Espanha

Craques monopolizados

Mais que a rivalidade, o grande motivo que atrai as atenções em torno do clássico entre Barcelona e Real Madrid são os grandes nomes em campo. Se o encontro entre blancos e blaugranas tem tomado ares épicos ao longo das últimas temporadas, o mesmo se pode dizer dos confrontos pessoais que o dérbi guardará. Mais uma vez, Cristiano Ronaldo e Messi poderão mostrar quem é mais decisivo em um grande jogo, assim como os outros craques que orbitam ao redor dos dois grandes astros do futebol mundial.

E, apesar de todos os conflitos, há um fato que os rivais precisam concordar: ao longo dos últimos anos, Barcelona e Real Madrid têm centralizado a presença de “jogadores top” em seus elencos. Ainda que os títulos impulsionem ainda mais as premiações individuais, a entrega da Bola de Ouro torna visível esse predomínio de merengues e culés.

As duas equipes monopolizaram as três primeiras posições da condecoração mais importante do planeta nos últimos três anos – desde 2009, apenas Lionel Messi, Xavi, Cristiano Ronaldo e Andrés Iniesta ficaram no pódio. Um fenômeno que chegou ao seu ápice após intensificação ao longo das duas últimas décadas.

Um movimento histórico
Talvez o único período no qual se viu um controle parecido de Real Madrid ou Barcelona  na Bola de Ouro foi no fim dos anos 1950, logo nos primeiros anos de entrega do troféu. Enquanto os merengues conquistavam cinco títulos da Copa dos Campeões, sete jogadores configuraram nas três primeiras posições do prêmio entre 1956-59.

Esses números caíram consideravelmente entre os anos 1960 e 1970, quando ambos os clubes se distanciaram um pouco mais do topo das competições continentais. Entre 1960 e 1969, os únicos mencionados foram Luisito Suárez, Ferenc Puskás e Amancio, todos na primeira metade do decênio. Nos dez anos seguintes, Johan Cruyff foi lembrado três vezes, além de Hans Krankl uma.

Novo crescimento seria registrado entre 1980 e 1999. Foram seis aparições nos anos 1980, com Bernd Schuster, Gary Lineker e Emilio Butragueño, além de outras seis nos anos 1990, graças a Hristo Stoichkov, Ronaldo, Pedrag Mijatovic, Rivaldo e Davor Suker – 13, se fossem considerados jogadores que tiveram alguma passagem na carreira pelos gigantes espanhóis.

Por fim, a consolidação da Lei Bosman a partir do fim da década anterior fez com que o domínio tomasse forma ao longo dos anos 2000. Concentrando quatro títulos da Liga dos Campeões neste período, Real e Barça marcaram presença com 13 jogadores – número que poderia pular para 20 dos 30 possíveis, caso considerados os que chegariam em temporadas posteriores. Somente na primeira colocação, estiveram Luís Figo, Ronaldo, Ronaldinho, Fabio Cannavaro e Messi

Tendência mantida no prêmio da Fifa
Unificado com a Bola de Ouro em 2010, o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da Fifa também serve para comprovar o fenômeno. Entre 1991 e 1999, os jogadores de Barcelona ou Real Madrid foram listados oito vezes entre os três primeiros lugares. Número este que chega a dobrar nos anos 2000, quando os atletas de ambos os clubes foram nomeados nada menos que 19 vezes.

O mais impressionante ao longo de 2000 e 2009 é que, se não era dos rivais espanhóis na época da premiação, boa parte dos jogadores foi levada para lá depois. Ao longo de toda a década, apenas Oliver Kahn, Andriy Schevchenko, Frank Lampard e Fernando Torres não fizeram a ponte aérea.

Seleções divididas
Criadas a partir de 2001 e 2005, respectivamente, as premiações do Time do Ano da Uefa e da FIFPro são uma terceira forma de apontar a centralização. Os números das duas eleições foram, aos poucos, dominados por Real Madrid e Barcelona.

As seleções da FIFPro tiveram, em média, um jogador a mais dos dois rivais por ano. De três em 2005, saltaram para oito no ano passado. O único ponto fora da curva é 2006, quando o desmanche do time da Juventus, por conta do escândalo do calciopoli, levou Cannavaro, Thuram e Zambrotta para a Espanha.

Ainda que de forma não tão regular, os times da Uefa viram a quantidade quadruplicar, de dois jogadores em 2001 para oito em 2010. E, se só Ronaldinho Gaúcho configurou na lista em 2004, em 2009, dos 11 ideais, apenas John Terry e Steven Gerrard desfilaram suas habilidades longe de merengues e culés.

Em 2011, a tendência prevalecerá. Dos 55 jogadores pré-selecionados pela FIFPro, 21 pertencem a Real ou Barça, enquanto são 14 na lista inicial da Uefa. Um sinal claro de que, se os rivais pleiteiam o título de melhor equipe do mundo, é porque a parcela majoritária dos melhores jogadores está lá.

Jogadores entre os três primeiros na Bola de Ouro*

1956-59 – Alfredo Di Stéfano (56, 57 e 59); Raymond Kopa (56, 57, 58 e 59).
1960-69 – Luis Suárez (60); Ferenc Puskas (60); Amancio (64).
1970-79 – Johan Cruyff (73, 74 e 75); Hans Krankl (78).
1980-89 – Bernd Schuster (80, 81 e 85); Gary Lineker (86); Emilio Butragueño (86 e 87).
1990-99 – Hristo Stoichkov (92 e 94); Ronaldo (96); Pedrag Mijatovic (97); Davor Suker (98); Rivaldo (99).
2000-09 – Luis Figo (2000); Raúl (2001); Ronaldo (2002); Roberto Carlos (2002); Deco (2004); Ronaldinho (2004 e 2005); Fabio Cannavaro (2006); Lionel Messi (2007, 2008 e 2009); Cristiano Ronaldo (2009); Xavi (2009).
2010-11 – Lionel Messi (2010 e 2011); Andrés Iniesta (2010); Xavi (2010 e 2011); Cristiano Ronaldo (2011).

Veja os também os números do Prêmio de Melhor Jogador da Fifa, da seleção da FIFPro e da seleção da Uefa

*Considerando apenas o time em que os jogadores encerraram a temporada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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