Análise: Letal, o Bayern triturou um Barça entregue
O Barcelona parecia em estado terminal. Aos poucos, os blaugranes iam definhando contra o Bayern Munique. Sem Lionel Messi, fizeram um primeiro tempo pouquíssimo produtivo. E viram as esperanças acabarem logo no início da etapa complementar, quando os bávaros abriram o placar. Entregue, a equipe de Tito Vilanova só permaneceu os 90 minutos em campo por mera formalidade, abrindo caminho para a vitória por 3 a 0 dos visitantes.
Um desempenho oposto ao do Bayern. Mesmo depois de vencerem o jogo de ida por 4 a 0, os alemães não se acuaram no Camp Nou. Tiveram tanto volume quanto os donos da casa durante a primeira etapa. E, na segunda, garantiram a festa ao serem cirúrgicos para matar o jogo. Outra atuação espetacular do time de Jupp Heynckes, pronto para se tornar o mais vencedor da história do clube.
A incisividade do Bayern
Assim como já tinha acontecido no primeiro jogo, o Bayern Munique encontrou o caminho para a vitória justamente na forma como se defendeu. Os bávaros pressionaram com eficiência a saída de bola do Barcelona, impedindo quaisquer tentativas de construção de jogadas. Dos 24 desarmes efetuados pelos visitantes, oito aconteceram no campo de ataque – e 11 foram feitos por Mandzukic, Robben, Ribéry e Thomas Müller.

O líder no quesito foi Bastian Schweinsteiger. O camisa 31 foi responsável por seis desarmes, além de quatro interceptações. Mais do que isso, orquestrou o time durante os 67 minutos em que permaneceu em campo. O meio-campista era quem ditava o ritmo dos bávaros, ora acelerando os contra-ataques, ora cadenciando o jogo. Um verdadeiro maestro.
Pelos lados de campo, Robben e Ribéry foram os grandes responsáveis pelo placar elástico. A dupla foi muito bem ao bloquear os espaços dos laterais do Barça, bem como participou de todos os gols de sua equipe. O holandês vacilou em alguns momentos, mas foi quem mais arriscou em sua equipe, somando três finalizações. Já o francês deu passes para quatro dos oito arremates dos alemães – isso sem contar a ‘assistência’ para o gol contra de Piqué.

Pesou a eficiência do Bayern nas finalizações, balançando as redes nas duas únicas tentativas que foram em direção ao gol. Um plano de jogo muito bem delineado, que soube explorar muito bem as laterais do campo, onde a bola permaneceu durante 48,8% do tempo. Bem mais seguro na defesa, bem mais direto no ataque, o Bayern seguiu a cartilha de Heynckes à risca. Como recompensa, estará em Wembley no dia 25.
A passividade do Barcelona
Já a despedida do Barcelona na Liga dos Campeões não poderia ter sido mais melancólica. Os blaugranes foram bem mais objetivos do que na ida, o que não significou muito. Foram 36,6 passes a cada finalização, contra 150,75 na Allianz Arena. Dos 15 chutes do time, no entanto, só cinco foram dados de dentro da área. Quatro em direção ao gol de Neuer, que só foi ameaçado realmente quando Villa acertou a trave.

Bem marcados, Xavi e Iniesta deram 99 passes no jogo, muito abaixo da média de 214,1 nesta Liga dos Campeões. Para piorar, Tito Vilanova não confiou na influência de jogo de seus maestros, tirando ambos de campo antes dos 20 minutos do segundo tempo. Coube a Piqué cadenciar o Barcelona, líder do time com 86 passes – e muito à frente dos 71 de Fàbregas e Song, logo abaixo no ranking. O zagueiro salvou o Barça durante boa parte do primeiro tempo, com roubadas de bola precisas, mas desmontou depois do gol contra.

A derrota por 7 a 0 no placar agregado mede muito bem a falta de forças do Barça. Messi fez falta demais ao time, obviamente. Todavia, a incapacidade dos catalães foi muito além disso, evidente nas dificuldades para romper a defesa adversária e para se aproximar da área. Uma passividade que não foi perdoada por um adversário tão letal quanto o Bayern.



