Espanha

Críticas à diretoria e recado ao sucessor: a última entrevista de Xavi no Barcelona

Técnico deixa o comando da equipe catalã após temporada sem títulos e desavenças com presidente

Xavi Hernández não é mais técnico do Barcelona. Alguns dias após ter sua saída do clube confirmada, o ex-meio campista concedeu, neste domingo (26), a última entrevista como treinador da equipe. A vitória dos Culés sobre o Sevilla, por 2 a 1, acabou ficando em segundo plano na coletiva. Visivelmente chateado, Xavi admitiu que gostaria de seguir no cargo.

Demitido na última sexta-feira (24) por decisão do presidente Joan Laporta, Xavi disse que deixa o clube com sensação ruim. O motivo? Não ter conseguido cumprir seu contrato até o final — ele tinha vínculo até o fim da temporada 2024/25.

— Tentei controlar as emoções hoje, mas é difícil, ainda mais sabendo que não continuaremos no clube. Mas creio que estivemos bem na partida (…) Fechamos La Liga com os 85 pontos que queríamos. Tínhamos esse número em mente no início da temporada. Nossa vontade era seguir (no cargo), mas não controlamos essas decisões. Foi duro e difícil, mas aproveitamos também. É uma lástima não poder cumprir nosso contrato — disse Xavi.

Questionado sobre os motivos que levaram a sua demissão, Xavi desconversou e pontuou que não cabe a ele citá-los. Porém, não deixou de alfinetar a diretoria blaugrana. Em tom crítico, o ex-meia ‘reclamou’ do ambiente conturbado do clube, afirmando que tal instabilidade prejudica a fluidez do trabalho dentro e fora de campo.

— Não é minha responsabilidade dizer os motivos. Não tenho escolha a não ser aceitar e nada mais. A decisão já foi tomada e devemos olhar para frente. O clube está acima de qualquer um (…) Tenho a sensação de que tudo o que fiz causou um terremoto. Eles me atacaram, em geral. Não consegui trabalhar com calma e tranquilidade. Queríamos trabalhar. Esta é a vida de um treinador. É uma pena.

Autoavaliação

Xavi assumiu o Barcelona em novembro de 2021. Nestes dois anos e meio à frente da equipe catalã, o técnico soma 143 jogos, com 91 vitórias, 23 empates e 29 derrotas. Ele comandou o time nos títulos de La Liga e da Supercopa da Espanha em 2022/23, primeiros troféus do clube na era pós-Messi. Apesar do início promissor, o desempenho na atual temporada acabou comprometendo o trabalho do jovem treinador. Desavenças com Laporta nas últimas semanas minaram de vez sua permanência.

— Fracassamos e temos sido autocríticos. Não somos perfeitos e nem queremos ser. Temos que melhorar a nível tático. Foi uma honra e um orgulho, mas falhamos, especialmente nesta temporada. Fizemos um bom trabalho.  Estou grato aos jogadores pelo envolvimento. O legado é que tornamos os jogadores melhores (…) Agradeço aos torcedores. Estou saindo, queridos. Isso me enche de orgulho. As pessoas valorizaram o trabalho e tenho certeza que será mais valorizado com o tempo.

O Barcelona foi apenas o segundo trabalho de Xavi como técnico. Livre no mercado, o ex-meia está a aberto a ouvir propostas e ingressar num novo desafio. Sobre retornar ao clube catalão algum dia, Xavi não descartou a possibilidade e disse que seria uma honra.

— Espero. Estou aberto. Seria uma honra e não sei se vai acontecer. Somos profissionais, vamos ver o que acontece. Na minha profissão tudo pode acontecer.

Recado ao sucessor

Hansi Flick tem o caminho aberto para se tornar técnico do Barcelona. Amigo pessoal do presidente Laporta, o alemão deve ser anunciado nos próximos dias. Para a imprensa europeia, o acordo entre treinador e clube é dado como certo.

Durante sua última coletiva de imprensa pelos Culés, Xavi mandou um recado ao sucessor. Sem citar o nome de Hansi Flick, o ex-meia chamou atenção para o ambiente historicamente caótico do clube e afirmou: “o novo treinador vai sofrer”.

— (Que o próximo treinador) Saiba que terá uma situação difícil. O Barça é um clube difícil por natureza, e ainda agora tem a questão da situação econômica adversa. O novo treinador vai sofrer. Que tenham paciência com ele, porque não é fácil a vida nesse clube. A única coisa que vai salvá-lo é ganhar.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
Botão Voltar ao topo