Espanha

Defesa que ninguém passa

Quando Augusto César Lendoiro parou de colocar milhões de euros no Deportivo de La Coruña, a expectativa era que o clube galego voltaria a seu nível histórico: a parte de baixo da tabela, com idas e vindas na segunda divisão. Foi o que ocorreu em um primeiro momento. Após o terceiro lugar em 2003/04, o time foi oitavo duas vezes e 13º. Sinal claro de decadência. Por isso, surpreende positivamente ver o Depor na terceira posição, apenas três pontos atrás do Real Madrid.

Não é acidente, mas resultado de uma mudança de rota que deu certo há dois anos. Em 2007/08, o Deportivo terminou o primeiro turno com 17 pontos em 19 jogos, ocupando a penúltima posição. Era o prelúdio para um traumático rebaixamento. Após outras 19 rodadas, os galegos descobriram o caminho. Miguel Angel Lotina foi contratado e percebeu que, antes de tudo, o time precisava se acertar atrás.

O técnico chegou a colocar a equipe com até cinco defensores. Funcionou. Com uma defesa segura, o time perdeu apenas seis partidas, sofreu apenas 14 gols e acabou na nona posição. Desempenho mais que digno. Na temporada passada, a receita continuou a mesma. O Depor não tinha grandes gênios do meio para a frente, mas a terceira melhor defesa do campeonato (atrás apenas de Barcelona e Sevilla) garantiram a sétima posição para a equipe de A Coruña.

Os galegos perceberam que estavam diante de um projeto bem sucedido. E fazem força para mantê-lo. Na atual temporada, o time já tem 15 pontos em sete rodadas. São cinco vitórias e duas derrotas, que deixaram o time ao lado do Sevilla, três pontos atrás do Real Madrid galático e quatro atrás do Barcelona campeão europeu. O bom momento se evidenciou após a vitória no confronto direto contra os sevillistas, neste domingo.

E a defesa? Vai muito bem, obrigado. Com seis gols sofridos, é a terceira melhor da liga (de novo, atrás de Barcelona e Sevilla). No entanto, esse número não mostra completamente a solidez da retaguarda galega. Todos os gols foram sofridos em dois jogos, derrotas por 3 a 2 para Real Madrid e Espanyol. Ou seja, em TODAS as outras partidas, o goleiro Aranzubia passou em branco. A série atual é de quatro partidas sem sofrer gol: vitória por 3 a 0 sobre Xerez e triplo 1 a 0, contra Villarreal, Tenerife e Sevilla.

O ponto fundamental é o entrosamento. Desde 2007, a defesa do deportivista perdeu apenas Coloccini (que foi bem em A Coruña, mas está longe de ser insubstituível), Zé Castro (que já retornou), Pablo Amo e os goleiros Aouate e Munúa (que brigaram, literalmente). Da retaguarda titular atual, só Colotto não estava no clube quando Lotina chegou. O argentino foi contratado em 2008, para substituir Coloccini. De resto, Manuel Pablo, Lopo e Filipe Luis jogam juntos há, pelo menos, três anos.

O resto do time não é espetacular. Valerón já teve seus grandes momentos e ainda é importante por sua experiência. Guardado já poderia estar em um clube mais endinheirado, mas não é um craque. Riki, Juca (ex-Botafogo, Internacional, Fluminense e Criciúma), Sergio González são cumpridores. É o suficiente para arrancar um golzinho aqui e outro ali. Com a defesa segurando atrás, dá para construir uma boa campanha. De novo.

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Equipe Trivela

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