Espanha

Corrida a três

O Real Madrid perdeu um pouco do pique nas últimas semanas. Empatou com o fraquíssimo Almería, sofreu para ganhar do Mallorca em casa e, neste domingo, perdeu do Osasuna. A distância para o Barcelona subiu de dois para sete pontos e, pelo ritmo blaugrana no Espanholão, já se fala em título decidido. É tentador fazer tal afirmação, mas não dá para cravar com tanta antecedência. Há duas temporadas ocorreu coisa parecida. O Barça abriu vantagem, o Real foi tirando pontinho por pontinho e até os dois se encontrarem no Barnabéu. Os catalães meteram 6 a 2 e, aí sim, praticamente confirmaram o título.

O Atlético de Madrid vai se desmanchando. Quique Sánchez Flores perdeu a mão do elenco, que não parece ter ânimo para buscar algo a mais. Fala-se em saídas de Agüero e Forlán para o final da temporada (e mesmo para essa, com janela fechando hoje), a defesa faz água a cada partida e os novos contratados (Elias e Juanfran) têm sido dragados pela crise.

Enquanto isso, Athletic Bilbao e Zaragoza são as boas surpresas do início de returno. As duas equipes vêm de três vitórias seguidas, o que colocou os bilbaínos na briga por competições europeias e os aragoneses fora da zona de rebaixamento. O Villarreal também completou três triunfos seguidos e se consolidam como terceiro colocado no campeonato (que dá vaga automática na fase de grupos da Liga dos Campeões).

São notícias importantes, que envolvem clubes tradicionais da Espanha, incluindo três dos cinco maiores do país. No entanto, a coluna desta semana precisa ser sobre outro assunto: a segunda divisão. A Liga Adelante chegou a sua metade na semana passada e deveria ter sido o tema deste espaço, mas a briga de Mourinho com Valdano acabou atropelando a pauta (aliás, Mourinho venceu, pois conseguiu a contratação de Adebayor).

Após a primeira rodada do returno, o cenário é bem claro na Segundona. Betis, Rayo Vallecano e Celta são as três forças da competição. Beticos e franjirrojos dividem a ponta com 46 pontos. Os celestes estão dois atrás. Essas equipes ocupam as três primeiras posições desde a quinta rodada.

O quarto colocado é o Xerez, com 35 pontos. O problema é que, na Espanha, sobem três times, mas não necessariamente os três primeiros. Campeão e vice são promovidos, enquanto que terceiro, quarto, quinto e sexto disputam uma repescagem. Motivo para esquentar a disputa entre os trio da frente.

Em teoria, o Betis é o time mais forte da Segundona. Lidera a competição desde as primeiras rodadas (foi o líder em 19 das 22 rodadas já disputadas) e conta com elenco acima da média para o torneio. Além de já contar com jogadores como Emana e Goitia, foi feliz nas contratações de verão, com Rubén Castro (vice-artilheiro do torneio), Momo, Salva Sevilla e Jorge Molina se consolidando como nomes importantes dos andaluzes. Um início de campanha bom deu tranquilidade ao elenco, que conseguiu evitar as turbulências causadas pelas disputas políticas do clube.

No entanto, contusões em jogadores-chave prejudicaram a equipe nas últimas rodadas. Foram duas derrotas nas duas últimas rodadas (incluindo um 3 a 0 contra o Granada) que tiraram dos béticos a liderança isolada. Agora, há um receio de que as disputas políticas e a própria pressão de torcida e imprensa possam atrapalhar a campanha do favorito ao título da Segundona.

Aí aparece o Rayo Vallecano. Havia pouca expectativa para o terceiro clube de Madri, pela 11ª posição na temporada passada e pelo baixo investimento realizado para a atual. No entanto, o técnico José Ramón Sandoval mostrou competência para trabalhar com elencos econômicos (em 2009/10, levou o Rayo B da quarta para a terceira divisão), transformando um time simples em concorrente viável ao título. O argentino Armenteros, emprestado pelo Sevilla, também é vice-artilheiro do campeonato.

O grande “porém” dos rayistas é a falta de experiência de alguns jogadores. Tanto que, em partidas fundamentais para a campanha (os confrontos diretos com Betis, 0x4, e Celta, 1×3 em casa). Se a houver igualdade em pontos, provavelmente o time do bairro de Vallecas estará em desvantagem no confronto direto, o primeiro critério de desempate.

O Celta ganha força por sua solidez. Não é uma equipe espetacular, mas perdeu apenas duas partidas (Betis e Ryo o fizeram quatro vezes cada) e tem a segunda melhor defesa da competição. Não perde há dez rodadas, o que dá segurança aos torcedores de que a série de temporadas na segundona pode estar acabando. Os destaques são o goleiro Falcón (ex-Atlético de Madrid), o meia De Lucas e o atacante David Rodríguez.

Em teoria, Betis e Celta aparecem como equipes mais fortes e confiáveis, mas a segunda divisão espanhola é muito dada a surpresas. Na temporada passada, por exemplo, Hércules tinha o título praticamente assegurado e teve de suar para conseguir a promoção, um esforço que envolveu até manobras suspeitas de seus dirigentes. E, quem ficar de fora do acesso automático terá de se virar em um mata-mata cheio de franco-atiradores, com equipes como Xerez, Granada, Cartagena, Numancia ou Elche.

Já que a primeira divisão tem abusado da falta de imprevisibilidade, é bom ver que a segunda traz sua dose de emoção rodada a rodada.

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Equipe Trivela

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