A bicampeã Espanha se confirma na Euro, mas ainda precisa botar à prova sua renovação

A Espanha confirmou presença na Euro 2016. Em um grupo relativamente tranquilo, a Fúria conquistou a oitava vitória em nove rodadas, goleando Luxemburgo por 4 a 0. Mas chega ao torneio continental longe da badalação que se indicaria ao atual bicampeão – e dono de três títulos. A péssima campanha na Copa de 2014 é o principal motivo pelo qual a empolgação com os espanhóis murchou. Bom para Vicente Del Bosque dar sequência a seu trabalho em um ambiente mais calmo. Sobretudo, para conduzir o delicado processo de renovação que urgia na Roja, e que já tem traços bastante definidos.
Desde o Mundial do Brasil, a Espanha entrou em campo 13 vezes. Perdeu amistosos contra a França, a Alemanha e a Holanda, além da visita à Eslováquia nas Eliminatórias da Euro. Já nas vitórias, não fez nada de tão espetacular, derrotando os fracos adversários de sua chave e a Costa Rica, em franco declínio desde a grande Copa. No entanto, dá para perceber a sequência das mudanças aplicadas por Del Bosque. Por mais que muitos jogos permaneçam arrastados, o time titular passou a contar com jogadores de estilo bem mais direto.
Afinal, talento não é muito o problema para a Espanha, especialmente no meio de campo. Contra Luxemburgo, Del Bosque montou o time no 4-3-3, com Fàbregas e Cazorla (autor de dois gols na noite) na criação, além de David Silva e Pedro abertos nas pontas. No banco, ainda contava com Juan Mata e Nolito, que entraram no decorrer da partida. Sem contar as opções de Thiago Alcântara e Isco, vivendo excelente início de temporada, que sequer deixaram o banco. Iniesta e Koke, lesionados, nem foram convocados.
Além disso, a ideia antes imutável sobre a ausência de um centroavante ficou para trás. A situação de Diego Costa na equipe é incerta, mas há outras boas opções de homens de área que não deixam de dar mobilidade à equipe. Álvaro Morata foi o titular desta vez, mas precisou sair logo no primeiro tempo, machucado. Acabou substituído por Paco Alcácer, que vai muito bem com a camisa da seleção. O atacante do Valencia balançou as redes duas vezes contra Luxemburgo e soma seis gols em oito jogos pela Fúria. Aos 22 anos, tem muito futuro.
Os maiores problemas da renovação ficam mesmo para a defesa. Piqué e Sergio Ramos permanecem como favoritos na zaga, mas o catalão sofre com as críticas pelas provocações e com a má fase técnica. E as alternativas são escassas, como as convocações de Bartra e Nacho Fernández, reservas em seus clubes, deixa bastante evidente. Ao menos os problemas não se repetem nas laterais. Já no gol, Del Bosque se mantém fiel a Casillas, mesmo com De Gea pedindo passagem há algum tempo.
Falta a essa nova Espanha ser realmente testada. Ucrânia e Eslováquia não são desafios reais, e ainda assim deram um bocado de trabalho nas Eliminatórias da Euro. Já quando pegou adversários mais renomados nos amistosos, o ritmo dos espanhóis foi lento. Em novembro, a equipe já tem duelos marcados contra Inglaterra e Bélgica, que testam o potencial do atual time. Qualidade para a mudança não falta, com vários jogadores de talento sobrando do meio para frente. A questão mais fica sobre a postura. Depois de um ciclo tão vitorioso, é difícil de desprender das amarras – mesmo que o tombo tenha sido enorme. Por isso, os atuais bicampeões chegam à Euro correndo por fora. Precisando de uma prova de fogo que realmente recupere a confiança sobre a Fúria.



