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Diego Costa viveu uma noite para os torcedores colchoneros exaltarem para sempre

O lugar de Diego Costa na história do Atlético de Madrid está garantido. O desempenho avassalador na conquista do Campeonato Espanhol em 2013/14 o coloca em uma posição privilegiada, e o que mais conseguir vestindo a camisa colchonera só aumenta o seu degrau na prateleira de grandes ídolos da torcida. Ainda assim, se há uma noite para os torcedores carregarem para sempre na hora de se lembrarem do atacante, ela aconteceu nesta quarta-feira, na Estônia. A Supercopa Europeia é um título bem menor que La Liga. Não importa. O que jogou, o que correu, o que brigou e o que fez acontecer valem demais a Diego Costa. Foram 109 minutos em que Diego Costa mostrou sua verdadeira face, aquela que os rojiblancos adoram e os adversários detestam. Carregou o time de Diego Simeone a, enfim, superar os rivais em uma final europeia. Com dois gols, e participação nos outros dois, foi fundamental para a vitória por 4 a 2.

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Diego Costa possui outros tantos gols fundamentais pelo Atlético de Madrid. Marcou contra o Chelsea na volta das semifinais da Champions em 2013/14, quando o clube voltou à decisão continental após 40 anos. Mais recentemente, também garantiu a vaga na final da Liga Europa ao maltratar o Arsenal. Contra o Real Madrid, há mais tentos emblemáticos. No título espanhol, por exemplo, ele assinalou a vitória por 1 a 0 no Santiago Bernabéu durante o primeiro turno. E também havia empatado o duelo rumo à virada na final da Copa do Rei de 2012/13, a partida que encerrou um jejum rojiblanco no clássico após mais de uma década de sofrimento. Mesmo assim, nada comparado ao que ocorreu na Supercopa Europeia de 2018.

Primeiro, por aquilo que Diego Costa jogou. E o primeiro lance da partida já serve como um grande impacto, abrindo o placar com menos de um minuto. O artilheiro uniu potência e inteligência para vencer dois dos melhores zagueiros do mundo. Então, soltou a bomba e abriu o placar. Seguiu representando um perigo constante, alvo no jogo direto do Atleti rumo ao ataque. E apareceria decisivamente de novo no segundo tempo, depois que o Real Madrid passado à frente no marcador. Sua bicicleta evitou que a bola saísse e permitiu que os colchoneros continuassem lutando pela posse. Juanfran e Ángel Correa deram sequência à jogada, até que o centroavante aparecesse no lugar certo para definir outra vez. Naquele instante, já botava seus nomes nas manchetes.

Os dois gols, porém, não eram suficientes a Diego Costa. Ainda não valiam o título ao Atlético de Madrid. Então, o que ele correu também fez a diferença ao time. Não há bola perdida aos comandados de Diego Simeone e muito menos ao centroavante. Não há um lance em que eles deixem de acreditar. Foi assim que Thomas Partey desarmou Varane e tabelou com Diego Costa, até Saúl Ñíguez anotar um golaço para retomar a vantagem durante a prorrogação. Já a pá de cal dependeu do suor do artilheiro. Os mais de 90 minutos de jogo não pesaram sobre suas pernas, e ele arrancou com todo o seu gás para puxar o contra-ataque. No corpo, deixou Dani Carvajal pelo caminho e fez um digno trabalho de ponta, que permitiu a Vitolo servir Koke, ampliando a diferença e fechando a contagem. A participação nos quatro tentos ressaltava ainda mais o destaque do sergipano.

Pois o que ele brigou também valia à sua exaltação. E aqui, não é uma mera questão de brigar pela bola, o que ele sempre faz incondicionalmente. Há também uma pontinha de prazer aos colchoneros ao assistirem de camarote ao embate recorrente com Sergio Ramos. Companheiros na seleção, mas sedentos pelas vitórias. As faíscas começaram ainda no primeiro tempo, quando o zagueiro deixou o braço no rosto do centroavante. Depois de se enroscarem tantas outras vezes, haveria o troco. Ele aconteceu com um sutil, mas pesado, pisão na nuca do capitão merengue durante a segunda etapa. Não dá para saber se foi de propósito, embora certamente tenha doído bastante. Doce prazer contra o carrasco dos rojiblancos.

Diego Costa fez acontecer. Saiu aplaudido no segundo tempo da prorrogação, após tanto empenho. E demonstrou o seu prazer ao vibrar muito com a taça nas mãos, aos berros diante das câmeras. Ele merecia aquela cena. O sergipano parece talhado para ser centroavante. Combina força, velocidade, precisão. É do tipo que se incomoda se não balançar as redes e que gosta de brigar pelo espaço entre os zagueiros, também abrindo brechas aos seus companheiros. Além do mais, possui uma aptidão para irritar os adversários, o que às vezes o complica, mas também desequilibra partidas. Desta vez, a seu favor.

Além do mais, Diego Costa também se encaixa perfeitamente num Atlético de Madrid que é intensidade, que é vontade, que é sangue nos olhos. Sua relação é tão boa com Diego Simeone por uma mentalidade em comum, e que voltou a dar resultados a partir desse ano. A Supercopa Europeia se torna resultado disso. E depois do que ocorreu na Estônia, certamente muitos torcedores colchoneros se perguntam como o destino poderia ter sido diferente se aquela placenta de égua tivesse funcionado em 2014, ou se ele não estivesse no Chelsea em 2016. Não dá para mudar o passado. Ao menos, o camisa 19 permitiu aos rojiblancos extravasarem no presente, e isso já vale demais. A noite é dele.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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