Espanha

Armas para o clássico

O primeiro tempo de Arsenal x Barcelona, na última quarta pela Liga dos Campeões, terminou em 0 a 0. No entanto, depois daqueles 45 minutos, era legítimo pensar: “é impossível ganhar do Barcelona se eles estiverem ligados e inspirados”. Algo que poderia causar temor no Real Madrid, que tem confronto direto pelo título espanhol no próximo fim de semana. Mas não há motivos para ser assim. Simplesmente porque a impossibilidade de ganhar de um Barça inspirado é verdadeira, mas se você for o Arsenal.

Nada contra o clube inglês. Pelo contrário. É uma equipe montada de maneira inteligente e paciente, que pratica um futebol para lá de agradável e que, se tivesse um pouco mais de ousadia no mercado, contrataria um ou dois jogadores que fazem falta para quem concorre com Chelsea e Manchester United pelos títulos. A questão é de estilo de jogo. O Arsenal tem um futebol leve, rápido e aberto. Como o Barcelona. Em duelo de dois times que jogam e deixam jogar, quem tem mais talento tende a se impor. E os catalães, não tivessem tropeçado em Almunia no primeiro tempo e na desatenção nos minutos finais, teriam vencido com alguma folga. Mesmo jogando em Ashburton Grove. Aos londrinos, seria mais recomendável renunciar um pouco a seu estilo ou torcer para algum jogador estar muito inspirado para decidir em alguma jogada isolada.

O clássico contra o Real Madrid deve ter uma dinâmica diferente. Nada que um time que tem Messi, Xavi, Ibrahimovic e, talvez, Iniesta possa superar. Mas é uma partida com outros elementos, o que dá margem para os madridistas projetarem a vitória decisiva. Um triunfo bastante importante, porque o empate deixaria o Barcelona na liderança pelo confronto direto.

O que o Real Madrid pode fazer?

O Real Madrid tem um time pesado, em comparação com o Barcelona. Higuaín sabe o que fazer com a bola nos pés, mas usa bastante seu físico para cavar espaço na defesa adversária. Cristiano Ronaldo não deixa de ter bastante força. O meio-campo tem quatro jogadores de técnica, mas de futebol mais compassado: Van der Vaart, Granero, Xabi Alonso e Gago.

Desse modo, os merengues precisam impor um jogo mais cadenciado, para quebrar o ritmo barcelonista e deixar seus jogadores mais confortáveis para construir suas jogadas. É preciso paciência para tocar a bola quando necessário e ter confiança para tentar empurrar os catalães para seu campo. É difícil, claro, mas não impossível. No primeiro turno, no Camp Nou, os madridistas dominaram boa parte do jogo, criaram problemas para Valdés e não mereceram sair do gramado com a derrota.

O Real ainda tem de se preocupar com os lados do campo. Seus laterais não são dos mais seguros e, principalmente no caso de Marcelo, avançam em demasia. Para os catalães não aproveitarem esses espaços, é importante os defensores, contando os volantes, realizarem um trabalho cuidadoso e atento de cobertura. Jogar com a linha de zagueiros avançadas também é algo a se evitar, pois o Barcelona se especializou em encontrar espaço nas costas da defesa oponente.

Se conseguirem anular os blaugranas, os merengues terão mais condições de usar seu potencial. Cristiano Ronaldo e Higuaín podem romper a defesa catalã, sobretudo se explorarem o lado esquerdo, o mais fraco (ou menos forte, depende do ponto de vista) da defesa visitante.

O que o Barcelona pode fazer?

Em teoria, o Barcelona pode ficar mais tranquilo na partida e explorar a necessidade merengue da vitória. Com o contra-ataque à disposição, usaria sua velocidade para construir a vitória. Essa é a solução mais normal, e que, claro, pode funcionar. Mas não tem muito a cara do Barça de Guardiola.

Os blaugranas têm mais sorte quando surpreendem pela ousadia, quando ignoram as adversidades e se impõem pelo bom futebol. Foi o que ocorreu contra o Arsenal, partida em que os barcelonistas realizaram uma blitz nos 15 minutos iniciais. E foi como o atual campeão mundial fez um humilhante 6 a 2 no Real no Santiago Bernabéu, pelo segundo turno do Campeonato Espanhol 2009/10.

Se o Real precisa cadenciar o jogo para ter vantagem sobre o Barça, é meio evidente que o Barça se beneficia de um duelo acelerado. Trocas de bolas rápidas e lançamentos em profundidade podem quebrar o trabalho de marcação e cobertura dos defensores madridistas.

Defensivamente, o Barcelona precisa impedir que Higuaín e Cristiano Ronaldo recebam a bola com liberdade. Asfixiar Granero e Van der Vaart e evitar lançamentos de Xabi Alonso são as maneiras mais diretas de fazê-lo. O Real pode tentar cruzamentos na área, mas Puyol e Piqué são bons pelo alto e teriam boas chances de suportar esse tipo de pressão.

Palpite

Guardiola, do lado catalão, e Valdano, do madrileno, já disseram que o jogo não é decisivo. E, de fato, um empate não é ruim para ninguém. O Real Madrid fica em desvantagem no confronto direto (primeiro critério de desempate), mas pode contar com algum tropeço barcelonista nas rodadas finais. Como está vivo na Liga dos Campeões, os culés podem chegar desgastados ao final da temporada e perder algum ponto pelo caminho.

Se as duas equipes tiverem isso em mente, talvez não achem ruim deixar a decisão para o futuro. O que indicaria um confronto muito estudado, em que uma equipe espera a outra fazer algo para reagir. Cara de empate? Não necessariamente. Cara de que a equipe que se soltar antes levará uma vantagem considerável.

O colunista arrisca empate com domínio do Barcelona. E você, leitor, o que espera do espetacular clássico do fim de semana?

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Equipe Trivela

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