Espanha

Com um bom projeto nos bastidores, que inclui Steve Nash, o Mallorca já assegurou o acesso de volta a La Liga

Um ano depois da queda, o Mallorca fez uma campanha bastante segura na segundona e sobe ao lado do Espanyol

Depois do Espanyol, outro clube rebaixado na temporada passada confirmou seu retorno à elite do Campeonato Espanhol: o Mallorca, que consumou o acesso nesta terça-feira. Os baleares atravessaram altos e baixos durante a última década, mas o clube se reestruturou nos anos mais recentes. Com investimento estrangeiro, não parecia tão provável que os bermellones se ausentassem da primeira divisão durante tanto tempo. Assim, mantendo algumas bases do que já vinha sendo experimentado em La Liga, a equipe garantiu a promoção com três rodadas de antecedência. O último time a subir terá que buscar sua vaga através dos playoffs.

O Mallorca, vale lembrar, teve bons momentos no Campeonato Espanhol na virada do século. Terminou duas vezes na terceira colocação, além de ter conquistado a Copa do Rei e de ter sido vice na Recopa Europeia. Já em 2012/13, os bermellones foram rebaixados depois de 15 anos consecutivos na elite. O retorno não aconteceu de imediato, enquanto o clube se afundava em dificuldades financeiras e nas instabilidades políticas. Com a equipe estagnada na segundona, a luz no fim do túnel surgiu em janeiro de 2016, quando apareceu um novo investidor. O americano Robert Sarver se tornou acionista majoritário e tinha experiência na NBA, como dono do Phoenix Suns. Contava ainda com o apoio de um antigo atleta da franquia do Arizona e um notório fã de futebol: Steve Nash participaria da empreitada como conselheiro.

A chegada de Sarver aliviou os problemas financeiros, mas os desafios esportivos seriam maiores. O Mallorca garantiu a permanência na segundona com dificuldades em 2015/16, mas acabou caindo para a terceirona na temporada seguinte. A partir de então, a reconstrução precisaria ser mais ampla. “O pior que pode acontecer no futebol é ser rebaixado. Estávamos muito decepcionados, mas ao mesmo tempo o clube levava seis ou sete anos em que não trabalhavam bem. Creio que essa foi uma oportunidade para vermos os erros que cometiam há mais tempo, para poder corrigi-los e aprender com eles, para criarmos uma estrutura mais estável”, declarou Steve Nash, em outubro de 2017.

O Mallorca não passou muito tempo na terceirona, com acesso imediato e também o título em 2017/18. E a base preservada daria frutos, sob as ordens do técnico Vicente Moreno. Mesmo pensando antes em permanecer na segundona, os bermellones já descolariam a vaga nos playoffs de acesso em 2018/19. Eliminaram o Albacete, até a decisão contra o Deportivo de La Coruña. Num duelo emocionante, os galegos venceram a ida por 2 a 0 no Riazor, mas os baleares reverteram a situação com os 3 a 0 no Son Moix e subiram de volta à elite depois de seis anos de ausência. Rafael Nadal, sobrinho do antigo ídolo Miguel Ángel Nadal, era uma presença ilustre nas arquibancadas durante a festa.

O retorno do Mallorca à primeira divisão, todavia, guardaria logo depois mais um passo para trás no projeto de Sarver e Nash. Vicente Moreno até continuou à frente da equipe, mas o clube apostou em muitos empréstimos e a equipe não deu liga no Campeonato Espanhol de 2019/20. Os bermellones permaneceram na zona de rebaixamento durante quase toda a campanha e não conseguiriam um milagre no final. O péssimo desempenho como visitante, sobretudo, minou as esperanças de permanência. Além disso, com o calendário promovendo uma maratona por conta da suspensão dos jogos em março, as derrotas vieram em excesso na reta final.

O Mallorca recomeçou na segundona sem Vicente Moreno, que aceitou uma proposta do Espanyol. Para seu lugar veio Luís García Plaza, treinador de passagens relevantes por Levante e Getafe na virada da década passada. Montaria uma defesa muito firme para cumprir sua missão nesta campanha. Já o elenco precisaria se encorpar. Nomes importantes como o goleiro Manolo Reina, o zagueiro Antonio Raíllo, o meio-campista Salva Sevilla, o armador Dani Rodríguez, o ponta Lago Júnior e o atacante Abdón Prats continuaram. Mas, se havia uma clara espinha dorsal, era preciso recompor o plantel com os muitos que saíram – a exemplo de Takefusa Kubo, Cucho Hernández ou Ante Budimir. A diretoria repetiu a política de buscar várias alternativas por empréstimo, como o ponta Amath Ndiaye, um dos destaques nesta segundona. Também comprou o ponta Jordi Mboula no Monaco e o lateral Braian Cufré no Vélez.

Se não deu para sobrar na tabela como o Espanyol, o Mallorca seguiu um roteiro relativamente seguro para garantir o acesso. O nível do time continuava acima dos adversários, com a quarta maior folha de pagamentos da competição. Exceção feita ao início com muitos empates, os bermellones passaram quase toda a campanha na zona de acesso. A partir de novembro, o time entrou no G-2 e não saiu mais de lá, se alternando na ponta com o Espanyol. Assim, deu para abrir distância e evitar riscos. Algumas sequências de vitórias criaram uma boa distância. E não foram períodos de instabilidade no segundo turno que tiraram os baleares da rota à elite, mantendo uma vantagem de pelo menos quatro pontos sobre o terceiro colocado. A festa acabaria vindo com três rodadas de antecedência, sem sequer entrar em campo, com o tropeço do Almería.

A maior dúvida sobre o Mallorca é sobre qual o planejamento para a próxima temporada. O cenário gerado pela pandemia gera seus impactos e a diretoria já deu mostras que não fará gastos desenfreados para se estabelecer na elite. No entanto, a ideia de montar um “elenco de aluguel” com um punhado de empréstimos não transmite uma ideia de continuidade e nem deu certo quando foi tentado para La Liga. O pano de fundo é interessante e há gente experiente nos bastidores, mesmo que ligada a outras modalidades. A pressão pela permanência, de qualquer forma, é maior para que os baleares não se transformem num mero ioiô de La Liga.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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