Espanha

A corrida maluca de LaLiga: 8 times têm risco de rebaixamento em briga histórica

Com cinco rodadas para o encerramento do campeonato, apenas três pontos separam o 13º do 18º colocado

A reta final da LaLiga virou um campo minado. Com cinco rodadas para o fim do campeonato espanhol, oito times ainda correm risco real de rebaixamento, e a diferença entre o 13º e o 18º colocado é de apenas três pontos.

O que parecia uma temporada tranquila para boa parte do pelotão intermediário se transformou em uma das disputas pelo descenso mais imprevisíveis dos últimos anos. Quem está na disputa é, de cima para baixo:

  • Rayo Vallecano;
  • Valencia;
  • Mallorca;
  • Sevilla;
  • Alavés
  • Elche;
  • Levante;
  • Real Oviedo.

Como LaLiga chegou a essa disputa contra o rebaixamento

O sinal mais claro dessa virada veio há duas rodadas, quando, pela terceira vez na história de LaLiga, todos os cinco últimos colocados venceram seus jogos na mesma rodada.

O lanterna Real Oviedo atropelou o Celta por 3 a 0, o Levante bateu o Getafe por 1 a 0, o Mallorca goleou o Rayo Vallecano, o Sevilla aproveitou um Atlético de Madrid com time reserva e o Elche superou o Valencia. Na semana anterior, o Alavés havia arrancado um empate por 3 a 3 fora de casa contra a Real Sociedad.

Santi Cazorla, do Real Oviedo
Santi Cazorla, do Real Oviedo (Foto: IMAGO / Pressinphoto)

O resultado prático é que o Elche, 18º colocado e primeiro time a ser rebaixado, está a apenas três pontos do Rayo, que ocupa o 13º lugar e inclusive está na semifinal da Conference League. E o Oviedo, lanterna, está “apenas” oito pontos atrás do 13º.

Com dez confrontos diretos ainda por disputar entre os envolvidos na briga, e a peculiaridade de LaLiga de usar o resultado do confronto direto para desempatar times com a mesma pontuação, qualquer deslize pode ser fatal.

Um choque de estilos dentro da mesma batalha

O que torna essa disputa ainda mais interessante é a variedade tática dos times envolvidos. Não se trata do futebol físico e direto que costuma marcar as lutas contra o rebaixamento: há uma diversidade de propostas que faz dessa corrida algo digno de análise.

O Elche, por exemplo, aposta em um estilo corajoso de posse de bola sob o comando de Eder Sarabia, ex-assistente de Quique Setién. O mesmo técnico que levou o modesto Andorra à segunda divisão espanhola com 66,6% de posse, mais do que qualquer outro time na época, repetiu a dose e subiu o Elche na temporada passada.

Em LaLiga, a proposta funcionou por sete rodadas seguidas, mas erros na saída de bola e dificuldade em manter a pressão defensiva frearam o embalo. E no outro extremo está o Levante de Luis Castro, um dos times mais pragmáticos do campeonato.

Com quase 5 mil passes a menos que o Elche na temporada, o clube completou mais passes dentro da área adversária do que o rival, eficiência acima de volume. Desde a chegada de Castro em dezembro, nenhuma equipe do campeonato espanhol marcou mais gols de cruzamento.

Rayo, Alavés, Mallorca e Sevilla completam o espectro, cada um com sua identidade: intensidade nos sprints, pressão alta, bloco recuado e jogo direto, respectivamente.

Os artilheiros que podem definir quem sobe e quem desce

Desde o início de 2026, quatro dos atacantes mais em forma de LaLiga jogam justamente nos times ameaçados. E esse detalhe pode ser decisivo na reta final.

O maior destaque é Vedat Muriqi, do Mallorca. O centroavante kosovar de 31 anos está a apenas dois gols de Kylian Mbappé na briga pelo Troféu Pichichi, a artilharia do campeonato.

Com 1,94m, é uma ameaça constante nas bolas aéreas — só Casemiro, do Manchester United, marcou mais gols de cabeça nas cinco grandes ligas europeias nesta temporada. Foi dele o gol da vitória sobre o Real Madrid que tirou o Mallorca da zona de rebaixamento há duas semanas.

No Levante, a revelação atende pelo nome de Espi. Com apenas 20 anos e primeira titularidade em fevereiro, o atacante somou sete participações em gols nas últimas seis rodadas e acertou mais chutes a gol do que qualquer outro jogador no período.

No Alavés, o argentino Lucas Boyé segue como referência com seu estilo potente, enquanto Federico Viñas, emprestado pelo León, do México, marcou seis dos últimos 11 gols do Oviedo.

Muriqi, um dos artilheiros de LaLiga
Muriqi, um dos artilheiros de LaLiga (Foto: IMAGO / Pressinphoto)

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Calendário e projeções apontam para drama na última rodada

As simulações da “Opta”, baseadas no ranking de poder dos elencos, desenham um cenário preocupante para alguns. O Valencia tem o calendário mais complicado: enfrenta o Atlético de Madrid, visita Athletic Bilbao e Real Sociedad, e fecha a temporada contra o Barcelona no Mestalla. Uma queda inédita em 40 anos ainda não está descartada.

O Oviedo e o Levante, apesar da reação recente, podem ter acordado tarde demais segundo as projeções. A disputa mais acirrada pela última vaga no rebaixamento deve ser uma batalha tríplice entre Elche, Alavés e Sevilla.

O Mallorca, por outro lado, tem quatro confrontos diretos pela frente, o que pode ser tanto oportunidade quanto armadilha. Se tem algo que LaLiga ensinou em 2025/26, é que não existe resultado garantido até o fim da temporada.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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