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O Sevilla botou pressão para arrancar a virada no fim e encerrar a invencibilidade do Real

O que se esboçou no meio de semana acabou se concretizando neste domingo. E valendo bem mais. Pela Copa do Rei, mesmo praticamente eliminado, o Sevilla fez grande partida contra o Real Madrid no jogo de volta, mas cedeu o empate no minuto final. Já no reencontro pelo Campeonato Espanhol, enfim, o time de Jorge Sampaoli pôde desfrutar da vitória. Não foi uma atuação tão contundente dos rojiblancos. Entretanto, os andaluzes botaram uma pressão imensa na reta final do duelo, empurrados pela furiosa torcida no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán. Arrancaram a virada por 2 a 1 nos acréscimos, colocando fim à sequência de 40 partidas de invencibilidade dos merengues e se aproximando dos líderes de La Liga.

A bola nem tinha começado a rolar e os torcedores já davam mostras da atmosfera diferente na Andaluzia. Fizeram um mosaico gigantesco e cantavam forte. Já nos primeiros segundos, panos brancos sacudidos e vaias. Os sevillistas protestavam contra Sergio Ramos, que respondeu às provocações de parte das arquibancadas no jogo da Copa do Rei. Acabou gerando uma união geral dos rojiblancos, que o vaiavam a cada vez que pegava na bola.

Zinedine Zidane, aliás, inovou em sua escalação. Apostou em um sistema com três zagueiros, usando Sergio Ramos de líbero. Na frente, apenas Karim Benzema e Cristiano Ronaldo. A intenção do Real Madrid era pressionar o jogo do Sevilla a partir do meio de campo, com Marcelo e Dani Carvajal avançados. Durante a primeira etapa, a estratégia deu certo na maior parte do tempo. Os rojiblancos tinham mais posse, mas tinham dificuldades para se aproximar da área, dependendo dos erros. Conseguiram um pouco mais depois dos 30 minutos, sem conseguir vencer Keylor Navas.

Do outro lado, Casemiro fazia uma partidaça no meio de campo merengue. Ajudava demais na marcação, preenchendo os espaços. Luka Modric era outro que aparecia muito bem para dar consistência ao time. Só que os lances de ataque também não foram tão constantes. Cristiano Ronaldo até apareceu em certos momentos, mas o goleiro Sergio Rico manteve a segurança.

O ritmo seguiu parecido no início do segundo tempo. O Sevilla encontrava mais brechas, mas esbarrava em um paredão chamado Keylor Navas, operando duas defesas fundamentais. Menos efetivo, o Real Madrid passou a responder depois dos sustos. Até arranjar um pênalti aos 20 minutos, em falta de Sergio Rico sobre Carvajal. Na cobrança, Cristiano Ronaldo abriu o placar.

Depois do gol, porém, o jogo tomou seu rumo definitivo. O Real Madrid recuou, esperando um contra-ataque para matar o jogo. E o Sevilla partiu para cima, especialmente após a entrada de Stevan Jovetic. Os andaluzes colocavam os visitantes nas cordas, trabalhando os passes, mas finalizavam pouco. Contaram com um erro para assegurar um empate. E justamente com o perseguido Sergio Ramos, cabeceando contra as próprias redes.

A partir de então, os rojiblancos cresceram, e o empate parecia de bom tamanho aos merengues. Os contra-ataques eram raros e, quando surgiam, mal encadeados. Faltou a Zidane botar em campo jogadores de velocidade, para potencializar isso. Nos acréscimos, a definição. Benzema perdeu a bola no meio de campo para Jovetic, que avançou e bateu colocado. Navas ainda tocou a bola, mas não conseguiu mudar seu caminho rumo às redes.

O Sevilla, sem precisar ser brilhante, foi muito inteligente. E ganhou com o que faz de melhor, trabalhando a bola, à espreita dos adversários. Jovetic, trazido nesta janela de transferências, demonstrou outra vez como foi um grande acréscimo, em um time que às vezes carece de lampejos individuais. Seu gol não só recuperou a vice-liderança para os andaluzes, como também os deixou a um ponto do Real Madrid, que, por sua vez, possui um jogo a menos. Já Zidane precisará de um momento de reflexão. Teve escolhas contestáveis, embora o time tenha jogado bem durante boa parte do tempo. No fim, o recorde de invencibilidade se esfarelou logo depois de superada a marca anterior.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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