campo.

E fez boas jogadas. Como o contra-ataque que puxou no final do primeiro tempo para a finalização de Oyarzabal que parou em Donnarumma e depois do intervalo acionando o colega Pino, que cruzou para o meia-atacante da Real Sociedad – um dos melhores em campo – cabecear para fora em boa situação. Considerando a fogueira em que entrou, fez uma boa estreia para um garoto que tinha apenas 363 minutos como jogador profissional.

“Nós o conhecemos e sabemos como é. Evidentemente não é normal essa situação, um jogador com essa personalidade e esse futebol (com essa idade), mas tem um perfil de meia interior típico do nosso sistema e é um jogador capaz de jogar entre as linhas, que tem capacidade para o último passe, condições físicas sensacionais, personalidade como vimos. Será o futuro da seleção”, afirmou o técnico Luis Enrique.

Pino é mais experiente. Vem atuando pelo Villarreal desde a temporada passada. Fez 46 jogos e foi titular na final da Liga Europa contra o Manchester United. Mais acostumado a esse tipo de ocasião, mas ainda é um garoto de 18 anos. Entrou no lugar de Ferrán Torres, que havia feito os dois gols, aos quatro minutos da etapa final. Mesmo com pouco tempo em campo, foi um dos principais criadores da Espanha, com três passes para finalização, empatado com Oyarzabal nessa estatística.

Além do cruzamento para a cabeçada de Oyarzabal, fez outra jogadaça, na altura dos 33 minutos, que terminou com Marcos Alonso exigindo outra defesa de Donnarumma. Mas errou no gol da Itália. Após um escanteio cobrado pela Espanha, tentou recuar de cabeça para Pau Torres, não colocou muita força na bola, e Federico Chiesa conseguiu interceptar. Avançou até ficar cara a cara com Unai Simón e apenas rolou para Lorenzo Pellegrini completar ao gol vazio e reacender uma partida que parecia decidida.

Luis Enrique reagiu imediatamente ao gol colocando Sergi Roberto na vaga de Gavi. Um jogador mais experiente para lidar com os nervosos minutos finais. A Espanha confirmou uma enorme vitória fora de casa para chegar à sua primeira final desde a Copa das Confederações de 2013. Em segundo lugar em importância, teve vislumbres de um futuro que será promissor se depender de Gavi e Yéremi Pino.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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