Espanha

Eles querem o Brasil

Pareceu uma declaração boba, despretensiosa. Fernando Hierro, ex-jogador e atual diretor esportivo da RFEF (federação espanhola), disse que “todos” gostariam de ver um duelo entre Espanha e Brasil na reabertura do Maracanã, em 2013. A entidade negou que negocie essa partida, como fez a CBF. O que não significa que o assunto esteja morto.

A questão não é se a Espanha enfrentará o Brasil. A questão é que a Espanha QUER enfrentar o Brasil. Não foi só a declaração de Hierro. Iniesta, em entrevista para a próxima edição da Revista ESPN, afirmou que o Brasil é uma “conta pendente” para os campeões do mundo e contou que Casillas fez o mesmo comentário na concentração espanhola, observando que faz tempo que as seleções não se encontram. Está claro que enfrentar os brasileiros é um desejo espanhol. Mas, por quê?

É perfeitamente defensável que a Espanha tem, hoje, a melhor seleção do mundo. É a atual campeã da Eurocopa e da Copa do Mundo. Conquistou os dois títulos mostrando superioridade técnica, eliminando equipes fortes e tradicionais como Alemanha (duas vezes), Holanda, Itália e Portugal. Mas, para a nova realidade espanhola, não basta ser reconhecida como a melhor. É preciso ser reconhecida como uma das grandes seleções do mundo, aquele clube em que só estavam brasileiros, alemães, argentinos, italianos e, dependendo da referência, ingleses e franceses.

A última vez que as duas seleções se confrontaram foi em Vigo, em 13 de novembro de 1999. O Brasil de Candinho (isso mesmo!) entrou em campo com Marcos; Cafu, Antônio Carlos, Aldair e Roberto Carlos; Marcos Assunção, Émerson, Zé Roberto (Giovanni) e Rivaldo (Zé Elias); Sonny Anderson (Jardel) e Élber. Nenhum desses jogadores está na órbita de Mano Menezes. Aliás, nem estiveram na de Dunga. A Espanha da época, treinada por José Antonio Camacho, segue na mesma linha: Molina; Míchel Salgado, Paco, Abelardo e Sergi; Guardiola, Etxeberria (Urzaiz), Valerón (Engonga) e Luís Enrique (Mendieta); Raúl (Alfonso) e Morientes (Munitis). Atualmente, Guardiola é lembrado mais como técnico do Barcelona e Alfonso por dar nome do estádio do Getafe.

O jogo foi modorrento e terminou em 0 a 0. Foi um amistoso como tantos outros, sem nenhum peso especial para os dois lados. Tanto que o Brasil foi comandado por seu auxiliar técnico, deixando Luxemburgo na Austrália, onde esteve com a seleção olímpica para dois amistosos. Desde então, o mais perto que a Seleção esteve de enfrentar a Espanha foram dois amistosos contra a Catalunha em Barcelona: vitórias brasileiras por 3 a 1, em 18 de maio de 2002, e 5 a 2, em 25 de maio de 2004.

Um reencontro hoje entre esses dois países seria diferente. Seria o melhor time do mundo na atualidade contra o melhor time que ocupa tal “cargo” com mais frequência. Torcedores de todo o planeta reconheceriam a importância simbólica do duelo.

Grandes times se mostram em grandes eventos, realizam grandes duelos e se desafiam com o respeito que se tem pelo igual. A Espanha vê no Brasil o adversário que a legitimaria como novo membro do grupo de “grandes”. Por isso a Espanha quer jogar com o Brasil. Mesmo sabendo que isso pode não acontecer tão cedo.
 

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Equipe Trivela

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