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A recuperação do Zaragoza de 2012 serve para dar esperanças ao torcedor do Vasco

A situação do Vasco no Campeonato Brasileiro é desesperadora. O campeão carioca chegou à 22ª rodada a 12 pontos de sair da zona de rebaixamento, e apenas dois times estiveram tão distantes da salvação (ou até mais) quanto o Vasco a essa altura do torneio: o Náutico de 2013 e o América-RN de 2007. Ambos foram rebaixados. O vascaíno mais sensato, ou na verdade, mesmo o que não vive no mundo da fantasia, não consegue vislumbrar um fiapo de luz no fim do túnel. Não há escapatória. A reação é impossível. Mas será que é mesmo?

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Fomos em busca de clubes que conseguiram se salvar após estarem na mesma situação que o Vasco, a 16 rodadas do fim, em uma liga nacional importante, com 20 clubes e três pontos por vitória. Não encontramos nenhum. A Atalanta de 2004/05 precisava tirar 11 pontos para sair da zona de baixo, 12 para o 16º colocado, o objetivo dos cariocas (caem três na Itália), e foi rebaixada. O Derby County de 2007/08 estava ainda mais longe e caiu mesmo. Mas o caso que pode animar os vascaínos vem da Espanha.

Ao fim dos primeiros 22 jogos da temporada 2011/12, o Zaragoza havia somado apenas 15 pontos. Isso representa a campanha do time até a 23ª rodada, pois a 20ª daquele campeonato havia sido adiada para maio. A campanha era quase idêntica à do Vasco. Também tinha apenas três vitórias, mas havia empatado dois jogos a mais. Naquele momento, final de fevereiro, a tabela mostrava o Granada, como o primeiro time a se salvar, em 17º lugar, e o Mallorca logo acima dele. Os dois com 25 pontos. O Zaragoza teria que tirar uma desvantagem de 10 pontos para superar ambos. Dois a menos que os cariocas precisam para se salvar. E conseguiu.

Aquele time do Zaragoza não era dos melhores, como, francamente, também não é o do Vasco. Foi eliminado pelo Alcorcón, que estava na segunda divisão, logo na quarta rodada da Copa do Rei, a primeira com os times da elite. Na temporada seguinte, foi lanterna e o rebaixamento acabou sendo inevitável. Tinha Luis García, aquele que pintou no Real Madrid e passou boa parte da carreira no Espanyol, e Hélder Postiga. Trocou uma vez de treinador, Javier Aguirre por Manuel Jiménez Jiménez, em 31 de dezembro de 2011.

A reação começou quase três meses depois, quando o Zaragoza empatou com o Osasuna, e em seguida, emendou três vitórias seguidas. Passou por uma sequência difícil, contra o Barcelona, em casa, e o Sevilla, no Ramón Sánchez. Perdeu para os dois. Bateu o Granada por 1 a 0 na rodada seguinte, perdeu do Mallorca pelo mesmo placar, e acabou ganhando os últimos quatro jogos da temporada. Terminou as 16 rodadas finais com nove vitórias, um empate e seis derrotas. Campanha digna. Terminou com 43 pontos, dois a mais que o Villarreal, primeiro rebaixado.

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A tabela ajudou um pouco, porque o Zaragoza enfrentou Atlético de Madrid (quinto colocado daquele campeonato), Athletic Bilbao (décimo, mas sempre difícil), Osasuna (sétimo) e Levante (sexto), em casa. Conseguiu dez pontos nesses jogos. O campeão Real Madrid já havia ficado para trás. Mas foi atropelado por Barcelona (segundo), Málaga (quarto) e Sevilla (nono). O Vasco pega o Corinthians, o Atlético Mineiro e o Grêmio, os três líderes, em casa, e viaja para pegar Palmeiras, São Paulo e Flamengo (lado bom: está se dando bem nos clássicos este ano). Também pega o Santos em ascensão na Vila Belmiro, mas já para o final do campeonato.

Nada disso significa que o Vasco conseguirá fazer o mesmo que o Zaragoza, até porque, com dois pontos a menos, está em situação ainda pior. Os espanhóis também aproveitaram uma queda vertiginosa do Villarreal, que somou apenas 15 pontos nas últimas 16 rodadas. Além de um clube em crise para tomar o seu lugar, o tetracampeão brasileiro precisará de uma reação em campo poucas vezes vista, e nos grandes, pela pressão da torcida e da imprensa, ela é ainda mais rara. No entanto, não é impossível, nem sem precedentes.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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