Espanha

As manobras de Deco para encaixar o Barcelona no fair play financeiro de LaLiga

Com diretor à frente das negociações, clube soma milhões em vendas, economiza salários e prepara novas movimentações para inscrever jogadores

O Barcelona voltou a enfrentar dificuldades para registrar jogadores nesta janela de transferências. A situação tem se repetido nos últimos anos: a regra 1:1, que limita os gastos com salários e contratações, obriga o clube a buscar alternativas criativas para equilibrar as contas.

Mais uma vez, foi preciso cortar gastos e gerar receita, e o diretor esportivo Deco acabou se destacando na condução desse processo. “É um desafio a cada semana. Existem prioridades na hierarquia do clube e dos treinadores e tentamos resolver tudo”, afirmou o ex-jogador no último sábado (16), ressaltando o esforço para atender tanto às demandas financeiras quanto às esportivas.

As estratégias de Deco no Barcelona

Entre as operações de maior impacto estiveram as saídas de Pau Víctor e Pablo Torre. O atacante foi vendido ao Braga por 12 milhões de euros, enquanto Torre se transferiu ao Mallorca, em negócio de 5 milhões de euros. Ambos ajudaram a reforçar o caixa sem comprometer peças-chave do elenco.

Iñigo Martínez pelo Barcelona
Iñigo Martínez pelo Barcelona (Foto: Imago)

Outro nome negociado foi Álex Valle, que já atuava emprestado ao Como. O clube italiano exerceu a cláusula de compra fixada em 6 milhões de euros, oficializando a transferência do defensor.

O Barcelona também conseguiu somar valores com jogadores formados na base. Sergi Domínguez (1,2 milhões), Noah Darvich (1 milhão) e Álex Collado (500 mil) renderam juntos 2,7 milhões de euros. Embora menores, essas transações ajudaram a compor a estratégia de arrecadação.

Além das vendas, Deco trabalhou para enxugar a folha salarial. A rescisão de Clément Lenglet, que se juntou ao Atlético de Madrid, gerou economia considerável. O mesmo aconteceu com Ansu Fati, emprestado ao Monaco após renovar contrato com salário reduzido.

Outro ponto importante foi a saída de Iñigo Martínez para o Al Nassr, liberando cerca de 8 milhões de euros brutos por temporada. Somadas às demais operações, a diretoria calcula uma economia próxima a 25 milhões de euros.

O Barça também lucrou com cláusulas de revenda. A transferência de Jean-Clair Todibo ao West Ham garantiu 7,8 milhões de euros aos cofres catalães. Outras operações envolvendo Reits, Jutglá e Moriba renderam mais 2,7 milhões, enquanto a venda da participação nos direitos de Trincão acrescentou 11 milhões de euros ao balanço.

Próximos passos no mercado

Apesar dos avanços, o clube ainda precisa abrir espaço para registrar Wojciech Szczesny e o jovem Gerard Martín. Para isso, a diretoria estuda rescindir o contrato de Oriol Romeu e renovar com Iñaki Peña antes de emprestá-lo. A expectativa é que, com essas medidas, os novos reforços possam ser inscritos sem maiores obstáculos.

Com criatividade e uma série de movimentações no mercado, o Barcelona soma recursos importantes para enfrentar mais uma temporada sob forte pressão financeira, tentando equilibrar as contas sem comprometer a competitividade do elenco — e Deco tem sido crucial nesse processo.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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