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Foi Schalke 04 x Real Madrid, mas poderia ter sido o jogo da preguiça contra a resignação

Se não fosse o confronto mais desequilibrado das oitavas de final da Champions League, estaria entre os primeiros colocados com certeza. Além das análises dos especialistas, a goleada por 6 a 1 da temporada passada, e 9 a 2 no placar agregado, era um lembrete ressoante da diferença técnica e financeira entre os dois times. E os jogadores aparentemente estavam com tudo isso na cabeça. De um lado, o resignado Schalke 04 concentrou seu esforços em não passar vergonha. Do outro, o Real Madrid acomodou-se no favoritismo e se poupou. Sem forçar, sem suar demais e com muita tranquilidade, fez 2 a 0 na Veltins Arena e decide a provável classificação no Santiago Bernabéu com uma boa vantagem.

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O jogo nunca saiu do controle do atual campeão europeu, nem quando Huntelaar assustou Casillas com um chute cruzado no primeiro tempo. Foi a primeira chance real de gol da partida, mas muito mais um fruto do acaso do que da competência do Schalke 04, preocupado prioritariamente em se defender e fechar os espaços para o adversários. Os espanhóis, conscientes que seus gols sairiam naturalmente, não tiveram pressa.

Sem Modric, Lucas Silva foi titular pela primeira vez com a camisa do Real Madrid, e logo em um jogo decisivo de Champions. Aparentava nervosismo no aquecimento antes da partida e foi consolado por Cristiano Ronaldo. Em campo, soltou-se aos poucos. Fez uma falta afobada na entrada da área que poderia ter levado perigo a Casillas. Bem na sua característica, arriscou da intermediária pouco depois – a primeira finalização da partida – e foi ficando mais confortável.

A tentativa do brasileiro foi bastante compreensível porque o Real Madrid não estava conseguindo furar o bloqueio alemão. Não forçava muito também. Cruzava mais do que passava e lançava mais do que chutava. Esperava o erro, e ele veio: Carvajal subiu pela direita, chegou à ponta da área e cruzou com a canhota. Cristiano Ronaldo apareceu livre na entrada da pequena área para cabecear. O goleiro Wellenreuther facilitou ainda mais com uma saída em falso.

Nem o primeiro gol serviu para transformar as pretensões do Schalke. Continuava concentrado em não passar vergonha. Esforçava-se na defesa, mas não forçava no ataque. Ameaçou de verdade o Real Madrid apenas uma vez, em outro lance fortuito. Uchida arrumou um lançamento longo para Platte acertar o travessão. No rebote, o lateral japonês chutou em cima de Casillas. Acordou quem estava cochilando na Veltins Arena e à frente da televisão durante um jogo para lá de morno.

E o Real Madrid, com a vantagem parcial, estava totalmente na zona de conforto. Não precisava acelerar e nem forçar. Teria mais 90 minutos em casa para resolver o negócio. Ainda assim, Bale teve uma boa arrancada pela direita, mas errou na hora do passe. Tabelou com Isco em outra jogada e o deixou na cara do gol. O espanhol chutou por cima. Cristiano Ronaldo lembrou seus dias de ponta driblador e saiu de marcação dupla pela esquerda. Tocou para Marcelo, que arrumou com a sola do pé esquerdo e acertou um petardo com a perna direita. Golaço.

Com um gol de vantagem, o Real Madrid desacelerou, ciente do risco, mas também confortável porque sentia o jogo totalmente sob controle. Quando fez o segundo gol, esse sentimento (a preguiça) apenas cresceu. O Schalke 04 jogava para não ser humilhado e conseguiu. Foi valente, aplicado e resignado. Achou que perderia desde o apito inicial e não fez nada para mudar isso. Pouco para quem está entre os 16 melhores clubes da Europa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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