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Barcelona enfia 6×0, mas anda mais fácil golear do que converter pênalti no Espanhol

Uma das discussões mais recorrentes sobre o futebol europeu gira em torno do real nível do Campeonato Espanhol. Muitos reclamam (com sua parcela de razão) da liga de “dois times”, muito embora o Atlético de Madrid tenha entrado no páreo nos últimos anos. Quem discorda rebate com os ótimos números que os espanhóis costumam sustentar nas competições europeias, sobretudo nos mata-matas – com 29 classificações e apenas duas eliminações contra adversários de outros países desde 2013/14. No entanto, um fato é inegável: se a supremacia dos gigantes, em geral, já é enorme, ela se torna ainda mais gritante contra os rivais da parte inferior da tabela. O que se evidenciou neste sábado, com os 6 a 0 do Barcelona sobre o Getafe no Camp Nou.

Se alguns pequenos costumam atuar de maneira totalmente abdicada para segurar o Barça, o Getafe apostou em uma estratégia que não deu certo: o jogo duro. As entradas fortes chamaram atenção nos primeiros minutos – até pela maneira como Neymar escapou de uma sequência de chegadas, refutando cada vez mais a antiga fama de “cai-cai”. Contudo, em oito minutos, um gol contra de Juan Rodríguez deixou os blaugranas em vantagem. E, a partir de então, os comandados de Luis Enrique pareciam trabalhar em linha de produção. Aos 19, aos 32, aos 40, aos 51 e aos 58, os anfitriões balançaram as redes. Contra um time que não vence há dez partidas, o Barça foi impetuoso. Só tirou o pé quando os substitutos entraram.

Lionel Messi, mais uma vez, terminou a noite como destaque. Pela terceira vez no clube, o camisa 10 serviu uma “tripleta de assistências”: dois passes para Neymar anotar e outro para Munir. Chegou a 200 assistências na carreira. Além disso, deixou o seu próprio tento, em bonita jogada individual que complementou uma envolvente troca de passes. Só que também chamou atenção pelo pênalti desperdiçado. O argentino chutou fraco, para boa defesa de Vicente Guaita.

Se gera pênaltis aos montes (tanto pela intensidade ofensiva quanto pela complacência da arbitragem), o Barcelona está distante de aproveitar: desperdiçou 8 das 15 cobranças que teve no Espanhol 2015/16. Péssimo aproveitamento de 46,6%, que se aproxima até mesmo dos 41,2% de chutes no alvo que se transformam em gols. Entre as cinco grandes ligas europeias, apenas seis clubes possuem um aproveitamento inferior. E, considerando apenas aqueles com mais de três pênaltis recebidos, só Manchester City e Rennes conseguem ser piores na marca da cal.

No entanto, as penalidades não fazem falta, quando Messi teve mais facilidade para marcar de fora da área e Arda Turan fez até de meia-bicicleta para fechar a conta. Com os 6 a 0 deste sábado, o Barça chegou à 37ª partida consecutiva de invencibilidade. E também ao 16º jogo na temporada anotando ao menos quatro gols. Na atual sequência sem perder, o time registrou 14 dessas goleadas. Além disso, 12 das 24 vitórias pelo Campeonato Espanhol tiveram ao menos três gols de diferença (incluindo Real Madrid, Villarreal e Athletic Bilbao entre as vítimas notáveis), contra nove do Real em 18 triunfos pela Liga. Um percentual no qual o Barcelona tem aproveitamento superior até mesmo ao das cobranças de pênalti. Placares elásticos que podem produzir atuações espetaculares. Mas também partidas previsíveis e extremamente burocráticas, apesar dos muitos gols. Um pouco do que aconteceu neste sábado, no Camp Nou.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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