É melhor errar como Bale do que desaparecer como Cristiano Ronaldo

Galês foi criticado pela torcida durante a partida (levou até bolada), mas pior do que a má partida técnica que ele fez, foi a omissão de Ronaldo

A bola subiu em direção à segunda trave e Bale pulou no tempo certo. Boa parte da torcida do Real Madrid lembrou-se da decisão da Champions League do ano passado, quando o galês justificou o investimento para tirá-lo do Tottenham com o gol da décima conquista europeia exatamente dessa forma. Desta vez, decepcionou. A cabeçada passou por cima da trave de Buffon. Mais uma chance perdida por um jogador que já entrou em campo contestado. A torcida do Real Madrid compreensivelmente não gostou, mas deveria ter apontado as cornetas mais contundentes a outro jogador que estava em campo contra a Juventus no Santiago Bernabéu.

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Cristiano Ronaldo cobrou o pênalti cavado por James Rodríguez e cruzou a bola da jogada que abre o texto para Bale. Poderia, caso a cabeçada fosse bem sucedida e o Real Madrid vencesse na prorrogação ou nos pênaltis, ter participado dos lances que decidiram a partida. Foi por pouco, mas também foi pouco. Além dessas duas jogadas, cobrou uma falta com perigo nos minutos iniciais e deu um chute para fora. Encerrou a partida com três finalizações, todas no primeiro tempo. Benzema, voltando de lesão e substituído aos 22 minutos do segundo tempo, teve quatro. Sem contar que Ronaldo acertou um único drible durante a partida inteira.

O que mais incomodou, porém, nem foi a partida abaixo da média na parte técnica, mas a postura de não se expor nos momentos decisivos. Dois lances deixaram isso muito claro. No primeiro tempo, ele recebeu dentro da área, cortou a zaga e preferiu cruzar a chutar; no segundo, dominou na ponta direita, com campo para partir para a cima da defesa da Juventus, mas tocou para trás.

Se Bale sofre com o rótulo de ter sido uma contratação de € 100 milhões, Ronaldo divide o patamar atual de extraterrestres com Messi, e se isso costuma gerar muitos elogios, também exerce pressão em cima dele. Porque as comparações são inevitáveis. Em um jogo complicado e equilibrado contra o Bayern de Munique, o argentino do Barcelona chamou a responsabilidade e marcou dois gols. Contra a Juventus, Ronaldo tentou se livrar da bola o mais rápido possível. Não atuou com a postura que se espera do melhor jogador do mundo e isso praticamente definiu, junto com a fase excepcional de Messi, que a partir de janeiro do ano que vem, após duas temporadas, não será mais o dono desse título.

Bale, longe de ser brilhante, errou muito, mas pelo menos tentou. As estatísticas de finalizações são perfeitas para ilustrar isso: chutou sete vezes a gol e errou seis. A única certa foi um petardo de fora da área que Buffon defendeu. Perdeu outra grande oportunidade após cruzamento de Marcelo. No segundo tempo, marcou a saída de bola da Juventus com a volúpia de um jovem. Mostrou vontade, determinação e apareceu para errar. E também por ter se colocado em evidência, foi alvo da maioria das críticas no Bernabéu. Tanto que depois da cabeçada, a torcida jogou uma bola em cima dele, que estava deitado no chão.

As críticas a Bale podem ser justas ou não, dependendo do que o torcedor espera dele, sempre lembrando que ele voltou de lesão no começo do mês. As especulações de uma possível volta à Inglaterra crescem cada vez mais. Mas o galês esteve longe de ser o pior jogador do Real Madrid em campo. Errou porque, mesmo longe do seu melhor dia, não se omitiu. Ao contrário de Cristiano Ronaldo, que ainda tem muito crédito com a torcida e com a história, por todos os gols que marcou e títulos que conquistou. Nesta tarde de quarta-feira, porém, errou justamente por ter tentado excessivamente não errar.

Bale marcando a saída de bola com muita vontade: