Espanha

A derrota para a Geórgia serve para dar uma chacoalhada mais que necessária na Espanha

Durante a década de 1980, a Geórgia já encabeçou uma das potências do futebol europeu. Na época, ainda era uma das repúblicas da União Soviética. Mesmo assim, a base da seleção do país na Copa de 1982 foi formada por jogadores do Dinamo Tbilisi, campeão da Recopa Europeia no ano anterior. Muito tempo se passou desde então, e a Geórgia nunca teve destaque como seleção independente. Ao menos até esta terça: vice-lanterna de sua chave nas Eliminatórias da Euro (o que não significa muito, considerando a presença de Gibraltar), os georgianos derrotaram a Espanha por 1 a 0, no Coliseu Alfonso Pérez. Diante da comemoração dos visitantes, parecia mesmo que o jogo valia pela a Eurocopa. Foi apenas a segunda vez que a Geórgia derrotou uma seleção campeã do mundo, após bater o Uruguai em amistoso disputado em 2006.

Por outro lado, a Espanha não tem nada a justificar. Que fosse um amistoso, que o time não estivesse motivado. Não há o que retificar em uma atuação tão morna, diante de um adversário sem qualquer grande destaque individual. O autor do gol, o camisa 10 Okriashvili, na última temporada foi reserva do Eskisehirspor, rebaixado no Campeonato Turco. Dentro do estádio do Getafe, parecia mesmo que o Getafe havia emprestado a camiseta da Roja.

Olhando para o papel, a Espanha conta com um grande elenco. Poucos são tão qualificados nesta Eurocopa. E poderia ser ainda melhor, considerando alguns nomes que ficaram de fora na convocação. Mas a impressão é que a Espanha parou no tempo. Mais exatamente, em 13 de junho de 2014, quando tomou os 5 a 1 da Holanda na Copa do Mundo. O aproveitamento não é ruim, com o time passando quase um ano invicto. Mas o futebol, que já não era empolgante, agora não parece convincente o suficiente – mesmo quando derrotou a Inglaterra, em novembro, ou quando enfiou seis na Coreia do Sul, semana passada.

A renovação de nomes acontece, mesmo que alguns medalhões roam mais o osso do que deveriam – sim, estou falando de Casillas, apesar de toda a sua grandeza no passado. O problema é que a renovação de ideias não parece seguir na mesma toada. Por mais que realize mudanças pontuais, a Espanha de Vicente del Bosque parece sempre a mesma. Como nesta terça, quando a posse de bola improdutiva e inútil se desenrolou.

Considerando que até três equipes avancem por grupo, a classificação aos mata-matas não deve ser muito problema à Espanha. O entrave aos atuais bicampeões, no entanto, é outro. Não falta potencial para os espanhóis buscarem o tri, até pela capacidade individual de seus jogadores e pelo equilíbrio nos diferentes setores. Porém, no atual momento, o nível de confiança não é alto. A não ser que Del Bosque tire uma carta da manga e consiga realizar algo que ele não conseguiu fazer em dois anos, é difícil acreditar no tri.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo