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Aos 40 anos, Valerón seguiu jogando para subir com seu time de coração de volta à 1ª divisão

Uma Copa do Mundo e duas Eurocopas no currículo. Parte fundamental de um grande time do Deportivo de La Coruña, contratado logo após o título espanhol de 2001. Juan Carlos Valerón pode não ter sido o jogador mais espetacular de sua época. Mesmo assim, o meio-campista desfruta de um respeito enorme na Espanha, especialmente por seu profissionalismo e por sua dedicação. Aos 40 anos, El Maestro segue atuando, mesmo com três cirurgias ao longo da carreira pesando contra o seu joelho esquerdo, além de duas fraturas na mesma perna. Para cumprir um sonho neste final de semana: levar o seu time de coração, o Las Palmas, de volta à primeira divisão do Campeonato Espanhol.

A imagem de Valerón é muito ligada, sobretudo, ao Deportivo. O meio-campista defendeu o clube por 13 anos, a ponto de se tornar titular da seleção espanhola no início dos anos 2000. Viveu grandes momentos com os albiazules, assim como a crise do clube, caindo à segunda divisão e trazendo o Depor de volta uma temporada depois. No entanto, ainda havia outra paixão do veterano: o Las Palmas, clube de sua cidade natal. Nos Amarillos é que o meia se tornou profissional, atuando por duas temporadas na equipe principal. Disputou por duas vezes a segundona, antes de ser vendido ao Mallorca. Não teve tempo de conquistar o seu grande objetivo, o acesso, passando perto em ambas as vezes.

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Aos 38 anos de idade, Valerón retornou ao Las Palmas em 2013/14. Para completar a sua missão no clube, distante da elite desde 2002. E o drama vivido naquela temporada foi incomparável. Os Amarillos terminaram a fase de classificação na sexta colocação, conquistando uma vaga nos playoffs. Já na decisão contra o Córdoba, após o empate por 0 a 0 fora de casa, a festa estava armada no Estádio Gran Canaria. Apoño anotou o gol que garantia a vaga na primeira divisão, logo no início do segundo tempo, e provocou uma enorme invasão de campo antes do apito final. Estava formado o problema. Após longa interrupção, o árbitro ordenou que os times voltassem a campo e disputassem o minuto restante no relógio. Tempo suficiente para o gol do Córdoba, que acabou subindo.

Já nesta temporada, o temor do Las Palmas e de Valerón seguiu parecido. O time terminou na quarta colocação, indo outra vez aos playoffs. E, após eliminar o Valladolid após dois empates, decidiria a vaga contra o Zaragoza, de virada notável sobre o Girona. No jogo de ida, vitória dos rivais por 3 a 1 em La Romareda. Mas, ao menos desta vez, o Estádio Gran Canaria não viveu outra tragédia. Com um gol aos 40 minutos do segundo tempo, o argentino Sergio Araújo deu o acesso ao Las Palmas. Reserva nesta temporada, Valerón pôde celebrar do banco de reservas o objetivo cumprido.

“A maior alegria que temos é poder fazer tanta gente feliz, era o nosso objetivo. Para isso é que voltei ao Las Palmas. Foi uma partida com muita tensão e pouco futebol. Ao final, pudemos virar e estamos muito contentes. A alegria que temos é por fazer feliz a torcida e a nossa gente. Vamos ver o que acontece na próxima temporada. Foi uma partida muito dura”, declarou Valerón após o jogo decisivo, em entrevista ao Marca.

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Valerón é inegavelmente um ídolo local. Cresceu em um povoado que abrigava operários da construção civil, onde seu pai trabalhava. A identificação é tão grande que uma das torcidas organizadas do Las Palmas leva o nome do meio-campista. E pelas Ilhas Canárias é que o veterano dará continuidade a sua vida, já treinando equipes de base. Sua história no clube não deve terminar apenas com o acesso deste final de semana. A expectativa é de que ele permaneça no elenco para 2015/16, despedindo-se dos estádios espanhóis. Para depois, quem sabe, assumir um cargo como dirigente ou técnico do clube.

Já o Las Palmas, que viveu uma grave crise em meados da década passada, colhe os frutos da recuperação nos últimos anos, quase sempre batendo na trave nos playoffs. Em uma das dez maiores cidades da Espanha, com quase 400 mil habitantes, o clube das Ilhas Canárias possui uma base estrutural grande o suficiente para se manter na elite.  Ao longo da segundona, a equipe manteve boa média de público de 15,6 mil presentes por partida, a terceira maior da liga. Uma massa fanática e esperançosa de reviver ao menos parte dos sucessos do clube entre as décadas de 1960 e 1980, quando era participante frequente da elite e até chegou a ser vice-campeão nacional. Não custa sonhar. Ter um pouco da fé que moveu Valerón.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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