Por que Endrick vive um reinício ‘azarado’ no Real Madrid após brilhar no Lyon?
Brasileiro retornou valorizado e ganhou chance com Mourinho, mas lesão interrompeu retomada no clube
Endrick voltou ao Real Madrid com motivos para acreditar que, desta vez, encontraria o espaço que buscava no gigante merengue. Depois de um empréstimo de destaque no Lyon, o atacante brasileiro retornou ao clube espanhol com outra bagagem e uma oportunidade renovada sob o comando de José Mourinho. O problema é que, justamente quando começava a construir esse novo capítulo, uma lesão muscular voltou a interromper seu caminho.
O cenário não poderia ser mais frustrante para Endrick. Ele deixou a França valorizado, depois de assumir papel importante no Lyon e terminar sua passagem com oito gols e sete assistências em 21 partidas. O desempenho também lhe rendeu a convocação para a Copa do Mundo. Na volta a Valdebebas, portanto, havia a expectativa de que pudesse transformar o bom momento vivido fora do clube em uma sequência dentro do Real Madrid.
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Mourinho pareceu disposto a dar essa chance logo de cara. No amistoso contra a Fiorentina, Endrick voltou a ser titular pelo Real depois de oito meses. Tinha apenas três treinamentos com o novo técnico, mas recebeu a confiança para começar jogando. E respondeu rapidamente: marcou aos 12 minutos e teve uma atuação que arrancou elogios do treinador depois da partida.
Era exatamente o tipo de começo que o ex-Palmeiras precisava. Só que a retomada durou pouco.
Lesão de Endrick chega no pior momento
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Antes do último amistoso da pré-temporada, contra o Schalke 04, Endrick sentiu um desconforto e acabou afastado dos treinamentos com o restante do elenco. A expectativa inicial era de que estivesse recuperado para a estreia de LaLiga, mas o retorno demorou mais do que o previsto.
Desde que voltou a Valdebebas para trabalhar com Mourinho, o atacante já ficou fora de três partidas, incluindo os dois primeiros compromissos oficiais do time merengue em 2026/27 — nas vitórias diante de Espanyol e Real Sociedad.
Mourinho tratou o problema como algo de baixa gravidade. Segundo o treinador, Endrick sofre de uma tendinite leve e o afastamento tem caráter preventivo, justamente para impedir que o problema evolua. O plano, agora, é que o brasileiro esteja novamente à disposição para a terceira rodada, contra o Málaga, neste domingo (29).
A questão é que, no futebol, perder alguns jogos pode significar mais do que simplesmente ficar dias fora de combate. Enquanto Endrick trabalha individualmente para recuperar a condição física, um concorrente direto por minutos aproveitou a oportunidade para largar na frente.
Carlos Espí teve um início particularmente forte. Contratado pelo Real Madrid vindo do Levante, o atacante valenciano já marcou três vezes desde sua chegada: dois gols durante a pré-temporada e outro, ainda mais relevante, no último minuto da partida contra o Espanyol, garantindo ao time a primeira vitória em LaLiga.
É aí que o “azar” de Endrick ganha contornos mais claros. O brasileiro não voltou a Madri em baixa ou precisando convencer o clube de que poderia ser útil. Pelo contrário: chega depois de um empréstimo em que finalmente teve sequência, produziu e ganhou confiança. Também encontrou um treinador novo, o que naturalmente abria espaço para uma nova avaliação dentro do elenco.
Quando teve a primeira oportunidade, correspondeu. Mas a lesão o tirou de cena justamente quando começava a disputar espaço. E, durante sua ausência, Espí conseguiu aproveitar os minutos que apareceram.
Um roteiro que Endrick já conhece
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A situação também traz uma lembrança incômoda da temporada passada. No início de 2025/26, Endrick sofreu uma lesão em um período no qual Gonzalo García começava a ganhar protagonismo no Real Madrid. O atacante espanhol, que atualmente está no Fulham, foi um dos grandes nomes do Mundial de Clubes e terminou a competição como artilheiro. A ascensão do companheiro tornou ainda mais difícil para o brasileiro recuperar seu espaço.
A resposta veio longe de Madri. Durante a janela de inverno, Endrick foi emprestado ao Lyon justamente para ter os minutos que não encontrava no Real Madrid. E a aposta funcionou. Na França, conseguiu jogar com regularidade, participou diretamente de gols e deixou o clube espanhol com argumentos muito mais fortes para retornar.
Agora, porém, ele precisa evitar que uma nova interrupção produza o mesmo efeito. A diferença é que, desta vez, Endrick ainda está no Real Madrid e trabalha sob o olhar de Mourinho. O treinador já mostrou, na escolha contra a Fiorentina, que não tem problema em colocá-lo para jogar mesmo sem uma longa preparação.
O ponto é saber como estará a disputa quando ele voltar. Espí começou bem e ganhou terreno enquanto o brasileiro estava fora. Endrick, por sua vez, terá de recuperar não somente a condição física, mas também o espaço que parecia ter conquistado antes da lesão.