Deco: ‘Estrangeiro não é o problema. O futebol brasileiro segue protagonista’
Atual dirigente do Barcelona também avaliou trabalho de Ancelotti na seleção brasileira
Diretor de futebol do Barcelona desde 2023, Deco foi responsável por diversas contratações importantes do clube nos últimos anos. Sempre atento ao mercado, o dirigente foi um dos responsáveis por intermediar a negociação de Vitor Roque com o clube catalão, por exemplo.
Atualmente, Deco segue de olho nas novas promessas que surgem no futebol mundial e ajuda o Barcelona na busca por talentos. O Brasil, tradicional celeiro de grandes jogadores, sempre foi uma fonte importante de atletas para o clube catalão. Nos últimos anos, porém, esse “garimpo” de talentos tem se tornado um pouco mais complicado. Para o agora dirigente, essa mudança acontece por diferentes fatores.
— Acho que o Brasil não involuiu. Acho que o Brasil evoluiu em alguns aspectos; em outros, nem tanto. Essa discussão é mais complexa. Existe uma questão educacional e seria preciso discutir algo muito mais amplo. Hoje, por exemplo, muitas vezes você não deixa seu filho na rua por uma questão de segurança. Ao mesmo tempo, os trabalhos de formação realizados nos clubes brasileiros evoluíram bastante — analisou o dirigente em entrevista ao quadro “Abre Aspas”, do “ge”.
No futebol brasileiro também há uma presença cada vez maior de jogadores estrangeiros, que em alguns casos acabam ocupando espaços que poderiam ser destinados a atletas formados nas categorias de base. Atualmente, por exemplo, 151 jogadores estrangeiros atuam nos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. Entre eles, há 42 argentinos, 30 uruguaios, 29 colombianos, 15 paraguaios e 8 equatorianos, além de atletas de outras nacionalidades.
Apesar disso, Deco não acredita que a presença de estrangeiros seja um problema para o desenvolvimento de jovens jogadores no país.
— Não estou tão presente no dia a dia do futebol brasileiro para ter uma opinião mais precisa. Mas acho que o estrangeiro não é o problema. Você tem casos como Palmeiras e Fluminense, que contam com estrangeiros, mas continuam revelando jogadores da base e dando espaço a eles. O Brasil segue protagonista. Se você olhar a Libertadores, verá que os clubes brasileiros chegam frequentemente às finais. Isso mostra também que os clubes estão financeiramente mais fortes — afirmou.
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Como Deco vê trabalho de Ancelotti na seleção brasileira?
Deco também falou sobre sua relação com Carlo Ancelotti, atual treinador da Seleção Brasileira. Em 2008, o ex-meia luso-brasileiro acertou sua transferência para o Chelsea, clube em que atuou até 2010 e onde foi comandado pelo italiano.
— No dia a dia, o Ancelotti é um treinador muito parecido com o Felipão em termos de gestão. Ele entende o jogador e sabe administrar o grupo. A carreira dele foi marcada por isso e ele ganhou praticamente tudo. Vejo nele essa capacidade de adaptação, que explica a calma que demonstra nos momentos mais difíceis. Isso faz dele um treinador diferenciado — disse.
Segundo Deco, essas qualidades e o currículo vencedor foram determinantes para que a CBF buscasse Ancelotti para comandar a seleção. O italiano estará à frente da equipe durante a Copa do Mundo de 2026.
— Não sei se é o ideal ou não. O que sei é que, desde que ele chegou, todo mundo se acalmou um pouco, porque ele transmite essa tranquilidade. Ainda existem críticas, claro, mas o ruído diminuiu. Ele tem essa capacidade de acalmar as coisas e de lidar com os problemas de forma mais didática. Pela experiência que acumulou, acredito que, neste momento, ele pode ser o treinador certo para o que o Brasil precisa — concluiu.