José Antonio Reyes chega a um novo clube como esperança de dar novo gás ao meio-campo com sua velocidade, habilidade e, principalmente, potencial de ser decisivo. Essa frase já foi escrita inúmeras de vezes, tantas que não seria estranho se, em algumas décadas, ela aparecesse no epitáfio do jogador. Bem, ela foi muito constante nesse 6 de janeiro, Dia de Reis, quando se (re)apresentou ao Sevilla, clube que o formou.

O meio-campista é um fenômeno. Surgiu como talento precoce até para os padrões sevillistas. Tornou-se o jogador mais jovem do Sevilla a defender o clube na primeira divisão, ao estrear em 2000, com apenas 16 anos. Teve grandes temporadas em um time que ainda tentava reencontrar seu espaço entre os grandes da Espanha depois de um traumático rebaixamento. Acabou vendido ao Arsenal por € 24,5 milhões em 2004, em mais uma das de Arsène Wenger em garotos.

Não vingou em Highbury (também não vingou no Emirates) e foi emprestado ao Real Madrid, em troca de Júlio Baptista. Fez dois gols no jogo que deu um título espanhol aos merengues, mas não convenceu. Foi devolvido, mas nem saiu direito da capital espanhola, pois o Atlético de Madrid pagou € 12 milhões para tê-lo ao lado de Simão Sabrosa na armação do jogo. Não se firmou e foi emprestado ao Benfica, que queria estrelas para fazer frente ao Porto. Não fez o suficiente para ficar e retornou ao Atlético de Madrid.

Nesse vaivém, Reyes nunca foi mal o suficiente para ganhar o rótulo de fracasso, mas jamais esteve perto de se tornar o ícone de sua geração no futebol espanhol (é apenas um ano mais velho que Iniesta). É um jogador de (alguns) altos e (muitos) baixos, que fica alheio ao jogo em diversos momentos, e que parece aceitar que não vai explodir.

O histórico não é dos mais otimistas, mas o Sevilla até tem seus motivos para acreditar no já desgastado “agora vai”. O time tem necessidade de um jogador com as características do ex-colchonero. O meio-campo sevillista joga com Medel e Trochowski na ção, Jesús Navas armando pela direita, Rakitic pelo meio e Manu del Moral pela esquerda. No entanto, esse último não convenceu ainda, o que obrigou Marcelino a experimentar sistema de jogo com dois atacantes (e quatro no meio-campo).

Reyes pode entrar no espaço que deveria ser de Manu. Ele joga entre o centro do campo e a esquerda, com tendência a buscar a ponta. Se voltar a praticar o futebol de seu início de carreira (e é essa a esperança dos sevillistas), seria uma versão canhota de Navas, deixando o time menos torto para um lado do campo.

Mas a questão tática é um detalhe. O que os sevillistas contam é com um novo ânimo do jogador. Reyes pediu para ser liberado pelo Atlético de Madrid, pois havia brigado com o técnico colchonero Gregó Manzano (que deixou o cargo na mesma época) e queria retornar a seu clube de origem. Espera voltar às origens, a um lugar em que é querido e seus baixos são tão desculpados quanto seus altos serão saudados.

Reyes sempre teve dificuldade de lidar com a pressão de sempre justificar os altos investimentos feitos nele. Talvez agora, sem essa cobrança, possa se soltar. Não significa que será um craque. Significa que pode, ao menos, se divertir com sua profissão.