Balanço de La Liga
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A briga na parte de baixo da tabela do Espanhol foi surpreendentemente quente. Na reta final, parecia o Campeonato Italiano: todo mundo começou a ganhar e qualquer tropeço poderia determinar o rebaixamento.
Essa dinâmica quase vitimou times que faziam boa campanha e deram uma cochilada, como Mallorca e Getafe, e acabou acertando o Deportivo de La Coruña, que cai 11 anos após conquistar ser campeão nacional e sete depois de ser semifinalista da Liga dos Campeões. Confira aqui a primeira parte do balanço e abaixo as demais equipes.
Málaga
Classificação: 11º (46 pts)
Copa do Rei: Oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Julio Baptista (atacante)
Revelação: José Salomón Rondón (atacante)
Decepção: Maresca (meia)
Nota da temporada: 6
Em mais da metade das rodadas, o Málaga esteve na zona de rebaixamento. Aliás, o time andaluz era penúltimo na 31ª rodada. Ainda assim, terminou em 11º, a apenas três pontos do Espanyol, que na mesma 31ª rodada brigava por um lugar na Liga Europa. Isso já mostra a impressionante reação dos malaguenhos. Uma reação liderada por Julio Baptista, que saiu do banco de reservas da Roma para marcar 9 gols em 11 partidas em seu retorno à Espanha. Claro, tal recuperação (série de seis vitórias em oito jogos) foi bancada pelo xeique catariano que comprou o clube e fez as contratações necessárias para escapar da segundona. Agora, a segunda parte do plano entrará em ação, que é levar a La Rosaleda jogadores de mais peso para transformar o Málaga em uma força nacional.
Racing de Santander
Classificação: 12º (46 pts)
Copa do Rei: 1/16 de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Torrejón (zagueiro)
Revelação: Giovanni dos Santos (atacante)
Decepção: Ariel (atacante)
Nota da temporada: 5,5
Campanha discreta, em que o Racing apenas controlou os danos. No segundo turno, não esteve na zona de rebaixamento, ainda que jamais estivesse completamente livre do perigo. Como um todo, a equipe não comprometeu, com o eterno Munitis e Giovanni dos Santos (finalmente fazendo boa temporada) compensando os decepcionantes Ariel (ex-Coritiba) e Papa Bouba Diop. Pensando no futuro, o clube precisa resolver a disputa entre o milionário indiano Ahsan Ali Syed e os antigos donos, que tentam recuperar o controle racinguista. Outro problema é a idade média do elenco, muito alta.
Zaragoza
Classificação: 13º (45 pts)
Copa do Rei: 1/16 de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Lafita (meia)
Revelação: Herrera (meia)
Decepção: Edmilson (volante)
Nota da temporada: 4,5
Para um time com nível de investimento razoável, alguns jogadores com passagens por grandes e a expectativa de ter usado a passagem pela Segundona como tábua para um novo impulso, o Zaragoza vem decepcionando. A diretoria ainda não encontrou um modelo de trabalho, e a torcida sofre vendo um elenco montado sem lógica e sempre parecendo ser melhor do que realmente é. Uma arrancada no final, com cinco vitórias nas últimas oito rodadas, evitaram um vexame maior.
Levante
Classificação: 14º (45 pts)
Copa do Rei: Oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Caicedo (atacante)
Revelação: Caicedo (atacante)
Decepção: Del Horno (lateral)
Nota da temporada: 6
O segundo turno do Levante foi notável. Se tivesse no primeiro o mesmo desempenho, estaria comemorando a classificação para a Liga Europa, à frente de Atlético de Madrid, Athletic Bilbao e Sevilla. Isso porque o clube relaxou nas rodadas finais, quando o rebaixamento já estava distante, e ficou seis jogos sem vitória. De qualquer modo, os valencianos podem fazer um bom dinheiro vendendo o jovem atacante equatoriano Caicedo (estava na Espanha por empréstimo, mas o clube pode compra-lo do Manchester City pelo valor pré-definido e vendê-lo com lucro) e contratar nomes para uma boa campanha em 2011/12. Mas, para ser realista, os levantistas chegarão à próxima temporada tentando escapar novamente do rebaixamento.
Real Sociedad
Classificação: 15º (45 pts)
Copa do Rei: 1/16 de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Xabi Prieto (meia)
Revelação: Griezmann (atacante)
Decepção: Llorente (atacante)
Nota da temporada: 5
A Real Sociedad não esteve na zona de rebaixamento em nenhuma rodada, e, ainda assim, terminou apenas dois pontos à frente da degola. Sintoma de uma equipe inconsistente, que teve bons momentos, mas jamais engrenou. No segundo turno, só teve uma seqüência de duas ou mais vitórias (bateu Osasuna e Mallorca em fevereiro), mas chegou a perder cinco seguidas. Os pontos positivos estiveram reservados para os jogos em casa, onde venceu 11 jogos (até o Barcelona foi vítima dos donostiarras no Anoeta). No entanto, como visitante os bascos foram uma tragédia: três vitórias, um empate e 14 derrotas. É um clube com força para crescer mais, mas precisa recuperar a intimidade com a primeira divisão, depois de ter passado duas temporadas na Segundona e quase falir.
Getafe
Classificação: 16º (44 pts)
Copa do Rei: Oitavas de final
Copas europeias: Liga Europa (fase de grupos)
Destaque: Manu del Moral (meia)
Revelação: Parejo (volante)
Decepção: Ustari (goleiro)
Nota da temporada: 4,5
É estranho ver o Getafe lutando para não ser rebaixado. Desde que chegou à primeira divisão, o clube madrileno se notabiliza por fazer campanhas seguras, evitando crises e oscilações de humor que lhe tirem do pelotão intermediário. Nesta temporada, a campanha seguia o roteiro de sempre até a virada do ano. De janeiro a abril, os Azulones venceram apenas uma de 15 partidas e o alerta soou. Mesmo aos tropeções, o time conseguiu os pontos necessários para escapar do rebaixamento, mas a direção precisa se preparar melhor para evitar esse tipo de mergulho na tabela.
Mallorca
Classificação: 17º (44 pts)
Copa do Rei: Oitavas de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Webó (atacante)
Revelação: Cendrós (lateral)
Decepção: Cavenaghi (atacante)
Nota da temporada: 4
No primeiro turno, o Mallorca parecia seguir o caminho traçado na temporada passada, quando terminou na zona de classificação para a Liga Europa e não disputou o torneio continental apenas por problemas financeiros. Os baleares conseguiram segurar um empate com o Barcelona no Camp Nou e com o Real Madrid no Ono Estadi, além de vencer Valencia e Sevilla como visitante. A equipe brigava pelas Liga Europa mais uma vez, até que o encanto acabou. Com apenas seis pontos nas últimas nove rodadas, esteve muito próximo de um rebaixamento que seria surreal pelo que o clube construiu na primeira metade do campeonato, mas que serve de alerta: de fato, é um elenco discreto que precisa ser repensado para o futuro.
Deportivo de La Coruña
Classificação: 18º (43 pts, rebaixado)
Copa do Rei: Quadrifinalista
Copas europeias: não disputou
Destaque: Aranzubia (goleiro)
Revelação: Adrián (atacante)
Decepção: Guardado (meia)
Nota da temporada: 3,5
É estranho para uma pessoa com menos de 30 anos ver o Deportivo na segunda divisão. No entanto, quem acompanha o Campeonato Espanhol de perto já imaginava que isso poderia ocorrer a qualquer momento. As limitações financeiras do clube são notórias, o que sucateou o elenco nos últimos anos. Nesse tempo, a equipe de Miguel Ángel Lotina usou sua força defensiva para se salvar, mas essa estratégia se transformou em vício. Nesta temporada, os galegos tiveram a sétima melhor defesa, o que não é suficiente se o seu ataque é o pior do campeonato.
Hércules
Classificação: 19º (35 pts, rebaixado)
Copa do Rei: 1/16 de final
Copas europeias: não disputou
Destaque: Calatayud (goleiro)
Revelação: nenhuma
Decepção: Drenthe (meia)
Nota da temporada: 2
A grande decepção da temporada. O Málaga contratou jogadores com mais nome que o normal para um clube de seu porte, mas conseguiu transformar isso em vitórias e escapou do rebaixamento. O Hércules montou uma equipe para brigar pela parte de cima da tabela, com Trézéguet, Haedo Valdez, Portillo e Drenthe. No entanto, conseguiu a façanha de ficar 11 jogos como visitante (um empate e dez derrotas) sem marcar gols. Desse jeito, apenas um desempenho impecável em casa salvaria, mas boas atuações como nos 4 a 1 sobre Málaga e Atlético de Madrid foram raros. Das últimas oito partidas em Alicante, o Hércules venceu apenas uma, contra o também rebaixado Deportivo. O difícil é acreditar que, na segunda rodada, esse time fez 2 a 0 no Barcelona no Camp Nou, a única derrota dos campeões europeus em seus domínios durante toda a temporada.
Almería
Classificação: 20º (30 pts, rebaixado)
Copa do Rei: Semifinalista
Copas europeias: não disputou
Destaque: Diego (goleiro)
Revelação: Piatti (atacante)
Decepção: Acasiete (zagueiro)
Nota da temporada: 3
Desde a saída de Unai Emery, há duas temporadas, o Almería não trazia nada de novo ao Campeonato Espanhol. Era um clube que ainda vivia o trabalho deixado pelo ex-técnico, sem encontrar um novo rumo para sobreviver na elite. Pela sua força natural, o Almería não teria vida longa na primeira divisão, e a campanha desta temporada mostrou isso de modo até exagerado. Os andaluzes estiveram na zona de rebaixamento por quase todo o campeonato e colecionaram resultados patéticos, como 8 a 0 em casa com o Barcelona e 8 a 1 fora contra o Real Madrid. Uma seqüência de sete derrotas entre março e maio, justamente quando era preciso uma arrancada para escapar do rebaixamento, selou a sorte de uma equipe que parecia já ter desistido do campeonato. Estranho imaginar que esse mesmo time chegou às semifinais da Copa do Rei eliminando quatro equipes da primeira divisão pelo caminho.