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As lágrimas de Iniesta e o valor dos grandes que muitas vezes acaba esquecido

Andrés Iniesta costuma inspirar um respeito único no futebol espanhol. Não é raro ver o meio-campista ser aplaudido em outros estádios do país, consideração máxima pelo gol que deu ao país seu primeiro Mundial. Mesmo dentro do Santiago Bernabéu, sua última atuação contra o Real Madrid no local rendeu a ovação da torcida. Enquanto isso, o camisa 8 representa muito ao Barcelona. O garoto de Fuentealbilla deu seus primeiros passos no Albacete, mas chegou à Catalunha quando ainda tinha 12 anos. Tornou-se uma bandeira dos blaugranas. E, por isso, suas lágrimas logo após a eliminação da equipe na Liga dos Campeões, no ônibus que deixava o Estádio Vicente Calderón, têm tanto valor.

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Em tempos de um futebol com cada vez menos sentimento dentro de campo, toca ver a tristeza de Iniesta. O ambiente de espetáculo e o esquadrão podem ter sido construídos com muito dinheiro, mas a paixão se lapidou no dia a dia, desde a infância. O meio-campista já conquistou todos os títulos possíveis com o clube e com a seleção, acumula vários troféus individuais. Mesmo assim, o brio não faltou quando preciso e a derrota lhe dói como se fosse a última oportunidade. Um choro raro, possível apenas aos grandes, como aconteceu com Pirlo justamente após sucumbir diante do espanhol (o melhor em campo) na final continental de 2014/15. Em meio à assepsia das selfies, o lado humano se escancara na carne.

“Reclamar não serve de nada. É um momento difícil de assumir, porque fomos eliminados de uma competição que nos encanta. Agora é seguir em frente. Ficamos fora e precisamos pensar no que resta. Dói, dói muito este momento para todos e temos que seguir, tentar ganhar o que resta. Todo momento assim sempre gera dúvidas sobre o aspecto mental, mas é preciso mudar o chip”, declarou, na saída de campo.

Iniesta pode sentir uma ponta de culpa pelo pênalti que cometeu nos minutos finais. Ou até lamente aquele que o árbitro não deu minutos depois, embora o apito também tenha favorecido o Barcelona ao longo do confronto. Talvez o choro represente mais o esforço, de quem esteve muito longe de seu melhor e, ainda assim, conseguiu ser um dos poucos a se salvar na noite desastrosa do time. Mas, sem dúvidas, o grande significado se concentra no craque que valoriza cada resultado e exala dedicação. Se, por um lado, a vibração do Atlético de Madrid recebeu aplausos, da mesma forma merece respeito as lágrimas do capitão. Não à toa, Don Andrés.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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