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Análise: os erros e acertos de Real Madrid x Dortmund

O Real Madrid ficou a um gol da façanha na Liga dos Campeões. A pressão dos merengues parou em Weidenfeller durante os primeiros 20 minutos e só voltariam a se intensificar nos 20 minutos finais. Valeu para derrubar a invencibilidade do Borussia Dortmund, mas não para assegurar a classificação. A equipe de José Mourinho foi insistente o suficiente para vencer, embora a falta de eficiência tenha custado caro demais.

O Borussia Dortmund, por sua vez, honrou as palavras de Jürgen Klopp às vésperas do jogo decisivo: “Estamos preparados para que o Real Madrid tente de tudo e nossa sensação não é de estar com um pé na final. Teremos que lutar com todas as nossas forças. Meus jogadores darão o melhor que têm. Não tenho dúvidas sobre isso”. Com um desempenho defensivo espantoso, os aurinegros seguraram os merengues e carimbaram o passaporte ao Wembley.

A falta de eficiência ofensiva do Real Madrid

Ao contrário do primeiro jogo, o Real Madrid se impôs no ataque. Os merengues foram bem mais objetivos nas ações ofensivas e acuaram o Dortmund no entorno de sua área. Porém, a falta de precisão custou muito caro ao time de José Mourinho. De suas 23 finalizações, só sete foram em direção ao gol. Entre os 13 minutos do primeiro tempo e os 37 do segundo, os espanhóis não acertaram o alvo uma vez sequer – um intervalo que representa 76,6% dos minutos jogados.

Finalizações
Finalizações do Real Madrid (Fonte: CNN FC)

O desespero merengue pode ser representado também pelo excesso de cruzamentos efetuados ao longo do jogo. A equipe levantou a bola em direção à área 40 vezes, bem mais que as 24 de média nas partidas anteriores da Liga dos Campeões. Destas, só nove foram completadas por um jogador do time, cinco resultando em finalizações e uma em gol. A maioria, quando já estavam cinco ou mais atletas dentro da área.

Cruzamentos do Real Madrid (Fonte: CNN FC)
Cruzamentos do Real Madrid (Fonte: CNN FC)

No fim das contas, Karim Benzema e Sergio Ramos acabaram sendo os jogadores mais efetivos do Real Madrid. O francês entrou em campo apenas aos 17 minutos do segundo tempo, mas marcou um gol e deu assistência para outro. Já o defensor, vilão na eliminação para o Bayern na temporada passada, foi o melhor em campo. Além de ser decisivo na defesa, com cinco desarmes e cinco interceptações, se mandou para o ataque e por pouco não assegurou a classificação. Depois do gol de Benzema, o Real chutou nove vezes, quatro com Ramos.

Os jogadores do Real Madrid mais participativos nos 10 minutos finais (Fonte: Stats Zone FourFourTwo)
Os jogadores do Real Madrid mais participativos nos 10 minutos finais (Fonte: Stats Zone FourFourTwo)

Cristiano Ronaldo, de quem se esperava um papel mais preponderante, decepcionou. Atuando centralizado na meia hora final de jogo, o português foi o jogador do Real Madrid que mais movimentou em campo. Contudo, acertou somente 53% dos 40 passes que tentou, o pior de seu time. Foi o que mais finalizou, seis vezes, mas apenas uma delas no gol. E a última aos 26 minutos do segundo tempo, aparecendo pouco no momento de maior pressão dos espanhóis.

A segurança defensiva do Dortmund

Se o ataque do Real Madrid não funcionou em sua plenitude no Santiago Bernabéu, méritos também da defesa do Borussia Dortmund. Assim como já tinha acontecido no Signal Iduna Park, os aurinegros se protegeram com duas linhas de quatro homens. Desta vez, mais acuados em seu campo defensivo, precisaram redobrar os esforços para roubar a bola dos merengues. E alcançaram uma efetividade impressionante.

Ações defensivas do Dortmund no primeiro e no segundo tempo (Fonte: Stats Zone FourFourTwo)
Ações defensivas do Dortmund no primeiro e no segundo tempo (Fonte: Stats Zone FourFourTwo)

A saída de Mario Götze acabou beneficiando o Dortmund. Jürgen Klopp colocou Kevin Grosskreutz, ganhando um marcador melhor pelo lado esquerdo do meio-campo e deslocando Marco Reus à linha de frente. Livre de maiores responsabilidades, o camisa 11 adicionou velocidade ao setor, criando três chances de finalização na partida. Por outro lado, o sistema defensivo passou a jogar de maneira mais compacta, diminuindo os espaços que permitiram o Real chutar sete vezes nos 15 primeiros minutos de jogo.

Desarmes do Dortmund (Fonte: CNN FC)
Desarmes do Dortmund (Fonte: CNN FC)

Mats Hummels, que falhou no jogo de ida, foi o comandante do Dortmund rumo à final. Desarmou quatro vezes, interceptou outras duas, afastou 19 bolas da defesa aurinegra e ganhou quatro jogadas aéreas. Formou uma dupla praticamente intransponível com Neven Subotic, essencial para que os alemães mantivessem o placar zerado ao longo de 82 minutos.

O mapa de calor de Hummels na partida (Fonte: CNN FC)
O mapa de calor de Hummels na partida (Fonte: CNN FC)

No geral, o Dortmund superou seus números defensivos nesta Liga dos Campeões. A equipe desarmou 37 bolas e interceptou 27, quase dobrando as médias de 23,6 desarmes e 15 interceptações registradas nas partidas anteriores da Liga dos Campeões. Os alemães também bloquearam quatro chutes e rasgaram 66 bolas de seu campo defensivo. Dados que mostram bem o espírito de luta da equipe. Para orgulho de Klopp e felicidade de toda a torcida aurinegra.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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