Espanha

Balanço da temporada – parte 1

Sejamos honestos: o Campeonato Espanhol 2007/8 foi o pior em muitos anos. Os grandes não convenceram e viveram em crise, os médios chegaram com fortes promessas, mas não conseguiram suportar a pressão que criaram em torno de si, e os pequenos… continuaram pequenos. Muitas partidas foram sonolentas, mesmo as que envolviam as equipes mais fortes.

De qualquer modo, acabou. Talvez seja até bom chegar à conclusão de que muitos erros foram cometidos para que, na próxima temporada, eles não se repitam e La Liga volte a ser um campeonato empolgante. Assim, veja a primeira parte do balanço da temporada 2007/8.

Real Madrid

Foi campeão por exclusão. Em uma temporada em que nenhuma equipe realmente convenceu, os madridistas se impuseram com um jogo que variava entre o bonito e o suficiente. De qualquer modo, o técnico Bernd Schuster soube administrar o rodízio de jogadores, sempre mantendo em campo quem estivesse em boa fase e evitando guerra de vaidades. Além disso, é inegável que a equipe teve espírito competitivo nos confrontos diretos, mantendo uma concentração que seus principais concorrentes não tiveram. Só faltou melhores resultados na Liga dos Campeões. Apesar dos investimentos em holandeses como Sneijder e Robben, os destaques principais foram a velha guarda espanhola: Casillas, Raúl e Guti.

Campanha: campeão e vaga na Liga dos Campeões
Astro: Casillas
Revelação: Drenthe
Decepção: Saviola
Melhor momento: vitórias nos seis jogos contra Villarreal, Barcelona e Atlético de Madrid
Pior momento: derrotas seguidas para Betis e Getafe, essa última em casa
Nota da temporada: 7,5

Villarreal

Oficialmente, Riquelme foi jogador do Villarreal na primeira metade da temporada. Não fez nada, nem falta. Manuel Pellegrini remontou a equipe e contou com o olho apurado do Submarino Amarillo para identificar jogadores acessíveis que são úteis ao time. Assim, tinham um meio-campo forte na armação, com Cazorla e Pires. O goleiro Diego López, eterno reserva de Casillas, estava dando sopa no Real Madrid e chegou para dar tranqüilidade ao gol castellonense. Marcos Senna e Nihat também merecem menção honrosa. Considerando as limitações técnicas e orçamentárias do clube, o Villarreal foi o clube com melhor desempenho do campeonato. Proporcionalmente, melhor até que o Real Madrid.

Campanha: vice-campeão e vaga na Liga dos Campeões
Astro: Pires
Revelação: Diego López
Decepção: Riquelme
Melhor momento: série de nove partidas sem derrota entre a 22ª e a 30ª rodada
Pior momento: derrota por 5 a 0 para o Real Madrid em casa
Nota da temporada: 8,5

Barcelona

Ver o Barcelona jogar nesta temporada foi uma tortura. Uma equipe sem alma, sem motivação para jogar, parecia um grupo de homens fazendo o trabalho mais burocrático e modorrento possível. O time se desmontou pelas brigas internas e pelas disputas internas da diretoria. Messi foi a única estrela com futebol convincente, mas esteve boa parte da temporada contundido. Henry não encontrou espaço no sistema de jogo do time, Eto’o não soube ser o craque que faz a diferença (como era Ronaldinho) e Ronaldinho e Deco parecem ter feito questão de mostrar que estavam de saída de Les Corts. A situação só não foi pior (ou seja, perda de vaga na LC) porque Xavi, Iniesta e o jovem Bojan tiveram motivação suficiente para ignorar as desavenças entre as estrelas do time.

Campanha: terceiro colocado e vaga na fase preliminar da Liga dos Campeões
Astro: Messi
Revelação: Bojan
Decepção: Ronaldinho
Melhor momento: vitória por 3 a 0 sobre o Atlético de Madrid
Pior momento: “Pasillo” seguido por derrota por 4 a 1 para o Real Madrid
Nota da temporada: 4,5

Atlético de Madrid

Depois de muitos milhões de euros investidos e muita promessa para a torcida, finalmente o Atlético de Madrid conseguiu voltar à Liga dos Campeões. Só isso já garante uma nota razoável na temporada do clube. No entanto, há muitas dúvidas a respeito do que fará o time de Manzanares. Os colchoneros continuam sem convencer, perdem pontos tolos, se deixam enervar pela pressão da torcida e se apequenam nos momentos de decisão. No geral, o clube mostrou os erros de sempre e tiveram sorte que Agüero e Forlán se entenderam bem no ataque e os concorrentes diretos conseguiram ser piores.

Campanha: quarto colocado e vaga na fase preliminar da Liga dos Campeões
Astro: Agüero
Revelação: Camacho
Decepção: Reyes
Melhor momento: vitória por 4 a 2 sobre o Barcelona
Pior momento: quatro derrotas em seis jogos entre as 20ª e 25ª rodadas
Nota da temporada: 6,5

Sevilla

A campanha na Liga dos Campeões foi decente e atenuou um pouco a sensação de fracasso da temporada sevillista. O time se perdeu no começo da temporada, marcada pela morte do lateral-esquerdo Puerta e a ida do técnico Juande Ramos para o Tottenham. A equipe perdeu o jogo fluido e confiante das duas últimas temporadas, algo que só foi recuperado no segundo turno. Aí, o Sevilla teve bons momentos, mas não foi suficiente para recuperar-se do tempo perdido.

Campanha: quinto colocado e vaga na Copa da Uefa
Astro: Luís Fabiano
Revelação: Capel
Decepção: Boulahrouz
Melhor momento: vitória por 2 a 0 sobre o Real Madrid
Pior momento: morte de Antonio Puerta após sofrer ataque cardíaco na estréia no campeonato
Nota da temporada: 6

Racing de Santander

A grata revelação da temporada. Sem investimentos pesados, os racinguistas montaram uma defesa sólida e um ataque rápido e perigoso. Com essa estratégia, o time manteve uma campanha discreta, mas teve incrível constância e chegou a estar em boas condições na luta por uma vaga na Liga dos Campeões. Faltou elenco e tradição na disputa contra Atlético de Madrid e Sevilla, mas deu para levar uma inédita classificação à Copa da Uefa.

Campanha: sexto colocado e vaga na Copa da Uefa
Astro: Garay
Revelação: Iván Bolado
Decepção: Smolarek
Melhor momento: vitória por 3 a 0 sobre o Espanyol em Barcelona
Pior momento: derrota por 3 a 0 em casa para o Sevilla na antepenúltima rodada
Nota da temporada: 8

Mallorca

Como o Racing, primou pela constância. Sem grandes contratações, o Mallorca teve um time muito regular e homogêneo desde as primeiras rodadas. A equipe balear só teve problemas no meio do campeonato, em que perdeu muitos pontos e ficou sem contato com a disputa por vagas européias. No final, Güiza desandou a marcar gols e o time recuperou terreno. Quase conseguiu a vaga na Copa da Uefa. Faltou um ponto.

Campanha: sétimo colocado
Astro: Güiza
Revelação: Moyá
Decepção: Lux
Melhor momento: seis vitórias nas últimas seis partidas
Pior momento: série de cinco empates seguidos entre as 22ª e 26ª rodadas
Nota da temporada: 7,5

Almería

O time mais curioso deste campeonato. Vindo da segunda divisão, não contratou muitos jogadores e era candidato ao rebaixamento. No entanto, tinha um sistema de jogo muito sólido e uma equipe muito bem treinada por Unai Emery. A partir da metade do campeonato, o goleiro Diego deu segurança à defesa, tornando o conjunto ainda mais homogêneo. Essas características renderam ao time andaluz vários resultados inusitados e uma inesperada tranqüilidade desde as primeiras rodadas.

Campanha: oitavo colocado
Astro: Felipe Melo
Revelação: Diego
Decepção: Vidangossy
Melhor momento: vitória por 2 a 0 sobre Real Madrid
Pior momento: derrota por 6 a 3 para o Atlético de Madrid
Nota da temporada: 7

Deportivo de La Coruña

O primeiro turno foi esquecível. A campanha era proporcional à expectativa que se tinha a respeito de um time sem investimentos, pobre de talento e cuja meta era escapar do rebaixamento. A partir do returno, Miguel Ángel Lotina acertou a defesa – destaques para Aouate, Coloccini, Pablo Amo e Lopo – e o time cresceu incrivelmente. A série de bons resultados se estendeu até as últimas rodadas, nas quais o Deportivo tinha até possibilidades de se classificar para a Copa da Uefa. Se houvesse um pouco mais de talento e o primeiro turno não fosse tão trágico, a vaga teria vindo.

Campanha: nono colocado e vaga na Copa Intertoto
Astro: Guardado
Revelação: Lafita
Decepção: Munúa
Melhor momento: série de 14 partidas com apenas duas derrotas no returno
Pior momento: seis partidas sem vitória entre 10ª e 15ª rodadas
Nota da temporada: 6,5

Valencia

Sem exageros, o Valencia começou o campeonato com um elenco forte o suficiente para lutar pelo título. E o início de campanha até confirmou isso, com bons resultados mesmo com um futebol que não convencia. O problema é que a diretoria não deu tempo para Quique Sánchez Flores acertar o time, contratou Ronald Koeman à revelia do elenco e o clube ficou quase toda a temporada tentando administrar a guerra entre diretoria/técnico x elenco. A instabilidade se refletiu em campo, com atuações patéticas e várias goleadas, algumas em Mestalla. O título da Copa do Rei foi uma anomalia dentro de uma temporada terrível, que só não terminou em rebaixamento pelos pontos conquistados nas primeiras rodadas.

Campanha: décimo colocado e vaga na Copa da Uefa (pela Copa do Rei)
Astro: Villa
Revelação: Mata
Decepção: Ronald Koeman
Melhor momento: cinco vitórias seguidas entre as segunda e sexta rodadas
Pior momento: derrota em casa por 5 a 1 para o Real Madrid
Nota da temporada: 4

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