AlemanhaBundesligaChampions LeagueEspanhaEuropaFrançaInglaterraItáliaLa LigaLigue 1Premier LeagueSerie A

Especial: 10 grandes questões da temporada europeia 2013/14

A temporada 20123/14 já engrenou. A Bundesliga e a Ligue 1 começaram, bem como as ligas nacionais de diversos países europeus, como na Holanda. Neste final de semana, será a vez da Premier League e de La Liga terem seus pontapés iniciais, enquanto o mesmo acontece na Serie A na última semana de agosto. Até a Liga dos Campeões se prepara para ter seus protagonistas em campo, vivendo a definição dos últimos participantes da fase de grupos.

Tudo isso em um ano mais importante que o normal. Afinal, o que acontecer nos próximos meses pode refletir em junho, na Copa do Mundo de 2014. E em uma temporada com diversos pontos de interrogação. Qual o nível de supremacia do Bayern Munique? Como se dará o equilíbrio nas ligas nacionais? De que maneira as intensas trocas de técnicos afetará os clubes?

Separamos dez grandes questões que devem chamar a atenção no desenrolar dos campeonatos, as quais não tentamos responder – afinal, a maioria delas só poderá ser analisada de maneira profunda depois de maio. No entanto, deixamos as pistas para que elas possam ser acompanhadas com detalhes. Confira nas próximas linhas.

Este é o primeiro especial de uma série sobre o início da temporada europeia. Nos próximos dois dias, também serão publicados os guias da Bundesliga, da Ligue 1, da Premier League e de La Liga, com fichas de todos os clubes. Na próxima semana, é a vez da Serie A. Além disso, cada um dos campeonatos nacionais também contará com uma matéria especial.

– O Bayern Munique finalmente quebrará o tabu de um bicampeonato na Liga dos Campeões?

Britain Soccer Champions League Final

Um desafio gigantesco para os bávaros. O último a conseguir o feito foi o histórico Milan de Arrigo Sacchi, que levantou a taça em 1988/89 e 1989/90. Nos últimos 23 anos, o próprio Milan, o Ajax e a Juventus conseguiram chegar a uma final depois do título, mas foram vice-campeões. Ao menos o retrospecto recente do Bayern na competição continental é animador, tendo ficado entre os dois melhores da Europa três vezes nos últimos quatro anos.

Pelo elenco que possui e pela maneira como sobrou em 2012/13, não há dúvidas que o Bayern é o adversário a ser batido nesta temporada. Resta saber como os Roten se comportarão justamente depois de uma temporada tão avassaladora. A pressão interna cresceu, assim como a atenção dos rivais sobre o jogo dos alemães. A chegada de Pep Guardiola, no entanto, pode ser um diferencial. O técnico tende a possibilitar uma mudança no padrão de jogo do Bayern, algo que tornará a equipe mais imprevisível. O único temor é o de que estas mudanças sejam tão profundas a ponto de atrapalhar um time que já é multicampeão.

– Teremos cinco finais de temporada monótonos nas grandes ligas outra vez?

Ibra

A situação vivida nos cinco principais campeonatos nacionais na temporada passada foi anormal, mas não imprevisível. O favoritismo já se concentra entre poucos. Então, bastou o excesso de derrapagens de Real Madrid, Manchester City e Borussia Dortmund ou o enfraquecimento de Milan e Lyon para que o cenário de monotonia estivesse constituído. Para aumentar o desnível, dos cinco campeões, o único que não teve um desempenho tão hegemônico assim foi o Paris Saint-Germain. De qualquer forma, os franceses contaram com a falta de fôlego dos adversários para despontar na reta final da Ligue 1.

Para quem gosta de competições acirradas, o panorama em 2013/14 promete melhoras. Exceção feita ao Manchester United, todos os candidatos ao bicampeonato – no caso da Juve, ao tri – estão fortalecidos. Em compensação, a melhora e a gana dos rivais em quebrar as supremacias parecem mais preponderantes. Clubes como Real Madrid, Napoli, Manchester City e Chelsea passaram por mudanças significativas para dar o troco. O Borussia Dortmund reforçou a base que rivalizou com o Bayern nos últimos anos, apesar da perda de Mario Götze. E o Monaco propõe uma concorrência na mesma moeda ao PSG. Desta vez, ao menos, um pouco da emoção deverá ficar reservada até maio.

– A dança dos técnicos surtirá mudanças drásticas nos gigantes que optaram por mudança?

Mourinho

Real Madrid, Paris Saint-Germain, Chelsea, Manchester City, Napoli, Manchester United, Bayern Munique, Internazionale. Clubes de peso em seus países, todos com um ponto em comum: a novidade no banco de reservas. As trocas no comando técnico não tiveram necessariamente as mesmas razões, passando da aposentadoria de Jupp Heynckes e Sir Alex Ferguson ao clima pesado envolvendo por José Mourinho em Madri. O fato é que todos esses gigantes esperam uma renovação de forças nessas novas fases.

A transformação mais drástica se desenha no Manchester City, com Manuel Pellegrini apresentando um estilo de trabalho bastante diferente de Roberto Mancini. Já a mais traumática é vivida pelos vizinhos do Manchester United, com David Moyes tentando seguir com o trabalho de 26 anos de Sir Alex Ferguson. Nestes primeiros meses, todos tendem a contar com a paciência de seus patrões, até mesmo de Roman Abramovich. De qualquer forma, pelas responsabilidades que têm, também precisam saber lidar com as cobranças.

– Quais serão os efeitos da “espanholização” intensa na Premier  League e também em La Liga?

David-Silva-e1358614399408

O sucesso de Juan Mata, Santi Cazorla, David Silva e outros jogadores espanhóis causou um fenômeno interessante na Premier League. O trânsito de jogadores que trocaram clubes de La Liga pela Inglaterra nesta janela foi massivo, encabeçado por Roberto Soldado, Álvaro Negredo e Jesus Navas. Um processo tão intenso que deixou a Espanha igualada com a França como o país com mais representantes na liga, ambos com 32 atletas.

Diante da badalação sobre a seleção espanhola, será interessante observar qual o impacto de tantos jogadores do país no Campeonato Inglês. Tais contratações significarão um salto de qualidade nas equipes que fizeram investimentos tão altos? E também quais serão os efeitos colaterais em La Liga, onde os clubes enxugam as folhas de pagamento e vendem seus destaques para fazer caixa, diante de uma profunda crise interna. A impressão inicial é a de que o abismo de Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid, que já foi grande na última temporada, se torne ainda maior, por mais que haja boa capacidade dos médios e dos pequenos na formação de jogadores.

– Qual o papel de Inter e Milan na Serie A e da Juventus na Europa?

Pirlo-Juventus-x-Roma-e1348951811546

Os três grandes clubes da Itália aparecem em três níveis completamente distintos. Depois que Massimo Moratti fechou a torneira para as contratações, a Internazionale convive com o desmanche e a reformulação de seu elenco, agora comandado por Walter Mazzarri. Da mesma forma, o Milan viu os investimentos de Silvio Berlusconi se reduzirem drasticamente, ainda que tenha mantido um elenco competitivo. Já a Juventus, bicampeã, trouxe os reforços que precisava para o ataque e promete um desempenho ainda mais consistente.

A maior dúvida fica sobre a maneira como se dará o equilíbrio de forças no Campeonato Italiano. Clubes como Napoli, Fiorentina, Roma e Lazio surgem até mais ameaçadores à hegemonia bianconera quanto os rivais de Milão. E a própria Vecchia Signora promete um pouco mais de atenção à Liga dos Campeões, onde ficou devendo em 2012/13, especialmente diante da facilidade com que foi batida pelo Bayern Munique.

– Galatasaray, Shakhtar ou outra força do leste conseguirá ir longe na Liga dos Campeões?

Drogba

Em um passado já distante, os clubes do leste europeu tiveram sua relevância na Copa dos Campeões. Desde que o torneio mudou seu formado e se transformou em liga, os únicos dois times a leste da fronteira da Alemanha a aparecer nas semifinais do principal torneio continental foram Panathinaikos (1995/96) e Dynamo Kiev (1998/99). Atualmente, os candidatos até existem, mas falta um pouco de sorte para permitir o feito.

O Shakhtar Donetsk já mostrou que pode competir com algumas potências do continente, como no ótimo desempenho na fase de grupos contra Chelsea e Juventus em 2012/13. O Galatasaray, por sua vez, se reforçou bem na temporada passada, mas faltava o encaixe do time para um sucesso maior. Ambos podem ser considerados em um segundo pelotão da LC. Se o sorteio for generoso, sem colocar um gigante pelo caminho, o sonho é totalmente possível.

– Messi aguentará mais uma temporada como melhor do mundo?

Argentina Colombia Soccer WCup

Há quatro anos Lionel Messi se mantém soberano na disputa pela Bola de Ouro. E o camisa 10 do Barcelona impressiona por conseguir ir além de um nível que já parecia ter chegado ao seu ápice. Nos primeiros meses de 2013, contudo, o argentino começou a apresentar os primeiros sinais de desgaste: sofreu com as lesões e teve dificuldades em ajudar os blaugranas nos duros confrontos com o Bayern Munique na Champions. O talento continua o mesmo, mas o desgaste físico parece finalmente impor um limite ao craque.

A chegada de Neymar, de certa forma, garante outro astro para que Messi divida as responsabilidades na hora de decidir. Mas o brasileiro impulsionará ainda mais o argentino ou ofuscará parte de seu brilho? A aproximação da Copa do Mundo também conta neste ponto, pelas cobranças de que o atacante precisa de uma grande atuação no torneio internacional para, enfim, se tornar incontestável entre os melhores da história. Estar em campo em todos os minutos possíveis com o Barcelona, como insistiu em fazer nos últimos anos, pode cobrar um preço alto mais uma vez.

– Quem será o craque mais infeliz após o fechamento da janela: Bale, Rooney ou Suárez?

Britain Soccer Premier League

O atual mercado de transferências tem sido prolífico em mudanças de grandes jogadores, especialmente de atacantes. Os três principais nomes envolvidos em especulações, entretanto, só devem ter seus destinos selados nos últimos dias de agosto. Gareth Bale, Wayne Rooney e Luis Suárez estão atraídos pelas propostas que receberam e tentam forçar suas saídas, mas seus clubes atuais batem o pé ao ouvirem o que os interessados têm a oferecer.

Pode ser que os três tenham seus desejos cumpridos e se mudem antes do fechamento da janela. Todavia, não é difícil de imaginar que pelo menos um continue onde já está. Restará saber qual será o comportamento diante da infelicidade. Bale e Suárez manterão o alto nível da temporada passada, mesmo a contragosto da permanência? Rooney criará mais controvérsias nos vestiários do United? Ou quem ficar deixará para trás a vontade de sair e conseguirá se valorizar ainda mais?

– Paulinho e Neymar vingarão neste primeiro ano fora do futebol brasileiro?

Neymar-taça

Os dois principais destaques do futebol brasileiro rumaram à Europa nesta janela de transferências. E, especialmente depois do desempenho de ambos na Copa das Confederações, as expectativas cresceram bastante sobre suas temporadas de estreia. Sobretudo para Luiz Felipe Scolari, que espera que os dois titulares de sua seleção mantenham o nível às vésperas da Copa do Mundo.

Pelo status que atingiu ainda nos tempos de Santos e pela forma como a transação se deu, é natural que Neymar seja mais cobrado nesses primeiros meses no Barcelona. Talento não falta, embora ainda existam interrogações sobre a maneira como se encaixará nos mecanismos dos blaugranas. Já Paulinho possui características de jogo que devem se ressaltar na Premier League, especialmente pelo estilo aplicado pelo Tottenham de André Villas-Boas. Ao que parece, o ponto de partida conta com os ingredientes necessários para que ambos consigam vingar.

– O quanto a Copa do Mundo influenciará o desempenho dos clubes?

Brazil Soccer Confed Cup Brazil Spain

A dinâmica da temporada europeia é diferente às vésperas de um Mundial. A começar pelo calendário, que encurta as férias e a pré-temporada para que as competições terminem semanas antes. Todavia, o torneio internacional também tem uma capacidade significativa de mexer com a cabeça dos jogadores. A Copa é a chance de qualquer jogador para se consagrar e não é de se surpreender que o comportamento de alguns mude pensando no torneio. Parte tentando mostrar serviço para cavar uma convocação, outros até se poupando para chegar no máximo da forma ao Brasil.

Será interessante observar o comportamento dos clubes que formam as bases das seleções favoritas. Barcelona, Bayern Munique e Juventus chegam com expectativas altas para a temporada, mas os espanhóis, os alemães e os italianos do elenco também deverão sentir uma pressão maior com a aproximação do Mundial. Em toda a história, o Bayern de 1974 foi o único clube a ser campeão europeu e fornecer boa parte do elenco aos futuros donos da Copa. Desde então, somente Christian Karembeu (1998) e Roberto Carlos (2002) conquistaram a Champions e o Mundial no mesmo ano. Alguém conseguirá alcançar o feito em 2014?

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo