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Casemiro acha que o jogo do Real Madrid não muda com sua ausência

Desde que Casemiro saiu lesionado do jogo contra o Espanyol, mês passado, o Real Madrid não foi mais o mesmo. Coincidência ou não com a ausência do volante, a ótima sequência que fez os merengues alcançarem a liderança de La Liga no começo do campeonato se transformou em jogos suados e tropeços em casa diante de times tecnicamente mais fracos. A queda de rendimento da equipe de Madri pode até ser um acaso, mas a falta que o camisa 14 faz no meio-campo do Real, não. Ele, no entanto, não acredita que o jogo do time campeão da última Champions League se altera em função de seu período afastado por lesão, conforme afirmou em uma entrevista cheia de ótimas declarações.

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“O Real Madrid não muda sua forma de jogar se não estou em campo”, ponderou o brasileiro durante entrevista ao Marca. “Outro dia, por exemplo, [Toni] Kroos jogou em minha posição. Não tem problema algum ele fazer essa função. Suas características são distintas das minhas, mas o jogo não muda”, acrescentou. “Nós temos um elenco incrível. Talvez não há muitos jogadores que façam o que eu faço na posição, mas todos têm muita qualidade”.

Junto a Casemiro no departamento médico do clube merengue está Marcelo, outra peça de extrema importância não só no time de Zinedine Zidane, no qual o volante é indispensável. Mas há anos e sob o comando de outros técnicos que passaram pelo Real. A ausência do camisa 17, porém, talvez seja a que mais tem refletido na equipe, ainda que ele ache que não. Desde a quarta rodada de La Liga, na qual Casemiro sofreu fissura na fíbula, foram três empates. Um, inclusive, contra o Valencia, que estava com muita dificuldade de se encontrar no campeonato. E em casa. Kroos é um excelente jogador, isso é inegável. Mas que se sai muito melhor jogando no campo adversário do que mais recuado. É fato que o Madrid perde muito defensivamente sem a “vitamina C”, como o Marca brincou uma vez.

“Quando você está lesionado, é obrigatório que vá ao estádio para assistir a todas as partidas da equipe. A menos que você peça permissão para o treinador”, contou também o jogador, que provavelmente o faria mesmo que não fosse algo imposto. Isso porque o que chama a atenção na evolução do brasileiro como atleta de uns tempos para cá é, além de seu desenvolvimento em campo, sua postura fora dele e sua autocrítica, algo que não existia quando atuava pelo São Paulo, por exemplo. “Assisto a todas as partidas nas quais jogo depois. O que mais vejo são minhas falhas, para que as corrija depois com Zidane”, contou.

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Antes de ser comandado pelo francês, Casemiro passou pelas mãos técnicas de José Mourinho, Carlo Ancelotti, Rafa Benítez e Julen Lopetegui. Este em sua breve passagem pelo Porto, e quem ele diz ser um ótimo treinador e estar fazendo um ótimo trabalho no comando da seleção espanhola até então. “É muito complicado escolher um único técnico de todos que já tive. Taticamente Benítez é muito bom. Mourinho tem personalidade e ficava muito conectado ao que acontecia em campo. Todos os treinadores foram muito importantes para mim”, expôs.

E ainda falou sobre seus companheiros de posição, mas que atuam em outros clubes. “[Sergio] Busquets é um grandíssimo jogador. Sua saída de bola, seu posicionamento, seu equilíbrio em campo. De todos os camisas 5, ele está no top 3. Para mim, os melhores jogadores da minha posição, além de Busquets, são Thiago, Gabi e Alonso. Foi Xabi Alonso, aliás, quem me ensinou como controlar a partida. Ele me passou um pouco de seu equilíbrio, de sua saída de jogo”, confessou.

Sobre seus parceiros de seleção, Casemiro mirou em Neymar. “O vejo como um companheiro. Nunca vejo uma pessoa como inimiga, mesmo que seja um jogador do time rival. Acho que ele está fazendo sua carreira para chegar no lugar de Cristiano Ronaldo. O que o português tem feito nestes últimos dez anos é impressionante, algo para se recordar pelo resto da vida. Neymar tem tudo para chegar nesse ponto. A Bola de Ouro deste ano, no entanto, será de Cristiano. Com certeza”, opinou Casemiro, antes de dizer o quão contente está no Real Madrid e demonstrar que outro grande clube espanhol não o interessa. “Felizmente nunca jogarei no Barcelona, porque na Espanha eu sou Real”.

Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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