Barcelona vende mais 15% das suas receitas de TV para melhorar situação financeira
Em mais uma alavanca, Barcelona aumenta de 10% para 25% dos direitos de La Liga para a empresa americana Sixth Street para permitir a operação do clube
O Barcelona segue apostando no presente vendendo o futuro e conseguiu mais uma alavanca financeira, como tem sido chamado esse tipo de operação, com a venda de mais 15% dos seus direitos de TV de La Liga. Com isso, o fundo americano Sixth Street detém agora 25% dos direitos de transmissão do Campeonato Espanhol do Barcelona pelos próximos 25 anos. Assim, terá mais espaço para manobras no mercado financeiro e inscrição de jogadores. Se você ainda não entendeu essa situação maluca do Barcelona, recomendamos este texto: Como, em crise, o Barça contrata tanto, respondemos neste texto Num mercado que virou reality show, a pergunta é: por que não?
O clube anunciou nesta sexta-feira um “investimento adicional” da Sixth Street, que já tinha 10% dos direitos de TV de La Liga do clube comprados em junho e agora aumentou essa porcentagem em 15%, chegando a 25%. Segundo informa o Barcelona, a venda gera um ganho de capital de € 267 milhões, ainda que a Sixth Street invista inicialmente € 207,5 milhões.
É uma aposta no futuro. A empresa americana de investimentos ficará com 25% de contratos futuros dos direitos de TV do clube relativos ao Campeonato Espanhol. Para o clube, a vantagem é ter esse dinheiro na mão, de forma a cobrir dívidas e poder abrir espaço dentro do seu orçamento para os salários e, assim, ter autorização de La Liga para inscrever os reforços que já foram contratados. Para a Sixth Street, a aposta é que os valores de direitos de transmissão aumentarão ao longo dos anos, o que tornará o valor pago agora em 2022 apenas uma parcela do que gerará.
Para o Barcelona, é vender a janta para comprar o almoço (sim, você leu certo) e também há, no fundo, uma esperança que dentro desses próximos 25 anos a ideia gestada da Superliga Europeia deixe de ter tanta oposição e saia do papel para se tornar uma realidade – como, aliás, o Barcelona e outros 11 clubes tentaram em abril de 2021, apenas para ruir em 48 horas.
De 12 clubes que aderiram à Superliga, apenas três seguem agarrados nela como um pedaço de madeira flutuando no oceano: Real Madrid, Barcelona e Juventus. Então é de se esperar mesmo que o Barcelona aposte que, a longo prazo, será uma realidade. E, assim, os direitos de transmissão de La Liga seriam irrelevantes, ou quase isso. Eles podem até ter razão, mas é uma aposta de alto risco.
Voltando ao presente, o Barcelona já gastou € 103 milhões em contratações: € 58 milhões em Raphinha, € 45 milhões por Robert Lewandowski. Contrataram também Franck Kessié e Andreas Christensen sem custos de transferência. Esses valores, claro, não serão pagos inteiramente à vista, mas ainda assim, são valores relevantes. O clube recebeu € 20 milhões pela venda de Philippe Coutinho para o Aston Villa, além de € 3 milhões pelo empréstimo de Francisco Trintão ao Sporting – que deve se tornar uma venda ao final da temporada.
Há outros problemas que o Barcelona ainda precisa resolver. Frankie De Jong tem sido especulado ao Manchester United, que já fez proposta formal por ele. O problema é que, além das dúvidas que o neerlandês tem em relação à transferência em si, o Barcelona ainda deve € 17 milhões em salários atrasados a ele.
“Continuamos avançando na nossa estratégia e estamos satisfeitos em termos completado este acordo com a Sixth Street, nos dando um aumento significativo de capital”, afirmou o presidente do Barcelona, Joan Laporta.
Curiosamente, a Sixth Street também tem um acordo com o Real Madrid, mas de outra natureza: a empresa fechou contrato de € 360 milhões para desenvolver novos negócios no Estádio Santiago Bernabéu.



