EspanhaEstados Unidos

As finais da NBA terão sua versão de Cristiano Ronaldo x Messi dentro de quadra

Aproveite os links para conferir os lances de Stephen Curry e LeBron James, e entender melhor a comparação

As finais da NBA contarão com o duelo que muita gente queria ver. Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers fizeram grandes campanhas, amassaram seus adversários nas decisões das conferências e são bastante ofensivos. Mas, talvez até mais do que as equipes, o que causa expectativas é o confronto de craques. O melhor dos últimos anos contra o MVP da temporada. Talentos excepcionais e decisivos. Diante da história de um e do momento de outro, é muito difícil escolher um favorito entre LeBron James e Stephen Curry. Passa a ser uma questão de gosto entre dois gênios que não se cansam de impressionar. Cada qual a sua maneira, com estilos de jogo diferentes. Como se fossem Cristiano Ronaldo e Messi.

VEJA TAMBÉM: Real, Barça, Bayern, Fla: tem muito de futebol no Mundial de Basquete de 2014

Não, não vou cair no erro de analisar a superficialidade ou ficar nas frases feitas. Nada de comparar a “arrogância” de LeBron e CR7, impressão que ambos deixam para trás cada vez mais (e, no caso da NBA, Cleveland agradece muito por isso), ou ficar no “bom mocismo” de Curry e Messi, brincando com seus bebês em público. O fato é que, dentro de campo e das quadras, os craques se aproximam. Possuem virtudes e características semelhantes. Juntos, os quatro poderiam provocar um choque enorme neste início de junho, não fosse a eliminação do Real Madrid para Juventus. Ou você já imaginou como seria se ambos os duelos individuais acontecessem ao mesmo tempo, na Champions e na NBA? O esporte viveria uma semana inesquecível.

Resta se contagiar com Curry e LeBron na NBA. E imaginar um pouco como também seria um Cristiano Ronaldo x Messi em tal magnitude. As linhas cruzadas começam na própria capacidade física. Se um laboratório resolvesse criar um atleta ideal para o basquete, não conseguiria fazer melhor do que o astro do Cleveland Cavaliers. James combina explosão e técnica como ninguém, permitindo que carregue o time e arraste adversários entre músculos e talento nato, que tenha um poder de decisão absurdo. Te lembra alguém? Pois Cristiano Ronaldo é outro desses talhados para o sucesso. A potência e a qualidade latentes, que se fazem notáveis em Cleveland e Madri.

Steph Curry, por sua vez, não possui exatamente o porte físico mais impressionante para um jogador de basquete. É alto e forte para os padrões comuns, mas longe do que se exige dentro de quadra, parecendo um baixinho raquítico do primário em meio a universitários marmanjos. Só que o armador dos Warriors compensa essa desvantagem com inteligência. Basta vez a forma como ele antecipa os movimentos – a exemplo do rebote em cima de Dwight Howard na série contra o Houston Rockets. É uma versão da bola laranja de Messi. O nanico argentino que se movimenta no campo como poucos e faz de sua rapidez de raciocínio mais importante que o corpo. Os vários gols de cabeça, inclusive na final da Champions de 2009, reforçam isso.

Spain Soccer La Liga

O físico, logicamente, dita o padrão de jogo nas duas faces da moeda. LeBron e Cristiano Ronaldo impõem as suas habilidades também na força. É a arrancada e a capacidade de ambos no contra-ataque. São as enterradas fulminantes do americano, como as cabeçadas cada vez mais presentes do português. Ou o chute potente do camisa 7, que se compara com os braços de James, capaz de arremessar a bola laranja como se fosse um Zeus atirando raios. Nada que os impede de recursos mais refinados, como um drible em progressão ou um tiro certeiro – seja a bola de três no basquete ou a finalização colocada no futebol. Ou também de movimentarem o resto do time com a ótima visão, apesar das famas de “fominhas”.

Enquanto isso, a liberdade criativa prepondera em Curry e Messi. A postura mais boleira, que torna simples os dribles. Ambos fazem as suas artes parecerem fáceis, muito fáceis. Podem até errar de vez em quando. Mas quem vai reclamar da tinta derrubada por Michelangelo ao pintar o teto da Capela Sistina? A própria maneira como conduzem a bola é especial. Sem falar na capacidade sublime de definir, quase sempre após a finta. Não é só chutar, é tornar os adversários totalmente incapazes de defender o chute, e de qualquer posição. Steph arremessa de três como quem joga bolas de papel em um cesto de lixo; Messi acerta no ângulo como quem brinca com uma bola de meia. Donos de tremenda precisão. E da genialidade de tapear quem quiser barrá-los. A cavadinha do argentino sobre Neuer é o gancho do americano evitando o toco de Howard.

A inveja que LeBron e Cristiano causam se equivale ao sorriso fácil provocado por Curry e Messi. Deuses e demônios. Os quatro, deixando incrédulos quem os assiste. Mas, nas finais da NBA, as semelhanças terminam no jogo. Os recordes que os dois craques quebram cada vez mais, no mar de números do basquete, não competem entre si como os gols do argentino e o português. Se alguém quiser forçar, dá até para dizer que Kyrie Irving e Kevin Love completam o trio BBC de Cleveland, enquanto Klay Thompson e Draymond Green formam o MSN de Oakland.

Só que os Cavs não têm nada a ver com o Real Madrid. Muito pelo contrário, com sua sala de troféus vazia e a propensão a sofrer, não fosse seu salvador. Além do mais, o potencial do camisa 23 em chamar o jogo para si, de resolver sozinho em ocasiões importantes, é bem mais latente. Já os Warriors vivem uma fila muito maior que o Barça, assim como Steph ainda depende de um título para se provar, mais do que um fenômeno, um craque para a história. Ótimos enredos para uma decisão fantástica, que bem que poderia ter sua réplica na Champions.

Extra: Depois de já ter publicado o texto, acabei me deparando com esta declaração de Stephen Curry no português O Jogo, no início do mês: “Gosto dos jogadores de futebol espetaculares, como o Messi e o Cristiano Ronaldo. Gosto mais do Messi, porque é baixo e técnico. O Ronaldo é como o LeBron James, uma ‘máquina’ que pode fazer tudo em campo e o Messi é mais como… eu. Não é alto e tem uma grande técnica e inteligência de jogo espetacular, como eu! (risos) No verão passado, em Madri, vi fotografias do Ronaldo em todos os cantos da cidade. A paixão à volta dele é extraordinária. Deve ser um orgulho para os portugueses”. Não é só alucinação da minha parte, então.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo