Espanha

‘Esse clube espanhol tinha dono com dinheiro para contratar Mbappé, mas não o deixaram investir’

Regras financeiras de LaLiga são constantemente alvo de críticas

Criticada por suas rígidas regras financeiras, como o teto salarial e a limitação para que os clubes só gastem o que faturem, LaLiga também enfrenta contestações pela restrição que isso causa no investimento de bilionários estrangeiros, muito diferente do que acontece em outras ligas como Premier League e na Ligue 1.

O jornalista Paco González, durante participação na rádio espanhola “Cope”, usou o exemplo do Almería, que entre 2019 e 2025 era de propriedade de Turki Al-Sheikh, magnata ligado à família real da Arábia Saudita, para comparar como o futebol espanhol coloca limites no dinheiro vindo de fora da Espanha.

— Na Inglaterra, cada clube é sempre respaldado por um ricaço. Aqui veio o cara mais rico do mundo, o ex-dono Almería, e o time está na Segunda Divisão porque não deixaram ele colocar um dinheirão. E não é um sujeito que fosse embora amanhã, como o Piterman [polêmico ex-dono do Alavés]… — iniciou.

Ele tem dinheiro para contratar Mbappé e Yamal. Queria fazer como o Chelsea, colocar 5 bilhões e levar o time à Champions League. Se um cara rico quer investir, a LaLiga deveria deixar esse clube crescer — completou o jornalista.

González também citou as obrigações de investimento quando um novo empresário chega em um clube da primeira ou segunda divisão. “Não pode gastar em jogadores, tem que investir 50% em infraestrutura. [O investidor] quer é comprar jogadores e colocar o time na Champions”, disse.

Com o magnata saudita, o Almería até chegou à elite do futebol espanhol em 2022, mas só conseguiu a permanência no primeiro ano, caindo logo no segundo. A equipe sempre esteve entre as menores folhas salariais pela pouca capacidade de arrecadação. Agora, o time pertence a um grupo saudita de investimentos.

Turki Al-Sheikh em jogo do Almería
Turki Al-Sheikh em jogo do Almería (Foto: Imago)

Por que LaLiga é tão rígida em suas regras financeiras?

Há boas razões para o futebol espanhol ser tão sério em relação ao balanço dos times. O futebol espanhol viveu uma severa crise financeira nos anos 2000, com algumas equipes tradicionais chegando ao fundo do poço, como o Deportivo La Coruña e o Málaga.

Em 2011, os clubes das duas primeiras divisões da Espanha deviam 700 milhões de euros à Receita Federal e 1 bilhão de euros aos bancos, além dos jogadores sofrerem com atrasos de salário. A partir de 2013, a organização da liga adotou as regras financeiras para evitar novos casos.

Ao mesmo tempo, a concorrente Premier League aceitava qualquer tipo de investidor sem nenhum tipo de limitação, o que deu espaço para clubes-estado, como o Manchester City financiado pelo governo de Abu Dhabi — hoje, há mais limitação e a Arábia Saudita, dona do Newcastle, não consegue fazer o mesmo. O PSG, na França, passou a ser um braço do Catar.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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