Espanha

Bipolaridade

A uma semana de mais um Barcelona x Real Madrid, ver que os catalães enfiaram 8 a 0 no Almería fora de casa e os merengues ganharam de 5 a 1 do Athletic Bilbao serve para esquentar o clima. Os times se revestem de aura de esquadrão e o choque entre eles pode ser espetacular. Ótimo para torcedores das duas equipes, nem tanto para o Campeonato Espanhol como um todo. Como já ocorreu na temporada passada, fica evidente que não há, no momento, um terceiro ou quarto time que possa fazer sombra às duas superpotências.

Basta ver quem são os concorrentes às duas últimas vagas espanholas na Liga dos Campeões. O Villarreal lidera essa corrida com 24 pontos. O surpreendente Espanyol vem a seguir com 22. O Valencia está uma unidade atrás. Atlético de Madrid e Sevilla aparecem com 20. Considerando que Real e Barça têm 32 e 31 pontos, dá para ver como esse segundo pelotão já ficou para trás.

Mas a questão não é apenas a pontuação. Os times em si não dão sinais de que podem fazer sombra. Os mais frágil é o Espanyol. Os pericos fazem uma campanha espetacular em casa, com 100% de aproveitamento e apenas dois gols sofridos. Mas fizeram apenas quatro pontos fora de casa e estão com saldo de gols negativo. Para piorar, as sete rodadas finais do primeiro turno são traiçoeiras, com duelos com Atlético de Madrid, Athletic Bilbao, Real Madrid e Valencia fora de casa e Barcelona em casa. Dificilmente os espanyolistas se manterão entre os cinco primeiros ao final da primeira metade do campeonato. A boa colocação, aparentemente, é circunstancial.

Sevilla e Valencia não têm times competitivos como em passado recente. Os sevillistas apresentam futebol inferior à sua posição na tabela e sofrem com a inconstância de seus principais jogadores. Os valencianistas são mais sólidos, mas também pecam pela falta de brilho. Vivem uma temporada de transição, enquanto tentam se recuperar financeiramente para voltar a investir.

Sobram Villarreal e Atlético de Madrid. Apesar de problemas, são, no momento, os candidatos mais fortes a encabeçar esse segundo pelotão. O Submarino Amarillo conta com uma base já formada, uma dupla de ataque das mais interessantes (Nilmar-Giuseppe Rossi) e dois meias eficientes (Borja Valero e Cazorla). Como a defesa não compromete, consegue manter um nível de desempenho bastante uniforme ao longo do campeonato, o que pode fazer a diferença quando seus concorrentes diretos oscilam demais.

O Atlético de Madrid abusa dessas oscilações. É capaz de desempenhos espetaculares de seus craques Diego Forlán e Agüero e de resultados medíocres. Tem a seu favor, porém, a tabela. Nas últimas rodadas do primeiro turno, enfrenta Espanyol, Levante, Deportivo de La Coruña, Málaga, Racing de Santander, Hércules e Mallorca. Apenas o primeiro e o último estão na metade de cima da tabela. E, mesmo assim, o duelo contra o Espanyol é longe de Cornellà-El Prat, cenário em que os pericos costumam ruir. Não seria impensável uma arrancada dos madrilenos nas próximas semanas.

Mas nem a estabilidade villarrealista, tampouco a inspiração colchonera, são capazes de produzir uma sombra a Real Madrid e Barcelona. Não nesta temporada e provavelmente nem na próxima. Levará um tempo até o Sevilla encontrar uma outra geração de garotos de grande talento, o Villarreal juntar dois craques sul-americanos que o resto da Europa deixou de observar, o Valencia reestruturar suas finanças e o Atlético redescobrir como ser grande.

Enquanto isso, Barcelona e Real Madrid fazem competição de quem dá mais demonstração de força antes de se enfrentarem. E transformam um clássico no meio de um campeonato de pontos corridos em quase que um jogo de ida da final. Muito legal para ambos, mas talvez não seja o melhor para o futebol espanhol como um todo.

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Equipe Trivela

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