Espanha

Com Rafa Benítez, Real Madrid tenta repetir Del Bosque: um técnico local de um time global

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
(Trecho de poesia de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa)

O Real Madrid é um clube global, um dos mais conhecidos no mundo. Vemos crianças vestindo a camisa de Cristiano Ronaldo aqui no Brasil, nos Estados Unidos, na Colômbia, no Egito ou no Japão. Seu elenco é formado por jogadores das mais diversas nacionalidades, das mais diversas origens. Um time que representa muito da Espanha, mas que tem como principal ídolo um português, o jogador mais caro um galês e tinha, até esta temporada, um treinador italiano. Mas um dos grandes desejos de Florentino Pérez, o ambicioso presidente do clube, é ter um treinador local. Alguém ali, da sua terra. Não importa se o Tejo é o rio mais bonito, porque ele não é o rio da minha aldeia. A beleza da poesia e Alberto Caiero tornou-se uma obsessão de um time que não costuma manter seus treinadores. Rafa Benítez chega para suprir esse desejo.

LEIA TAMBÉM: [Vídeo] Assista a todos os 63 gols de Cristiano Ronaldo nesta temporada

Nascido em Madri, foi jogador de futebol e começou a carreira nas categorias de base do clube. Teve uma carreira de pouco destaque como jogador, encerrando a carreira aos 26 anos por lesões, depois de conciliar a carreira de jogador e estudante de educação física. Voltou ao Real Madrid para se técnico logo que pendurou as chuteiras e comandou o Castilla B, o terceiro time do Real Madrid. Comandou também o Real Madrid B, este sim chamado de Castilla, em seu primeiro trabalho de fato como técnico, em 1993. Desde então, foi um a longa trajetória.

Na Espanha, foi um sucesso no comando do Valencia. Conquistou a liga duas vezes com os Ches, em 2001/02 e 2003/04. Nesta segunda, conquistou também a Copa da Uefa. Foi para o Liverpool e conquistou a Champions League de 2004/05, seu maior título como treinador, naquela incrível final de Istambul. Passou pela Internazionale para substituir José Mourinho, e embora tenha ganhado o Mundial de Clubes, não durou nem até o fim da temporada. No Chelsea, seu trabalho seguinte, conquistou a Liga Europa. Seu último trabalho, no Napoli, teve bons momentos, incluindo a conquista da Copa da Itália em 2013/14 e as vagas na Champions League, que nunca se concretizaram em boas campanhas no torneio. Terminou a sua passagem pelo clube italiano perdendo o confronto direto com a Lazio por vaga no principal torneio continental.

Assim como foi com Vicente Del Bosque, em 1999, o Real Madrid busca a fórmula local. Com o atual técnico da seleção espanhola, foram quatro anos com um sucesso bastante grande. Foram duas Champions League, em 1999/2000, 2001/02, dois campeonatos espanhóis (2000/01, 2002/03) e um Mundial de Clubes, em 2002. Assim como Rafa Benítez agora, na época o técnico tinha o desafio de comandar superestrelas, como Ronaldo, Figo, Roberto Carlos e Raúl.

O desafio de Benítez é bastante grande. Um dos grandes trunfos de Carlo Ancelotti no comando do time foi administrar o difícil vestiário madridista, cheio de estrelas e com jogadores sendo contratados a cada temporada. Teve que adequar o time à perda de Ángel Di María, que tinha sido o grande destaque do time na campanha que levou ao décimo título da Champions League. Conseguiu, adaptando as novas peças e fazendo de Gareth Bale, contratado a peso de ouro, um jogador importante para o time. Terá a seu favor um elenco recheado de boas opções.

O primeiro desafio é vencer a desconfiança. Não por acaso estão chamando Benítez de “Mr. 8%” – índice de aprovação do treinador em enquetes realizadas na internet. Na sua apresentação, ele se mostrou emocionado. “Muito obrigado a todos pelas boas-vindas. Esta é a parte mais difícil, quando tem que falar e não sabe o que dizer. É um dia muito emocionante para mim porque envolve voltar para casa. Estou muito emocionado”, declarou. “Eu prometo trabalho e dedicação, espero que as coisas vão bem e que ganhemos títulos, que o time jogue bem e possamos devolver a confiança que depositaram em nós”.

 

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo