Ancelotti identifica a chave do sucesso de Zidane no Real Madrid: a relação com os jogadores
É possível contestar a qualidade do futebol apresentado pelo Real Madrid em algumas partidas sob o comando de Zidane Zidane, mas não dá para questionar seus resultados: título da Champions League, 40 jogos de invencibilidade e a liderança do Campeonato Espanhol. Feitos espetaculares para um jovem técnico de 44 anos em seu primeiro trabalho com a prancheta na mão. A chave é o relacionamento que o francês tem com os seus jogadores, segundo o italiano Carlo Ancelotti em entrevista à ESPN britânica.
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Na opinião do técnico, um dos melhores de sua geração, e notório por ter uma boa relação com seu elenco, conhecimento e experiência precisam ser valorizados, mas não são os aspectos mais importantes para um treinador. “A coisa mais importante é ser capaz de conversar com os jogadores, ensiná-los e trabalhar com eles, e você só pode fazer isso se eles o respeitarem e o ouvirem”, disse. “Você não precisa dar um monólogo motivacional toda hora. Às vezes, nem precisa falar muito. Zidane não fala muito, apesar de que tenho certeza que fala muito mais do que falava antes, mas o importante é que, quando ele fala, as pessoas ouvem. Ele inspira respeito. E ele constrói em cima disso”.
Para Ancelotti, é por isso que Zidane consegue fazer um trabalho tão bem sucedido mesmo sem ter um currículo recheado de grandes clubes, como o seu antecessor Rafa Benítez, por exemplo, demitido por resultados muito piores que os do francês.
“Nem todo mundo pode treinar o Real Madrid”, afirmou. “A chave para o sucesso, eu acho, é o relacionamento com os jogadores. O conhecimento de futebol é secundário, assim como a experiência. Zidane nunca treinou no alto nível, mas jogou por muito tempo, trabalhou como auxiliar, treinou o Castilla, ele conhece o jogo, conhece os aspectos táticos e conhece o clube. A questão chave, como eu disse, foi o relacionamento com os jogadores e a habilidade de trabalhar com eles no campo de treinamento. Estrutura uma sessão de treinos de uma maneira que passe a mensagem e que deixe os jogadores felizes e receptivos”.
Evidentemente, não é tão simples assim, nem todo jogador recém-aposentado pode de repente se tornar um grande treinador. “Há um elemento técnico que nem todo mundo sabe ou entende. Se nenhum dos treinadores da minha comissão técnica aparecesse para treinar amanhã, e eu simplesmente dissesse aos jogadores para montarem a estrutura da semana de sessões de treinamento, eles não saberiam fazer isso. Ou, pelo menos, não poderiam fazer isso bem. Sobre os relacionamentos, você precisa de carisma, de respeito, de personalidade. Zidane tem tudo isso e provou como jogador, como líder e também quando foi meu assistente”, explicou.
Isso explica porque Rafa Benítez, muito mais experiente e conhecido por ser um grande estrategista, não deu certo no Santiago Bernabéu. “Um cara como Rafa Benítez provavelmente tem mais experiência e conhecimento do jogo, mas talvez não tenha sido capaz, no curto tempo em que esteve lá, de construir o tipo de relacionamento necessário. E Zidane, nesse aspecto, leva vantagem porque já estava no clube, já treinou muitos dos jogadores e até jogou com alguns deles”, disse.



