Ex-Barcelona vive drama com lesão: ‘Meus filhos me pedem para voltar’
Jogador espanhol está há mais de 900 dias sem jogar por um grave problema no joelho
Sair da base do Barcelona como uma promessa que se formou em La Masia traz uma responsabilidade e peso que nem todos os jogadores conseguem suportar. Gerard Deulofeu era cercado de expectativas quando surgiu nos profissionais dos catalães em 2013, mas não desempenhou, somou passagens por outras seis equipes desde então e tem enfrentado um drama físico.
O espanhol, agora com 31 anos, teve 14 lesões diferentes até a situação que vive atual, iniciada a partir de janeiro de 2023, quando passou por cirurgia no joelho direito e teve infecção na cartilagem, área do corpo que já tinha passado por alguns procedimentos anteriores. Desde então, ele não voltou aos gramados.
— A consequência [da infecção] é que você não consegue treinar como deveria, perde massa muscular. Some a isso as aderências na patela e os danos ao joelho — explicou em uma longe entrevista ao portal “Flashscore”.
Sua doença atual se chama condropatia de grau muito alto com comprometimento da cartilagem, o que lhe causa sofrimento pelo desgaste na região. Deulofeu, mesmo que seu contrato com a Udinese tenha terminado em janeiro deste ano, continua treinando e se recuperando nas instalações do clube italiano.
“É mais do que uma lesão”, iniciou, falando da condropatia. “É algo mais próximo de uma incapacidade permanente, como precisar de uma prótese no joelho. Não conseguir dar um passo porque os ossos se chocam é algo muito mais grave. Estou lutando contra a biologia — e também contra isso aqui [aponta para a cabeça].”
— Já se passaram dois anos e meio. Tenho a sorte de contar com o meu clube, o presidente e os meus companheiros da Udinese, que estão me esperando. Por sorte, consigo treinar todos os dias. E ter essa motivação de poder treinar no meu estádio todos os dias me dá muita força.

Deulofeu sonha com retorno e conta pedido dos filhos
Pai de três filhos, a ex-promessa do Barcelona revelou que eles pedem que retorne a campo, o que lhe “parte o coração”. Gerard, porém, não pede a esperança e mantém o otimismo para dar a volta por cima.
— Vai ser muito difícil, mas quero fazer história. Acredito que posso ser o jogador que ficou mais tempo afastado e conseguiu voltar. Isso, para mim, seria um recorde magnífico e precioso. E fazê-lo pela minha família e pelos meus filhos. Eles nasceram sabendo que sou jogador, e agora que estão um pouco maiores, me pedem para voltar, e isso parte o meu coração — disse.
— Há dias e dias, e é preciso ter muita paciência, estar em casa com a família para equilibrar emocionalmente a mente. Nem consigo contar quantas vezes pensei em desistir… mas, sabe? Também tenho uma equipe me apoiando, especialistas em psiconeuroimunologia, em quem confio. E essas experiências me tornaram de pedra. Vai ser muito difícil me derrubar ou me fazer desistir. O meu caso é um milagre, e vou tentar até o último segundo.
A situação atual do jogador, que não entra em campo há 979 dias, é de melhora na parte física. Ele consegue treinar com menos restrições e dores.
— Há uma cicatrização na região da cartilagem, porque sem isso, com o atrito osso com osso, seria impossível voltar. Mas essa cartilagem está se curando, e agora é preciso limpar a área e ganhar mais músculo para me sentir melhor e poder treinar de manhã e à tarde. Antes, eu treinava um dia e precisava parar por dois. Agora, o joelho está reagindo bem e, embora eu veja o retorno ainda um pouco distante, isso é um bom sinal.
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Ex-Barcelona tem Cazorla como exemplo
Existe um compatriota em quem Deulofeu pode se inspirar pela história parecida de retorno aos gramados após lesões. A lenda Santi Cazorla, conhecido pelas passagens por Villarreal, Málaga e Arsenal, ficou mais de 600 dias sem atuar e quase teve a perna amputada por uma infecção no tendão de Aquiles.
O meia retornou ao futebol e ainda conseguiu, aos 40 anos, ser decisivo no acesso do Real Oviedo à primeira divisão espanhola na última temporada. Deulofeu trata ele como um exemplo.
— A gente se segue nas redes, já trocamos algumas mensagens. O Santi é um exemplo para mim. Você só entende o que alguém passou quando vive algo parecido. Eu sei o que é não poder aproveitar sua paixão quando ainda é jovem, e me coloco muito no lugar dele — porque ele é uma lenda e um exemplo de superação — finalizou.



