Espanha

Como Garrincha

Normalmente, calcula-se a média de gols em tentos anotados por partida disputada. Nesta semana, Messi subverteu esse método. Foi às redes oito vezes entre sábado da semana retrasada e o último domingo. Um gol por dia. E poderia ser mais um, não tivesse deixado Ibrahimovic bater um pênalti por ele sofrido contra o Zaragoza. Para os que vinham achando que Cristiano Ronaldo ou Rooney eram os melhores do mundo no momento, o argentino deu a resposta.

O jornal El País – um dos mais respeitados do mundo, apesar de ser do mesmo grupo do As – matou parte da charada. Em artigo publicado nesta semana, mostrou como Guardiola mudou o posicionamento do Pulga. Agora, ao invés de meia-atacante aberto pela direita (um meio-termo entre meia e ponta, na verdade, mas com missão de fechar pelo meio para concluir as jogadas), ele estaria no meio, mais como um ponta de lança ou um meia de armação que se aproxima do ataque. Com isso, ele teria mais espaço para atuar, e acabaria aparecendo ainda mais.

Não é uma invencionice do técnico. Segundo o diário, Messi jogaria nesse setor do campo quando nas categorias de base do Barça. O responsável por comandar o departamento era justamente Guardiola, que resolveu recolocar o argentino em sua antiga função. Deu certo.

É por aí, mas há nuances. Na verdade, não dá para dizer que Messi joga realmente pelo meio. O Pulga continua posicionado inicialmente pela direita. A diferença é que, agora, os companheiros de ataque e de meio-campo se coordenam de modo que o rosarino possa flutuar por todos os lados do campo. Assim, o melhor jogador do mundo em 2009 (para a Fifa, e para o colunista) pode ficar como ponta direita, ponta esquerda e meia-atacante.

O jogo que mais mostrou essa nova faceta do argentino foi contra o Zaragoza. No primeiro gol, estava parado no meio da área para concluir de cabeça, como um centroavante. No segundo, pegou a bola no meio-campo, pela esquerda, e saiu driblando até a bola tocar as redes. No terceiro, tabelou com os companheiros pelo meio e arrematou. No quarto, avançou como um ponta-direita até ser derrubado (Ibrahimovic converteu a cobrança). Quatro gols com o toque de Messi, cada um utilizando uma rota diferente.

Nos outros dois jogos destes últimos dias, o Pulga também apareceu em todos os lados, mas os gols, por coincidência, surgiram pelo modo mais “tradicional”, em jogadas pela caindo mais para a direita. Foram três gols contra o Valencia no Campeonato Espanhol e dois gols contra o Stuttgart na Liga dos Campeões.

Forçando um pouco a barra na comparação, mas só para facilitar a visualização do torcedor brasileiro, é mais ou menos como Garrincha na Copa de 1962. Era ponta-direita, mas começou a passear pelo meio-campo e gostou. Podendo cair por onde bem entender, Messi recebe mais a bola, e pode criar situações diferentes durante a partida. E, qualquer criança sabe, um craque com a bola no pé mais tempo e a possibilidade de mostrar seu arsenal de jogadas vai fazer a diferença. Foi assim que Garrincha atuou em seu melhor momento. A torcida argentina espera que, com seu principal craque, seja igual.

Solução imediatista

Em 20 de fevereiro, o Sevila foi a Palma de Maiorca e venceu o Mallorca por 3 a 1. Foi a primeira partida que os mallorquines não venceram no Ono Estadi no atual Campeonato Espanhol. E foi também uma prova de quem é o candidato mais forte à quarta vaga da Espanha na próxima Liga dos Campeões. Pouco mais de um mês depois, parece que tudo aquilo não faz muito sentido.

A vitória nas ilhas Baleares foi a última do Sevilla. Depois disso, uma série de decepções: derrota para o Real Madrid depois de fazer 2 a 0, eliminação para o nada assustador CSKA Moscou na Liga dos Campeões, derrota para o quase inofensivo Espanyol e, por fim, um empate em casa com o patético Xerez. Foi o suficiente para o Mallorca reassumir a quarta posição e poder até abrir quatro pontos de vantagem.

Não se iluda. Os baleares podem até conquistar a vaga na LC – o que até seria justo pelo que o time tem feito com os recursos que tem a disposição –, mas o Sevilla continua sendo uma das quatro melhores equipes da Espanha e ainda é favorito a essa vaga. Mas dá para entender a demissão do técnico sevillista Manolo Jiménez, logo após o empate no duelo andaluz com o Xerez.

A má fase pode ser passageira, mas o treinador ficou em posição frágil depois de um mês tão fraco. Estivéssemos em janeiro, haveria tempo de sobra para o Jiménez, no cargo desde outubro de 2007, recuperar o prumo do time, que naturalmente voltaria aos quatro primeiros lugares. Mas estamos no final de março, e restam apenas dez rodadas. O Sevilla não pode se dar ao luxo de se arrastar por mais algumas rodadas, sob o risco de perder ainda mais posições e deixar a vaga na Liga dos Campeões escapar.

De certa forma, a decisão do Sevilla se assemelha muito a de clubes brasileiros. Trocou de comandante porque precisa de um sangue novo para dar um impulso na reta final da temporada. No curto prazo, não tem tanto a ver com o consistente projeto que os sevillistas têm realizado nesta década. Mas, pelas circunstâncias do Campeonato Espanhol e pelo mês de março, dá para compreender a decisão.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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