Bale: ‘É por isso que Ancelotti teve sucesso nos maiores clubes do mundo’
Ex-atacante destacou a principal qualidade do italiano, que busca o hexacampeonato com a seleção brasileira
Gareth Bale elogiou o atual treinador da seleção brasileira, Carlo Ancelotti. Mas o ex-atacante do Real Madrid não se limitou a falar apenas do técnico vencedor: falou de alguém que compreendeu como poucos a complexa tarefa de administrar um dos ambientes mais pressionados do futebol mundial, o vestiário no Santiago Bernabéu.
Em entrevista ao site inglês “The Athletic”, o ex-atacante galês abriu o jogo sobre os bastidores de sua convivência com Ancelotti e explicou por que o técnico italiano conseguiu construir uma trajetória tão bem-sucedida no Santiago Bernabéu. As declarações ganham peso extra agora que Ancelotti vive uma nova fase da carreira à frente do Brasil.
O segredo de Ancelotti no Real Madrid, segundo Bale
Para Bale, o principal diferencial do treinador nunca esteve necessariamente na prancheta, abordando conceitos táticos, mas sim na forma como geria o grupo:
“O Carlo era um grande gestor de pessoas. Ele entende a psicologia e as pressões envolvidas. Mas ele cria uma relação com você na qual você sente que ele realmente se importa“, afirmou.
A análise ajuda a explicar um dos fenômenos mais marcantes da carreira de Ancelotti: sua capacidade de conquistar vestiários repletos de estrelas sem recorrer a conflitos constantes ou métodos excessivamente rígidos.
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Ao longo de sua passagem pelo Real Madrid, Bale conviveu diretamente com algumas das maiores personalidades do futebol mundial. Cristiano Ronaldo, Sergio Ramos, Luka Modric, Karim Benzema e tantos outros dividiram espaço em um elenco recheado de líderes e jogadores acostumados ao protagonismo.
Segundo o galês, foi justamente nesse contexto que Ancelotti demonstrou sua principal virtude.
“Às vezes os jogadores não jogam, mas ele sabe como mantê-los motivados e ao seu lado. Em um clube gigante como o Madrid, você não precisa ser um treinador propriamente dito. É preciso gerenciar egos, e é por isso que ele teve tanto sucesso nos maiores clubes do mundo.”
A declaração reforça uma percepção recorrente no futebol europeu: Ancelotti é um especialista em criar ambientes de confiança dentro do elenco. Em vez de transformar a gestão do grupo em uma disputa de poder, o italiano costuma buscar diálogo e adaptação individual para extrair o melhor de cada atleta.
Essa característica foi fundamental em suas passagens por clubes como Milan, Chelsea, Bayern de Munique, Paris Saint-Germain e Real Madrid — onde conquistou todas as ligas nacionais que disputou.
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O desafio se transfere para a seleção brasileira
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Embora Bale não tenha citado diretamente o Brasil, suas palavras ajudam a entender por que a CBF apostou em Ancelotti para liderar não somente o período imediato antes da Copa do Mundo de 2026, mas também próximo ciclo da Seleção — visto que Ancelotti renovou até 2030.
Se no Real Madrid o desafio era administrar um vestiário repleto de estrelas, na seleção brasileira o cenário apresenta semelhanças. Jogadores como Vinicius Júnior, Rodrygo, Raphinha, Bruno Guimarães e outros chegam de contextos diferentes e precisam se encaixar rapidamente em períodos curtos de trabalho.
A habilidade de criar conexões pessoais, destacada por Bale, pode ser um dos maiores trunfos do treinador na tentativa de recolocar o Brasil entre os protagonistas do futebol mundial.
Durante a entrevista, o ex-atacante também falou sobre a dimensão da cobrança existente no clube espanhol, algo que ajuda a contextualizar ainda mais o trabalho realizado por Ancelotti. “Se você perde no Madrid, é como o fim do mundo.”