Espanha

Ecos de uma derrota

É dura a vida de um favorito. Os olhos do mundo estão nele, os adversários se preparam semanas apenas para anular suas armas, é obrigatório mostrar solidez – técnica, tática e, principalmente, mental – e ainda é capaz de reclamarem de uma vitória menos folgada do que o esperado. A Espanha está aprendendo isso em 2010, a primeira vez (exceto, talvez, em 1998) que chega a uma Copa da era moderna como candidata real de todos os analistas ao título.

Tem sido um interessante avaliar os passos espanhóis na África do Sul. O mais recente, a vitória contra o Chile, foi relativamente convincente e levou os ibéricos ao primeiro lugar do grupo H, como se esperava. Fica, porém, uma sensação de que o time ainda não se soltou completamente. E muito disso se deve a um trauma recente: a derrota para a Suíça.

A equipe de Vicente del Bosque se notabilizou pelo futebol de troca de passes rápidos e curtos, que envolvem o adversário até deixar alguém na cara do gol. Isso foi aplicado no título da Eurocopa, nas Eliminatórias e na estreia contra os helvéticos. Faltou poder de decisão para vazar o gol de Banaglio, mas o toque de bola funcionou com moderado sucesso. O problema é que, pela hesitação em finalizar, a Furia se abriu para o contra-ataque e acabou perdendo o duelo.

Desde então, esse estilo de jogo ficou em segundo plano. Há momentos de troca de passes, mas o time tem praticado um futebol mais convencional. O fenômeno ficou evidente contra os chilenos. Com dois volantes, Xabi Alonso e Sergi Busquets, o meio-campo ficou mais marcador e protegido de contra-ataques, mas ficou também mais pesado. Além disso, Xavi e Iniesta nem sempre estiveram próximos para articular as tabelas. Fernando Torres era usado como atacante de velocidade, enquanto David Villa assumia o papel de estrela da equipe.

Um símbolo do novo modo de ser da Espanha foram os gols. O primeiro surgiu em uma roubada de bola no meio-campo, com lançamento em profundidade para um isolado Fernando Torres e Villa aproveitando a sobra de uma saída precipitada do goleiro chileno Bravo. O segundo veio após um desarme na saída de bola do Chile, com rápida tabela para Iniesta finalizar.

A mudança de estilo não tira a competitividade da Espanha, pois há talentos para adequar o grupo a diversos sistemas de jogo. No entanto, os espanhóis precisam provar que são competitivos desse modo. Como favoritos que são, todos estão analisando cada detalhe da campeã europeia. E vêem uma equipe que faz pequenos ajustes no meio da competição.

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Equipe Trivela

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