Espanha

Entre os sintomas da doença que aflige o Barcelona, o mais sério é a queda brusca de Messi

As duas sequências de resultados, antes e depois da última data Fifa, desnudam que alguma coisa aconteceu com o Barcelona. Até o empate contra o Villarreal, que antecedeu a última pausa para jogos de seleções no meio da temporada, eram três derrotas em 50 partidas por todas as competições. Nos últimos cinco confrontos, contando esse com o Submarino Amarelo, mais três derrotas.

LEIA MAIS: O time mais cardíaco da Europa mostra sua cara outra vez e leva o Atlético às semifinais

O Barcelona venceu um único jogo nesse período. Foi contra o Atlético de Madrid, no Camp Nou, quando atuou com um jogador a mais durante a maior parte dos 90 minutos. O sintoma mais conhecido da doença é a fragilidade defensiva. A facilidade com que o Real Madrid construiu os contra-ataques da vitória no clássico foi um pouco constrangedora; Oiarzabal cabeceou sem ser atrapalhado no revés para a Real Sociedad; e nesta quarta-feira, Griezmann sentiu até frio com a ausência de calor humano à sua volta quando abriu o placar no Calderón. Estava sozinho e dentro da área.

Há outros. O ataque é um deles. Foram apenas cinco gols nesses cinco jogos: um de Piqué, em cobrança de escanteio, um de Rakitic, um de Neymar, cobrando pênalti, e dois de Suárez na supracitada vitória contra os colchoneros. Muito pouco para um time que era tão fluído no setor ofensivo e já marcou pelo menos meia dúzia de gols em uma mesma partida seis vezes na temporada. Evidências irrefutáveis de que o trio MSN está longe do seu melhor.

Ninguém está sofrendo mais com isso do que Messi, e esses certamente são os sintomas e consequências mais sérios do problema. A estatística do fanático em números Mister Chip é assustadora: pela primeira vez em toda a sua carreira profissional pelo Barcelona, Messi está há cinco partidas inteiras – não, não é coincidência – sem dar ao menos uma assistência ou fazer um gol. Antes disso, tinha 37 tentos em 37 jogos.

O diagnóstico pode ser a questão física. O fôlego em dia foi o grande trunfo do Barcelona na última temporada, lapidado com carinho pelo rodízio de Luis Enrique na primeira metade dela, que permitiu que os jogadores voassem na reta final. Repetir a estratégia foi impossível no semestre passado, com as lesões de Messi e Rafinha, juntas à punição da Fifa que impediu o clube de registrar Arda Turan e Aleix Vidal até janeiro. A situação, portanto, é inversa. Quando o bicho começa a pegar no Campeonato Espanhol e na Champions League, os jogadores parecem cansados. Com o agravante de o elenco ter viajado até o Japão para o Mundial de Clubes, em dezembro.

A queda de rendimento ter acontecido justamente na data Fifa pode ser apenas uma coincidência, mas certamente é simbólica de outro potencial empecilho do Barcelona. Seus principais atacantes são sul-americanos e disputam eliminatórias duríssimas quando defendem suas seleções. Nessa data de março, por exemplo, Neymar e Suárez enfrentaram-se em Pernambuco, e Messi jogou contra o atual campeão da Copa América, fora de casa.

Por outro lado, as principais seleções europeias realizaram leves amistosos de preparação para a Eurocopa. Mesmo nos primeiros seis meses da temporada, a maioria delas estava classificada com folgas para o torneio da França e não precisou colocar o pé no acelerador. Paralelamente, na América do Sul, mais jogos pegados e exigentes fisicamente pelas Eliminatórias da Conmebol.

O físico não explica a situação inteira sozinho, mas indubitavelmente trata-se de um fator a ser considerado, e para o desespero dos blaugranas, difícil de ser consertado. Mas o principal dilema para Luis Enrique nem é esse, mas decidir se começa pelo ovo ou pela galinha: quando Messi, Suárez e Neymar jogam mal, o Barcelona também cai muito de rendimento, ou quando a engrenagem não funciona direito, o trio de ataque não consegue mostrar o seu melhor?

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo