Espanha

Barcelona x Atlético de Madrid: Como Culés podem evitar que rival imploda a temporada

Clássico espanhol teve episódio histórico para os Colchoneros com vitória de 4 a 0 que pode ser lição a rival catalão

Neste sábado (4), inicia a sequência de clássicos entre Atlético de Madrid e Barcelona em jogo pela 30ª rodada de LaLiga. Depois, nos dias 8 e 14 de abril, ocorrem a ida e a volta das quartas de final da Champions League entre eles.

O lado catalão é o claro favorito, afinal, é o atual campeão espanhol e lidera o campeonato atual com quatro pontos de vantagem sobre o Real Madrid. O bom futebol com Hansi Flick os coloca também como um dos principais candidatos ao título europeu.

A questão é que enfrentar o Atleti é um enorme problema para o Barça, apesar da distância de 16 pontos entre os times na tabela de LaLiga. O time de Diego Simeone está marcado nessa temporada pela competitividade máxima nas copas.

Não é à toa que atropelou, justamente, o rival da Catalunha na semifinal da Copa do Rei: 4 a 0 na ida no Metropolitano. Essa derrota, inclusive, traz muitas lições ao Barcelona para os três confrontos que se avizinham.

Barcelona sofreu com velocidade do Atlético de Madrid em goleada histórica

Dos quatro gols do Atlético de Madrid na goleada histórica sobre o Barça em 12 de fevereiro, todos marcados no primeiro tempo, três vieram a partir de jogadas em velocidade pelo lado do campo nas costas dos laterais.

O primeiro tento começou do lado de Jules Koundé, os outros dois em cima de Alejandro Baldé — ambos estão voltando de lesão e os titulares podem ser Eric García na direita, zagueiro de origem, e João Cancelo na esquerda, jogador também marcado pelo jogo defensivo como ponto fraco.

O maior problema culé nem foi o individual dos defensores pelos lados, mas, sim, a pouca pressão na bola em cima de quem dava o primeiro passe para conectar o ataque. Com uma linha defensiva tão alta, é obrigatório que todo mundo suba para pressionar e evitar lançamentos e bolas em profundidade.

Nem a linha de impedimento da defesa culé, muitas vezes salvadora, poderia salvar em alguns lances porque a bola partia até do campo de defesa.

O jogo do Atleti era muito vertical, sempre com ultrapassagens e jogadores dando apenas um toque na bola. Os gols de Antonio Griezmann, Ademola Lookman e Julián Álvarez tiveram roteiros muito parecidos e alguns passes dentro da área.

A escolha de Lookman na ponta esquerda, em vez de um meia, como Alex Baena ou Thiago Almada, que Simeone vinha fazendo até então, também foi uma sacada acertada que virou a realidade da temporada. Do outro lado, Giuliano Simeone permaneceu importante por sua velocidade para atacar e defender.

Lançamento na ponta esquerda inicia jogada do segundo gol do Atlético de Madrid em goleada sobre o Barcelona
Lançamento na ponta esquerda inicia jogada do segundo gol do Atlético de Madrid em goleada sobre o Barcelona (Foto: Reprodução/ESPN)
Lançamento na ponta direita inicia jogada do terceiro gol do Atlético de Madrid em goleada sobre o Barcelona
Lançamento na ponta direita inicia jogada do terceiro gol do Atlético de Madrid em goleada sobre o Barcelona (Foto: Reprodução/ESPN)
Passe em profundidade na ponta direita inicia jogada do quarto gol do Atlético de Madrid em goleada sobre o Barcelona
Passe em profundidade na ponta direita inicia jogada do quarto gol do Atlético de Madrid em goleada sobre o Barcelona (Foto: Reprodução/ESPN)

Em dois dos lances decisivos, chamou atenção a falta que Raphinha faz no time. Dani Olmo, o substituto do brasileiro, improvisado na ponta esquerda, fez pressões pouco dedicadas e deu o espaço para os passes que iniciaram os gols. Novamente, o capitão e camisa 11 será desfalque, pois sofreu uma lesão na coxa com a seleção brasileira.

Cabe a Flick escalar um substituto que mantenha a intensidade de seu titular. Marcus Rashford, o próprio Olmo e Gavi, recuperado de lesão, são algumas das opções, mas, pensando em entrega sem a bola, o último citado é, de longe, o mais intenso.

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Movimentos de Simeone, Lookman e Griezmann sem bola também pesaram

Além dos méritos com a bola, o Atleti fez uma partida impecável em um bloco baixo de marcação quando o Barcelona tinha a posse avançada no campo de ataque. No momento defensivo, Simeone, ponta pela direita, descia para fechar uma linha de cinco e afundava Nahuel Molina para a zaga.

Lookman ficava junto de Koke e Marcos Llorente no meio-campo, tendo, a depender do contexto, até Griezmann formando um 5-4-1 só com Álvarez lá na frente. Com isso, o “quadrado” no meio-campo do Barcelona com Dani Olmo, Marc Casadó, Frenkie De Jong e Fermín López ficava sufocado.

As jogadas individuais de Lamine Yamal na ponta direita e o apoio constante de colegas de time para evitar que o jovem espanhol enfrente mais de um marcador podem quebrar essa realidade. A partida de volta da semifinal da Copa do Rei, 3 a 0 para o Barcelona, também deu um caminho, com o mandante no Camp Nou tendo a bola parada como arma em dois gols.

Uma questão é que o contexto do jogo eliminatório, com vantagem de três gols do rival, era bem diferente do que será neste sábado. Novamente, o Atlético estará no Metropolitano e deve fazer muita pouca questão de dominar a posse contra o líder de LaLiga.

A estratégia de velocidade e verticalidade do 4 a 0 pode se repetir para ferir os catalães, que podem chegar pressionados se o Real Madrid vencer o Mallorca, fora de casa, mais cedo no mesmo dia.

Giuliano Simeone comemora gol do Atlético de Madrid
Giuliano Simeone comemora gol do Atlético de Madrid (Foto: IMAGO / AFLOSPORT)

Contexto na Champions League, no entanto, pode ser diferente

O time de Simeone, em um jogo grande, poucas vezes se vê “obrigado” a atacar o tempo todo e ter o controle do jogo. A questão na Champions League, porém, é que a equipe visita o rival no Camp Nou, na próxima quarta-feira (8), ao contrário do que foi na Copa do Rei, quando aproveitou estar em casa para construir uma vantagem e segurá-la na volta.

Se a ida terminar com vantagem culé ou para nenhum dos lados, os Colchoneros podem precisar ter uma postura mais agressiva e de marcação alta para buscar um gol. As respostas só virão nos próximos 10 dias, com uma maratona insana de clássicos entre Barcelona e Atlético de Madrid.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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