Atlético de Madrid aposta em jovens talentos sul-americanos e traça um futuro promissor
Desde a chegada de Diego Simeone ao comando, no meio da temporada 2011/12, o Atlético de Madrid costuma ser comparado a um “time de Libertadores”. Possui um espírito de luta imenso e sabe amarrar qualquer jogo a seu gosto, além de apresentar um estilo bem mais vertical. E os centroavantes do continente, sobretudo, foram fundamentais para os melhores momentos do colchonero, com Falcao García e Diego Costa fazendo temporadas muito acima da média. No entanto, a mentalidade sul-americana se enraíza de outras formas no Vicente Calderón. Especialmente pensando no futuro.
Nesta semana, o Atlético anunciou a contratação de dois reforços. Matías Kranevitter chega a Madri por € 8 milhões, após ser um dos destaques do River Plate na Libertadores. O volante de 22 anos possui muito poder de combate e é um leão na marcação, mas também sabe sair para o jogo com qualidade técnica. Jogador com um enorme futuro pela frente e já experiência em bom nível, que os rojiblancos parecem acertar demais com a transferência.
Além dele, outra confirmação nos últimos dias foi de Rafael Santos Borré, do Deportivo Cali. O atacante de 19 anos é uma das sensações do futebol colombiano. Combinando mobilidade e faro de gol, já marcou 11 gols em 17 jogos no campeonato nacional de 2015. Desempenho tão bom que fez José Pekerman convocá-lo à seleção principal nos últimos meses. Porém, o prodígio não chega de imediato ao Vicente Calderón, com os colchoneros pagando € 5,5 milhões e cedendo aos alviverdes até a Libertadores de 2016.
O Atlético de Madrid, inclusive, repete sua postura no início da última temporada. Naquela ocasião, também apostou em dois jovens talentos latino-americanos. Que, todavia, não puderam dar resposta imediata dentro de campo. Raúl Jiménez vinha muito bem no América e na seleção mexicana, parecia uma aposta interessante, mas foi mal quando teve chances e acabou vendido ao Benfica. Já o argentino Ángel Correa, sensação da Libertadores com o San Lorenzo, teve um problema no coração e passou últimos meses de 2014 em recuperação. Voltou arrebentando na seleção argentina sub-20, embora a oportunidade no time de Diego Simeone só venha neste momento.
Os negócios recentes só reforçam a noção da confiança que o Atlético de Madrid deposita sobre os jovens talentos da América Latina. Outros dois exemplos que engrossam a lista são os de José Maria Giménez e Luciano Vietto. O uruguaio chegou do Danubio como uma grande aposta, mas se firmou a ponto de abrirem mão de Miranda. Já o atacante argentino, o mais caro entre os citados, já tinha mostrado serviço no Racing, embora tenha vindo só depois da excelente temporada que fez pelo Villarreal, comprado por€ 20 milhões. Entretanto, o padrão do Atleti tem sido trazer garotos já entre os protagonistas do continente, quase sempre com convocações pela seleção principal no currículo.
Além de cultivar o tal “espírito de Libertadores” no elenco, o Atlético também faz negócios inteligentes em tantos outros sentidos. A adaptação dos jogadores sul-americanos ao futebol espanhol não costuma ser difícil, diante da língua e da cultura parecidas. As chances de causarem impacto imediato são maiores. Além disso, geralmente são atletas com bom nível de experiência. E que traçam uma curva ascendente no Vicente Calderón. Considerando também a idade e o talento de Griezmann, Koke, Oblak, Savic, Ñíguez, Ferreira Carrasco e Óliver Torres, todos com 24 anos ou menos, a jovem guarda colchonera é excelente. Um projeto que visa o futuro, mas que já deixa o presente muito bem servido.



