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Alemães viraram fregueses, mas espanhóis chegam enfraquecidos

Real Madrid x Barcelona é a final que todos querem ver. E não é de hoje. O Barça criou uma aura de melhor time deste século, e os merengues apareceram sempre como únicos capazes de encará-los sistematicamente. Por isso, houve um suspiro de decepção quando o sorteio da Liga dos Campeões os colocou nas semifinais em 2010/11, e outro quando ambos caíram nas semifinais da temporada passada. Bem, novamente eles podem se pegar na final, e pintam como favoritos a isso. Mas, quer saber?, não seria estranho se, de novo, nenhum deles chegasse à decisão.

Real Madrid e Barcelona não chegam às semifinais da Champions com a força das duas temporadas anteriores. Ambos viveram temporadas de turbulência e expuseram vulnerabilidades no cenário continental. Problemas que podem custar caro quando se enfrenta adversários sólidos como Bayern de Munique e Borussia Dortmund. Mesmo se o supersticioso achar que a atual geração alemã – fortemente representada pelos times vermelho e aurinegro – tem sido constantemente barrada pela espanhola.

Os madridistas tiveram muitos problemas no começo da temporada, e até se estabilizaram nos últimos dois meses. A disputa entre parte do elenco e José Mourinho pareceu arrefecer (talvez porque tenha ficado claro que é pequena a chance de o português seguir no clube no segundo semestre) e a coisa começou a andar. Ainda assim, é um time que tem seus altos e baixos.

A equipe branca ainda tem problemas quando joga em casa pela Liga dos Campeões. Nesta temporada, ainda não perdeu no Bernabéu, mas teve muitos problemas com as equipes fortes que enfrentou. Empatou com Borussia Dortmund e Manchester United e precisou de dois gols nos últimos cinco minutos para vencer o Manchester City de virada. As vitórias tranquilas foram diante de Ajax e Galatasaray, adversários mais fracos. É um problema se o resultado do jogo de ida das semifinais, em Dortmund, for negativo (nisso, um ponto positivo para o Real é que o time alemão mostrou, contra o Málaga, dificuldade em se impor quando tinha obrigação de fazer o resultado).

Além disso, a oscilação tem sido constante durante as partidas. Contra o Manchester United e o Galatasaray fora de casa, o time teve momentos muito seguros variando com outros de alguma confusão coletiva. A equipe tem talento de sobra para se arrumar até o confronto contra o Borussia, mas precisa descobrir o que leva a esses apagões momentâneos.

O Barcelona tem um problema ainda mais sério. Primeiro, enfrenta o Bayern de Munique, um adversário mais forte e com mais experiência internacional. Mas as questões internas também são complicadas.

Quem acompanhar as últimas partidas do Barça contra o Real Madrid e o duelo contra o Paris Saint-Germain na última quarta verá que é possível ter um bom resultado no Camp Nou. Os blaugranas não têm conseguido manter o volume de jogo durante os 90 minutos (a exceção foi nos 4 a 0 contra o Milan, aí sim, uma atuação primorosa do começo ao fim). Uma equipe que marque firme e tenha uma saída de jogo rápida e eficiente encontrará espaços para chegar até Valdés.

Isso ficou ainda mais evidente após a contusão de Puyol. O Barcelona não tem um zagueiro reserva confiável, e Tito Vilanova acaba recorrendo a Mascherano (volante de origem, mas quase oficializado como zagueiro reserva) e Adriano (lateral). Bartra, zagueiro de verdade, é só a terceira opção. Jordi Alba tem jogado mais defensivamente nos últimos tempos, mas Daniel Alves é praticamente um meia e a linha defensiva tem efetivamente três homens.

Desse modo, o time depende muito da velocidade de recomposição de Sergio Busquets e Daniel Alves quando sofre contra-ataque. E nem sempre isso acontece. Basta ver como Pastore – que está longe de ser um Usain Bolt – entrou livre e arrancou até abrir o marcador na última quarta. Como o Bayern aprendeu a jogar sem atacante de referência para ter um setor ofensivo mais móvel, dá para imaginar qual a estratégia de Jupp Heynckes.

Barça e Real têm duas semanas até os confrontos de ida nas semifinais da Champions. Período suficiente para trabalhar em cima de seus problemas. Porque, se repetirem as atuações das quartas de final, continuarão favoritos, mas terão vulnerabilidades evidentes, e que podem ser exploradas pelos sólidos adversários alemães.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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